Polícia Socialista Parva (PSP)

Este fenómeno muito querido às esquerdas de tentar policiar o discurso e a própria História não é de agora. Aliás, já aqui tinha falado d’A Era do Cancelamento. No entanto, na semana passada tivemos três tentativas de cancelamento por parte da PSP. Digo tentativa, porque por muito que a esquerda transmita a sua ideologia em forma de única maneira decente de pensar, não acredito que consigam apagar a nossa História, para o bem e para o mal.

 

Começámos a semana com a tentativa de cancelar o Ricardo Araújo Pereira, porque este falou mal do PS. Parece-me que isto começou com uma socialista a lembrar que RAP já fez blackface e que usou termos homofóbicos, que “já lhe foi explicado que isso não é ok”. A PSP considera que é propriedade de uma instituição considerar os termos que estão à disponibilidade de Ricardo Araújo Pereira para utilizar nos seus sketchs humorísticos. A mesma esquerda que se pendura à liberdade de expressão para defender um rapper que faz apologia ao terrorismo é aquela que não pode ver uma cara com base a mais ou ouvir a palavra “maricas” num sketch. E nem estou a tomar um lado, estou a mostrar o duplo critério da PSP. Se é para cancelar consoante os nossos gostos, gostava de poder cancelar o Félix, porque ainda não esqueci aquele golo no Dragão. Não há cancelamentos pedidos?

No fim da semana, tivemos Ascenso Simões, deputado socialista e agente da PSP, também conhecido por comentários sexistas no Twitter, a sugerir a demolição do Padrão dos Descobrimentos. Vindo de Ascenso Simões, mais rapidamente esperaria a sugestão de demolir a casa de um senhor com o qual discutiu há uns tempos. Mas falando do Padrão dos Descobrimentos, não é demolindo um monumento, que iremos apagar a nossa História. Além disso, todos os nossos feitos e desfeitos devem ser analisados à luz da época. Foi através desses momentos que fomos evoluindo até hoje. Aliás, daqui a 50 anos, haverá uns quantos que considerarão errado aquilo que para nós hoje é tido como normal. Chama-se evolução. Mas como não quero contrariar o ilustre deputado, penso que ele está a ser pouco otimista. Quando é que pede demolição do Marquês de Pombal, porque era um assassino, demolição da estátua de D. Afonso Henriques, que praticava violência doméstica, demolição da estátua de Cristiano Ronaldo, porque uma vez colocou mucosidade no cabelo de Nuno Gomes… E secar o rio Tejo, de onde partiram portugueses para descobrir meio mundo? Não, já sei, e castigar os portuenses que deram as carnes a quem partiu? Para quando o corte de relações com Espanha, visto que até temos um feriado que festeja o facto de termos mandado essa gente pela janela?

 

Se querem cancelar, cancelem à homem! Pronto, homem. Lá vou eu ser massacrado pelas feministas, porque todos sabemos que uma expressão cria mais celeuma do que ter um quinto da população portuguesa em risco de pobreza.

 

A esquerda tem a liberdade de expressão como Cavalo de Tróia para impor a sua visão única de sociedade. Não podemos permitir que um espetro seja proprietário dos bons valores.

Comments

  1. Daniel says:

    Quem é a esquerda?!

  2. anticarneiros says:

    “Este fenómeno muito querido às esquerdas de tentar policiar o discurso e a própria História não é de agora”

    E eu na minha santa inocência a pensar que tinha sido Salazar e o Marcelo I, a fazer isso.

  3. Paulo Marques says:

    Começamos a semana a cancelar o RAP porque alguém no Twitter escreveu que não lhe tem achado piada. Um insulto de lesa pátria, é melhor eu estar caladinho em relação ao Ronaldo que ainda sou esquartejado. Não, pá, ninguém o quis cancelar coisa nenhuma, deu jeito fazer de conta para deixar passar coisas bem mais graves, como querer retirar a nacionalidade. Ou, já que quer mesmo falar da liberdade e do terrorismo, da polícia espanhola.
    E, não, também não é uma questão de destruir a história, é questão de a glorificar, embora também não ache que seja por aí. Podia o Francisco ter falado das liberdade de ter contas eléctricas de 10000$ no Texas, admitindo que não se morre de frio com tanta liberdade, mas era uma chatisse não distrair a realidade com faits divers de redes sociais.

