Monárquicos que alucinam

Sinceramente, não sei o que se passa na cabeça desta gente. Não tenho nada contra aqueles que acreditam e defendem uma causa que é legítima, nem tenho dúvidas que o filho varão de Duarte Pio de Bragança tenha recebido uma “educação esmerada”, ainda que tenha as minhas reservas sobre “o brilho de uma inteligência superior e uma vontade de saber e qualidades notáveis de um Estadista”, que para além de ser uma afirmação com um certo odor fascista, levanta inúmeras dúvidas.

Porém, o resto desta publicação facebookiana, escrita por um conhecido militante monárquico, que optei por não identificar, é um chorrilho de absurdos, dignos de um fanático religioso. Vejam bem: o pseudo-príncipe é ruivo, tem barba e um semblante formoso, algo nunca antes visto neste país de hereges! Que país estúpido é este, que não se apressa a abolir imediatamente a República, quando tem um descendente real destes, ruivo e formoso, que ainda por cima está pronto para ser rei? Estaremos loucos? [Read more…]

E eis que a esperança no futuro do país renasce

Sua Al(ol)teza real

Foto@Carlos Pires/Monárquicos Portugueses Unidos

Portugal tem um “príncipe” que “enche o coração de Portugal de esperança, de alegria e de confiança num futuro risonho e promissor pela qual todos nós Portugueses sonhamos“. Confesso que fiquei comovido. Para além da maravilhosa descoberta de que Portugal tem um príncipe – espero que mais barato de manter que os restantes aristrocratas políticos que por cá andam – fiquei a perceber que o jovem de 19 anos acabados de fazer é um hino à esperança num futuro risonho e promissor. Aquele com que todos sonhamos.

Agora vou ali ouvir D. Nuno da Câmara Pereira para acalmar estas emoções. O meu batimento cardíaco está muito acelerado.

Nem Presidente, nem 1º Ministro, mas…

…foi hoje inaugurada em Barcelos uma estátua do Condestável. Nesta altaneira vaga de desgraças que têm assolado o país, convém ir rememorando aquilo que outrora foi um grande símbolo da soberania nacional.  Na foto, da direita para a esquerda e com todo o nosso respeito:

Dois generais que esperamos não serem oriundos de qualquer aviário perto de si, três senhores que nunca vimos mais ou menos gordos em parte alguma, uma gatarrona de botas altas “à d’Artagnan” e o sempre pontual descendente de Nuno Álvares Pereira. Bem vistas as coisas, lá esteve o Poder Local, a Igreja, as Forças Armadas, alguns representantes do Terceiro Estado (S. Bento) e a Coroa. O Portugal que desfia um novelo de nove séculos de História. Ao contrário de em certos cincos d’Outubro, o  povo esteve presente, tal como por regra acontece, faça sol ou faça chuva. As autoridades e bandeira da “república”, nem por isso. Isto, no dia em que na Marinha Grande aconteceu algo de inesperado.

* Fotos pescadas aqui.

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Depois de Vós, Nós


Viveu para servir. Há setenta anos, naquela linha da frente interna alemã, choviam bombas dia e noite, prodigamente despejadas pelas forças aéreas do EUA e do Reino Unido. No forçado exílio, a Infanta D. Maria Adelaide acorria em auxílio dos feridos e moribundos, destemida no meio do inferno de chamas que incineravam corpos e cidades. Fez parte daquele círculo de aristocratas que foram sem qualquer dúvida, os mais corajosos e empedernidos adversários do nacional-socialismo que submetera a Alemanha. Finda a guerra e pela primeira vez pisando o solo português após a abolição da iníqua Lei do Banimento, dedicou o resto da sua vida ao serviço daqueles que jamais tiveram voz. Num país silenciado e onde “o outro” era nada, incógnita, sem os subsídios que hoje tanto pesam numa crise que se arrasta sem fim, D. Maria Adelaide de Bragança obrou prodígios com aquele saber improvisar que é tão característico da nossa gente. Jamais se espantou com vestidos roçagantes, jóias ou festas e se algumas teve, talvez a derradeira, precisamente aquela que no passado dia 31 de Janeiro comemorou o seu Centenário, tivesse sido a mais feliz. Muito mais que a República que finalmente a ela se dirigiu, foi o reconhecimento de um povo pouco habituado a desinteressados actos de benemerência e dedicação à causa que a todos devia ser comum: a da Pátria, simplesmente sintetizada em Povo.

Não viveu em vão. Esta manhã partiu uma Grande de Portugal.

“A minha fé facilita muito o fim da vida, porque o caminho é claro” (Infanta D. Maria Adelaide)

Uma Grande de Portugal


As mais extraordinárias iniciativas são por vezes desconhecidas da imensa maioria, para quem apenas é notícia aquilo que a imprensa entende divulgar. As obras de assistência social são hoje geralmente aceites como da atribuição desse ente que flutua acima das nossas mortais consciências e que se convenciona denominar como Estado. Esta mirífica entidade do éter, é afinal a soma de todos os portugueses e esta é uma clara verdade que não queremos reconhecer, devido ao muito luso e atávico costume do desinteresse pela coisa pública. Esquecemos facilmente associações beneméritas – algumas velhas de séculos – e que preencheram o imenso vazio que as mentalidades de outrora votavam a dezenas de gerações que permaneceram na desafortunada base da pirâmide social.

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