A cantiga da rua, hoje na Noruega

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Milhares de noruegueses saíram à rua para cantar a canção que Breivik odeia

O multiculturalismo (vejam lá: uma canção norueguesa inspirada noutra do comuna Pete Seeger) juntou 40 000 cidadãos na rua, só porque Anders Behring Breivik declarou em tribunal que a cantiga lhe provoca os suores frios que nossa querida extrema-direita sente nos passos de uma Grândola Vila Morena.

Aguardemos até a blasfema insurgência nacional descobrir aqui a perdição da raça e o princípio do fim da superioridade da civilização cristã ocidental.

A saudação de Breivik

Começou o julgamento público e como é óbvio o menino debita propaganda. Normal em democracia.

Primeiro número: a saudação. A nossa extrema-direita (e um ceguinho no Público) ao ver um punho fechado tenta sacudir a água do seu encharcado capote e afasta a ideia de que se trate da sua forma muito típica de estender o braço. Convêm observar que a pata se deslocou em primeiro lugar ao peito, e repetiu a saudação romana. Nuances em relação ao original sempre as houve.

Segundo número: não reconhece autoridade ao tribunal porque este recebeu o seu mandato de partidos que apoiam o multiculturalismo.

Ora quem é que por estes lados não pode ouvir tal palavra? quem será… com um Bourbon idiota aqui ao lado (passe o pleonasmo) e o Anders Behring Breivik mais ao longe, palpita-me que a nossa extrema-direita ou inventa uma manobra de diversão ou vai andar muito caladinha nos próximos tempos.

Blond Blood

 

O manifesto de Anders Behring Breivik e seus comentadores

Estava aqui uma coisa drapetomaniaca, no artigo sobre o manifesto vídeo do Andrew Berwick, comentários odiosos vindos do mesmo IP brasileiro, IP com que o próprio se batia em si mesmo, usando vários pseudónimos, e que agora assim se revela:

Cara moderação, que bom que excluiu alguns de meus comentários. Seria justo inclusive que excluísse todos. Drapetomaniaco nada mais é que uma personagem. Curioso como mesmo em um fórum onde fluem idéias libertárias, um pouco de pimenta faz aflorar o pior do nazismo. Foram postadas aqui comentários entre xenofobia e racismo, nazismo e preconceitos tolos. Fiz o mesmo em outros fóruns e o resultado foi ainda pior.
O menor dos tremores, faz cair o véu de concepções e pseudo-fraternidade da união européia.
Logo veremos o fascismo do nosso tempo.

É daquelas vezes em que um comentador vale mais que o artigo, artigo onde aliás escrevi facto 2 vezes, e faltou pouco para não ter sido fato. Obrigado.

Retrato de Um Fils-de-Pute

deus existe e deu-nos o livre arbítrio como lei. que bom.

O manifesto de Anders Behring Breivik, o carniceiro de Oslo

Além de ter criado uma conta no Facebook (cópia disponível) expressamente para a função cartão de visita, Anders Behring Breivik deixou um manifesto em vídeo. Está lá tudo: nacionalismo, anti-marxismo e anti-islamismo.

Não me passando pela cabeça que todos os anti-marxistas, nacionalistas e neo-cruzados desatem para aí aos tiros, o facto é que esta ideologia está entre nós. Não é preciso ir aos foruns e blogues de alguma direita e da extrema-direita para os encontrar, basta ouvi-los nos transportes públicos. O facto de as forças de segurança norueguesas terem subestimado o perigo de atentados vindos desta gente que não usa turbante e combate a “aliança multiculturalista”, é muito significativo. Nada impede um destes tipos que andam de Salazar na boca de seguir o exemplo do norueguês (e sabe-se como este tipo de atentados produz efeitos de contágio).

Quero eu com isto dizer que se deve travar a liberdade de expressão da direita? não, esse seria o pior caminho. Mas é tempo de as polícias europeias lhes dedicarem a atenção que concentram apenas noutros fundamentalistas.  O 22 de julho pode não ficar por aqui, e o branqueamento pela comunicação social da emergência política desta gente (não esquecer que em muitos países da CE estão no poder, ou bem próximos dele), não ajuda nada. Não se trata apenas de um louco, que tudo aponta para não ter agido sozinho, trata-se da emergência de uma ideologia contra a qual a Europa deveria estar vacinada em época de crise. Tal como em 1900 e trintas, não está. Não a tomem a tempo, e ainda vemos a História a repetir-se, novamente como tragédia, é claro.

Anders Behring Breivik não é um terrorista, é um cristão

Anders Behring Breivik não é muçulmano, não é de esquerda, mas assassinou 91 compatriotas. Temos agora um complexo problema de linguagem atormentando as redacções.

No Público uma alma benzeu-se e conseguiu utilizar a palavra:

Este é o mais grave atentado terrorista na Europa desde que 52 pessoas perderam a vida em Londres em 2005, num ataque levado a cabo por terroristas islâmicos.

Bom esforço: escreve-se terrorista, mas enfia-se islâmico no mesmo parágrafo. No Expresso procuro, e não encontro: atentado, vá lá. Nas primeiras horas ainda se vendeu o peixe do “grupo islâmico”. Ninguém comprou.

Anders Behring Breivik é um filhodaputa de um cristão fundamentalista, com a mania das armas e politicamente de direita. Mas os terroristas só podem existir no outro lado da guerra santa.

Para quem vê o mundo a preto e branco é assim. O perigo vem sempre de Meca, agora que já não vem de Moscovo. São sempre os outros. 91 humanos foram vítimas de “um atentado”.  Nos próximo dias vão convencer-nos  que foi cometido por um “tresloucado”, o que não deixa de ser verdade mas também se aplica aos outros.

Aquilo que está entre o preto o o branco não existe, existe a comunicação social que o apaga, apagando-nos a massa cinzenta.

Cresci a ouvir todos os dias a palavra terrorista associada sempre aos movimentos de libertação. O nosso exército era santo, Wiriamu nunca existiu. Estou habituado.