    • Abstencionista says:

      ” A forma correta de escrita da palavra é chatice, com c. A palavra chatice, com ss, está errada.

      O substantivo feminino chatice indica a qualidade daquilo que é chato e maçador, que causa aborrecimento. É sinônimo de arrelia, agastamento, amofinação, apoquentação, importunação, aborrecimento, amolação, maçada, chateação, chateza, caceteação, entre outras.”

      (Fonte: Flávia Neves; Dúvidas do Português)

  4. Sarfarão Azevedo says:

    Os fachos nota-se mesmo que querem por as garras de fora…

    • Paulo Marques says:

      Não é facho, é lambe-botas, a ver se o mijo dourado lhe cai em cima. É diferente.

  5. Filipe Bastos says:

    Teria a sua piada alguém ‘cancelar’ o Ricardo Araújo Pereira, o palhaço comuna-caviar favorito da carneirada e do regime; mas não vejo ninguém com tomates para tal.

    Seria, claro, tão errado como qualquer outro cancelamento. Esta histeria woke há-de acabar. O RAP não merece ser cancelado; merece ser posto no seu lugar de chulo hipócrita.

  6. Filipe Bastos says:

    E não, POIS, Ricardo Araújo Pereira não é um chuleco: é um chulão. Há muito que foi promovido. Copy-paste:

    A graça de RAP encolheu à medida que cresceu a sua ‘consciência política’. Quando se limitava ao humor, como é um tipo inteligente que vê o lado engraçado de algumas portuguesices, tinha certa piada. Nada que justifique uma ‘carreira’, como estes meros jograis chamam aos seus biscates sobrepagos, mas enfim, em Portugal também não há melhor.

    Só que, tal como o Herman, RAP passou de jovem irreverente a trintão chulão: um palhaço amestrado de mamões como a PT, impingindo telemóveis e outras porcarias à carneirada.

    Enquanto mamava, às costas da fama conseguida como jogral zarolho em país de cegos, foi expandindo a sua esquerdice caviar por onde lhe davam (pagavam) palanque.

    Hoje, ciente da sua rica vidinha, deve abichar num ano o que os ‘trabalhadores’ que canta não ganham em trinta a trabalhar, e essa noção torna-o um curioso humorista-esquerdista-comentadeiro-mamadeiro. Um capitalista envergonhado. Ou desavergonhado, pois continua a cantar e a mamar.

    • POIS! says:

      Pois agradeço a resposta.

      Embora nunca me tenha referido ao RAP em lado nenhum.

      Eu bem digo que Vossa Excelência é mais que um Supremo Guru. Vossa Excelência é Deus!

      Como é que V. Exa. adivinhou que, daqui a dois meses, eu ia dizer, tal qual, que o RAP era uma das maiores sumidades do Universo, um homem a quem a Humanidade deve a sua existência e mesmo a sua manutenção?

      Sendo V. Exa. a verdadeira Sumidade Cósmica, não podia deixar que o culto a RAP se generalizasse, sob pena de o Apocalipse poder vir, finalmente, a ser agendado.

      Em boa hora foi reposta a Santa Verdade!

      Pronto. Já pode ir jantar, tomar banho e mudar de roupa interior. A Humanidade está salva!

      • POIS! says:

        Ah! E só mais uma coisinha:

        Um dos problemas de V. Exa. é mesmo não ter piada nenhuma. Já me ri mais a ouvir o “Requiem em Dó menor” do chulão Salieri ou a “Marcha Fúnebre” do chuleco Chopin (este, pelo menos, não dava trabalho aos chulos dos maestros) que qualquer coisa que V, Exa. tenha produzido.

