Vender em nome da falácia conveniente

Há dias, na Bertrand de Braga, reparei que o livro de Jorge Nuno Pinto da Costa liderava a tabela de “não ficção” daquela livreira.

Hoje, noutra cidade do Minho, na FNAC, lá estava o livro em destaque, comandando, pasme-se de novo, a “não ficção” nacional.

A sério?!

Sendo, como é, o maior tratado de ficção, fantasia e devaneio (como antónimo de realidade – facto, realidade) publicado em Portugal, nos últimos meses, como podem dois padrões de vendas de livros persistir na falácia de considerar o livro como “não ficção”?!

Acho de muito mau gosto tentarem influenciar desta forma falaciosa o público. Tentarem, não, porque, a ser verdade o volume de vendas que coloca o livro na liderança a nível nacional, foi mesmo influenciar, tout court. Nem precisaram de tentar!

Desilusão! Decepção! Desengano!

(Estou à vontade porque desde sempre não me deixei convencer pelo carisma de JNPC. O cortejo de traições que cultivou – a traição-mor foi ao clube – e os enganos que semeou na massa associativa, para o bem e para o mal, já nos idos de 80 do século e milénio passados eu escrevia o que se segue em imagem do Jornal do clube, a cujo corpo redactorial pertenci).

Lucrando com a ignorância

livraria_bertrand

[Nelson Zagalo]

E depois venham dizer que está tudo no Google, não é preciso saber nada. É como a Bertrand, existe imenso conhecimento por detrás desta montra, mas aquilo que nos apresenta é apenas a Ignorância Disfarçada de Livro.

Bertrand Livreiros não paga mais a quem lá trabalha e, no entanto, cede a estas estratégias de marketing que nada têm que ver com literacia, cultura ou sequer livros. Porquê? Ganância? Desprezo por quem respeita a livraria e o seu legado secular? Se ainda há pouco dizia aqui que o que me fazia ir a um dos centros comerciais da cidade era a Livraria Bertrand, tenho de confessar que depois de ver esta imagem perdi muita dessa vontade.

Como é que se pode acreditar, ou confiar, numa livraria que, para comemorar o dia do livro, preenche a sua montra desta forma? É com estes livros que a Bertrand espera realizar a sua contribuição para uma sociedade mais formada? Ou a Bertrand quer lá bem saber se a sociedade tem falta de literacia e nem sequer consegue compreender a fraude dos discursos anti-vacinas, anti-alterações climáticas, anti-imigração, etc…, etc…?
Parece que à Bertrand interessa apenas, no final do mês, o pote bem cheio.

Fotografia: Montra da Livraria Bertrand, Coimbra. Por @Filipe Homem Fonseca.

Parabéns à PORTO EDITORA!

Pode entender-se como publicidade paga. Também pode parecer manifestação de xenofobia. Assevero não ser nenhum dos casos. Trata-se apenas de manifestar o júbilo pelo facto da Porto Editora ter praticamente assegurado a compra da Bertrand e do Círculo de Leitores.

Parabéns à PORTO EDITORA! Tudo indica, assegurará a manutenção em mãos portuguesas de duas empresas de edição e distribuição de livros que, acredito, continuarão a ser veículo essencial de difusão de cultura e de saberes, mesmo nos tempos da Internet. De forma categórica, é dada uma lição de superioridade ética aos grandes (?) empresários portugueses; nomeadamente àqueles que, tempos depois de subscrever um documento de defesa dos ‘centros decisão nacionais’ para a Presidência da República, alienaram a grupos estrangeiros as participações de capital de instituições e empresas emblemáticas.

Por último um apontamento: a ‘Bertrand do Chiado’, fundada em 1732, antes portanto do terramoto de 1755, é a segunda livraria mais antiga do Mundo. A primeira está localizada em Tóquio.   

O Símbolo perdido é muito caro

Hoje, por questões de agenda familiar fui "obrigado" a passar uma horita na FNAC. Para aproveitar o tempo resolvi pegar no livro do Dan Brown " O símbolo perdido".

Li e reconheci nos primeiros cinco capítulos o mesmo autor de Código Da Vinci, de Conspiração, de Fortaleza Digital ou de Anjos e Demónios.

Convencido a fazer a aquisição, olhei para o preço… 22,46€.

Achei!

Acho!

MESMO.

Um exagero – na moeda antiga quase 4 contos e meio por um livro…

Pensei, é por ser na FNAC… erro… Continente, Wook, Bertrand

O melhor da concorrência em Portugal! O mesmo preço em todas!

Conclusão: fico à espera da próxima seca que levar no Shoping para continuar a minha leitura!

Nota: será que a Srª Ministra, mulher dos livros, poderá olhar para isto com alguma atenção? Em vez de nos dar a possibilidade de comprar portáteis a 150 euros poderia criar melhores condições para que os professores pudessem ler mais, por exemplo, através das bibliotecas das escolas… Digo eu, que não percebo nada disto.