Teoria geral da adopção facultativa

 «A ideia original não era má, quando se começou a espalhar passou a ser perigosa e quando foi adoptada por tudo e por todos passou a ser uma desgraça». Será que Ricardo Costa se refere ao Acordo Ortográfico de 1990? Terá “a ideia original não era má” alguma coisa a ver com o “tudo começou em 1967, em Coimbra”, do excelente ensaio de Fernando Venâncio? Estará o “quando se começou a espalhar passou a ser perigosa” de algum modo relacionado com a forma como o Poder tem ignorado aquilo que sobre o Acordo Ortográfico de 1990 tem vindo a ser denunciado na praça pública? Será que o “quando foi adoptada por tudo e por todos passou a ser uma desgraça” se refere à Choldra Ortográfica em geral ou ao Diário da República em particular? Perdão, terei eu próprio escrito “Acordo Ortográfico de 1990”? Acordo Ortográfico de 1990? Aquele cuja aplicação está a ser acompanhada pela Assembleia da República? Aquele que o Expresso ia adoptar? Ricardo Costa é director do Expresso? E não adopta o Acordo Ortográfico de 1990? Será que o director do Expresso já assinou a Iniciativa Legislativa de Cidadãos e ninguém deu por nada?

Expresso2342013

Telespectador? Telespetador? Depende.

No dia 9 de Junho de 2011, depois de troca epistolar com José Carlos Abrantes (através de missivas no Facebook, datadas de 14 de Maio e 1 de Junho desse mesmo ano), escrevi o seguinte, numa “Segunda Carta Aberta ao Provedor do Telespetador [sic]”:

Vários falantes de português europeu oscilam entre a prolação e a não prolação de [k] (recordo que um levantamento da pronunciação de “telespectador” deverá ter este importante factor em conta). Esclareço: o mesmo indivíduo poderá no mesmo discurso pronunciar o C de telespectador e não pronunciá-lo. Convido V. Ex.ª a escutar com muita atenção as prolações de “telespectador” por parte dos apresentadores de programas da RTP e recomendo que a estes preste particular atenção, porque são a “referência” dos (passe a redundância e o aparente exagero) telespectadores.

Sete dias depois, José Carlos Abrantes viria a alterar a grafia controvertida*, alegando que «as duas grafias são possíveis segundo o Acordo Ortográfico em vigor». Mas, adiante, vamos àquilo que nos interessa. [Read more…]