        Por isso terá de reconhecer que não está na melhor posição para este tipo de análise.

        Imagino que nunca lhe tivessem impingido nenhum telemóvel, por isso livra-se do conceito de “carneiro”: Pelo menos por essa via.

        O seu problema é mesmo o trabalho. Quando começa a trabalhar entra logo para a manada. Tem mesmo de deixar de trabalhar, sr. Bastos, ou estamos todos perdidos!

        A Humanidade ficar-lhe-ia eternamente agradecida. Teria direito a um lápide, em plástico reciclado (para não dar dinheiro aos chulões que ganham dinheiro até com as pedras), como forma de profundo reconhecimento.

      • Filipe Bastos says:

        Pois agradeço, mas geralmente não tento ter piada. Ao contrário do POIS, que – salvo raras excepções, como essa resposta – tenta sempre tê-la, com resultados variáveis.

        E não faço de graçolas e bitaites o meu ganha-pão, ou chula-pão, ao contrário do RAP e dos compinchas dele.

        Todos os ‘Gatos Fedorentos’ já bitaitam pelo Observador e afins; não lhes chegava a mama da TV. É confrangedora a falta de gosto e de exigência da carneirada.

    • Paulo Marques says:

      O RAP tem consciência política? O RAP, que acha que não há problema nenhum em blackface e piadas homofóbicas, é woke?
      Juízo, pá

    • Filipe Bastos says:

      O RAP tem consciência política?

      Tem. É um tipo de esquerda, decente o bastante para crer nos ideais, inteligente o bastante para evitar carneirismos ou fanatismos. Tem uma bússola moral e pensa pela sua cabeça.

      O problema é ser um chulo hipócrita, a personificação do que se chama esquerda caviar. Até ele deve ter noção disso.

      O RAP é woke?

      Não. Esse ‘straw man’ é todo seu. O RAP sempre viu o ridículo e os abusos da histeria woke, como qualquer pessoa normal.

      Também lhe dá jeito ser contra ela porque vive de piadolas, e a cancel culture – e a caça de sacrilégios passados, como esta do blackface – cedo ou tarde viria contra ele. Como se viu.

      • Paulo Marques says:

        Ninguém pensa pela sua cabeça, somos todos fruto de ideais da sociedade que nem fazemos ideia que somos. Ficar contente por achar coisas sem ler nada dos milhares de pessoas que exploraram a ideia, construindo uns em cima de outros, não é ter consciência política, é só preocupar-se.
        Como diz, vive de piadolas, humor pode ser muito mais do que isso. E quanto a virar-se contra ele… continua a ser bem pago, que eu saiba, e não perde audiência, quando mais os postos. O que é é uma oportunidade perdida, se se fosse mais consciente é que não estava onde estava.

  7. Abstencionista says:

    Bom tema Francisco Figueiredo que merece ser glosado!

    Todos estes “fenómenos esquerdistas” são protagonizados ou por moços de recados, como o Ascenso, ou por idiotas oportunistas, como o Mamadou.
    E não são só “esquerdistas” que seguram o pálio: são os “direitistas” que acompanham bem com as assinaturas da deportação.

    No entanto, todos diferentes e todos iguais nos fins que perseguem, conscientemente ou parvamente: DISTRAIR!

    Piores do mundo graças à pandemia, SNS implodido durante vários anos, pandemia económica com portugueses sem poderem trabalhar e a caminho da sopa dos pobres ou da miséria, milhões dos fundos europeus para o estado, melhor dizendo, para os gordos fura filas dos amigos do PS, dívida a orbitar … e, cereja no topo do bolo, venda das barragens da EDP!!!

