Monstro em cela de luxo

Breivik teve a pena máxima que a Noruega permite: 21 anos de cadeia. Alguém se deu ao trabalho de contabilizar o tempo que é condenado por cada vítima: 3 meses…

Breivik matou 77 pessoas, cidadãos inocentes, gente muito jovem.

A democracia da Noruega dá a Breivik uma cela confortável de três divisões. Uma para exercício, com aparelhos de musculação e outra com computador, onde poderá escrever livros… (talvez manifestos racistas como se leu no Editorial do Público de ontem).

Há gente que não cometeu nenhum crime na sua vida e vive muuito pior que aquele monstro.

Recordo uma notícia do ano passado, que saiu na altura em que o monstro norueguês comete o massacre «inqualificável». No Paquistão, “operários das fábricas de tijolo são tão explorados que têm de vender os rins  para pagar as dívidas”. Trabalham de sol a sol para receber menos de 1 euro. Enquanto isto, o Paquistão “é o povo que, em todo o mundo, mais donativos faz para obras de caridade”. Hipocrisia.

A vida daquela gente é uma prisão. Vivem com a corda na garganta, condenados a passar os seus dias a pagar dívidas e empréstimos atrás de empréstimos.

Isto é justiça?

Softocaracy. A democracia é um perigo

 José-Manuel Diogo

A democracia é realmente um mau sistema.
Os jornais de hoje contam que o assassino norueguês, confesso, mentalmente são e não arrependido, foi condenado a 21 anos de prisão e pode pedir liberdade condicional a partir do décimo.
A 22 de Julho do ano passado ele matou 77 seres humanos. Fez rebentar uma bomba num edifício e depois alvejou mortalmente 69 pessoas, mutilando muitas outras. Sempre disse porque o fazia. Consciente e de forma deliberada. Para “prevenir a islamização da Noruega”.
Os números podem ser usados de muitas maneiras. São a melhor forma de mentir. Mas esta conta é indesmentível, dividindo 21 (anos) por 77 (mortes), o preço são 99 dias (por pessoa). São pouco mais de três meses por cada tragédia, por cada luto, por cada drama familiar.
Os estados socialmente mais avançados são, paradoxalmente, os mais expostos e mais frágeis perante ruturas civilizacionais. São a porta de entradas para extremismos e xenofobias. Transportam a semente do sem próprio fim. E os tempos que vivemos são isso mesmo: de rutura.
Ele tem 31 anos, daqui a 10 ou 15, quando puder sair é ainda um homem novo. Como lidará a sociedade com a sua liberdade. Como é que a nossa sofisticada civilização se vai olhar ao espelho? [Read more…]

A saudação de Breivik

Começou o julgamento público e como é óbvio o menino debita propaganda. Normal em democracia.

Primeiro número: a saudação. A nossa extrema-direita (e um ceguinho no Público) ao ver um punho fechado tenta sacudir a água do seu encharcado capote e afasta a ideia de que se trate da sua forma muito típica de estender o braço. Convêm observar que a pata se deslocou em primeiro lugar ao peito, e repetiu a saudação romana. Nuances em relação ao original sempre as houve.

Segundo número: não reconhece autoridade ao tribunal porque este recebeu o seu mandato de partidos que apoiam o multiculturalismo.

Ora quem é que por estes lados não pode ouvir tal palavra? quem será… com um Bourbon idiota aqui ao lado (passe o pleonasmo) e o Anders Behring Breivik mais ao longe, palpita-me que a nossa extrema-direita ou inventa uma manobra de diversão ou vai andar muito caladinha nos próximos tempos.