    Neste caso, o Álvaro Amaro já fez por merecer bem o salário milionário que aufere … 110 milhões de imposto de selo já foram ao ar dos cofres de todos nós.
    E o imposto de mais valias aplicado a uma compra das barragens abaixo do custo (M. Pinho arguido) e agora vendidas a preços “normais”?
    (Os Aventares sabem, por exemplo, se venderem uma casita que compraram há 20 anos por 50.000 euros e nos dias de hoje a venderem por 100.000 euritos têm de pagar, grosso modo, mais ou menos 7.000 euros de mais valias?).

    Resumindo: é preciso DISTRAIR, e as causas fracturantes dão muito jeito para animar os comentadores nas Tvs e jornais do regime.

    • Paulo Marques says:

      Piores do mundo? Pá, tá atrasado, nem chegamos a ser e já estamos longe. E os milhões, bem, é fazer as contas e ver as condicionantes do “apoio”, a começar nos prazos de devolução e nos sectores aplicáveis.
      Devia ser diferente? Devia, e muito. Mas é a Europa que todos gostam, agora empobreçam.

  8. JgMenos says:

    Um coirão de um deputado a querer derrubar quinhentos anos de uma História que nos garantiu a independência, dá-nos a clara ideia do lixo que povoa a AR.

    E sim, a esquerdalhada das fraturas é um lixo ideológico, uma idiotia corrosiva, uma nódoa degradante.

    • POIS! says:

      Pois é!

      A História é uma coisa muito volátil. Foi por isso que Salazar, antes que a História evaporasse, resolveu pedir ao Cottinelli que lhe metesse umas toneladitas de betão em cima.

      E foi o que ele fez mas, para ficar mais bonito, resolveu por em cima uma cena escultórica que retrata uma data de gajos cheios de larica (nessa altura, a descobrir, passava-se muita fome, e a cobrir, ainda mais) atrás do Infante que leva na mão um cesto muito fashion cheio de pastéis de Belém.

      O Cottinelli, sabe-se hoje, hesitou em colocar à frente da caravela o Infante, com o cesto dos pastéis ou o próprio Salazar, mas com uma garrafa de vinho do Dão.

      E a hesitação era justificada, devido ás semelhanças entre os dois: o Infante descobriu o mundo todo sem sair de casa e Salazar governou o Império sem levantar os pés da Rua da Imprensa, a não ser uma deslocação a Badajoz para comprar caramelos e outra a Sevilha para tentar desvendar o segredo das cinturas finas que usavam os sevilhanos.

      Como resultado, quando cá chegou, mandou logo toda a gente apertar o cinto.

  9. Filipe Bastos says:

    Ah, o Ascenso. Realmente um coirão, este cão-de-fila do 44.

    O PS especializa-se neste tipo de excremento: além do Ascenso, o Vitalino Canas, o João Chulares, o chuleco Assis, o lacaio Lacão, o sapo César, o Zorrinho… isto sem entrar em Ferros e Farfalhas.

    Não tenho particular apego ao Padrão dos Descobrimentos, como a maioria dos monumentos uma parolice para turistas. Mas os símbolos têm o seu valor, sobretudo em países que de facto fizeram coisas, e que perderam há muito qualquer relevância.

    Um merdas destes daria vontade de rir, não fosse a tristeza de nos recordar que são merdas destes que governam o país. Quem dera que só destruíssem monumentos.

  10. RUI SANTOS says:

    O Chicão e a conversa da treta. Mais do mesmo.

  11. whale project says:

    Deixem lá o rapper que chamou ladrão ao Rei de Espanha, já agira eu acrescento, ladrão e assassino que quem tem fígado para matar um elefante também mata uma pessoa, em sossego, que por cá também temos com que nos preocupar. Pelo menos por cá RAP não vai preso, e nem mereceria ir, mas em Espanha já estaria do lado errado das grades. E era pena porque é um grande humorista mesmo que não concordemos com algumas coisas. Somos todos livres de ladrar contra alguém que usou a liberdade de expressão, não devemos ter o direito é de o meter na cadeia nem dispersar manifestações a seu favor arrancando olhos com balas de borracha. Ponham mas é uma velinha ao D. João IV que nos livrou de coisinhas dessas.