Sente-se Aqui no meu Colo, Mamã

velhinhaSENTE-SE AQUI NO MEU COLO, MAMÃ

“sente-se aqui no meu colo, mamã, hoje faço anos”

Suavemente assim o fez. Quase não a senti. A minha mamã está tão levezinha, tão sem ser, tão quase nada. Encosto a minha mão, espalmada, na sua cara, sobre a face e a orelha esquerda

“que bom! – disse”

Que bom, pensei enquanto a cabeça da minha mamã se inclinava para o lado da minha mão e ma prendia de encontro ao seu ombro. Já há muito tempo que me não fazia isso

“que bom” – disse eu”

E beijei-a na testa, e encostei a minha testa à dela, e fiz movimentos de carinho com os dedos da minha mão direita. A minha mamã fez mais força com a cabeça, prendendo ainda mais a minha mão de encontro a ela, e sorriu.

Há muito tempo que a não via sorrir, ou falar, ou sequer reagir a um qualquer estímulo que eu lhe desse. A doença tinha-a comido e da minha mamã pouco restava. Qualquer dia nada sobraria mesmo, só a lembrança e a saudade.

“sente-se aqui no meu colo, mamã”

E a minha mamã sentou-se, quase sem que eu a sentisse de tão levezinha que estava. E ali ficamos os dois, um bom bocado, a apreciar o calor que transmitíamos um ao outro.

E eu sorrindo

“até amanhã, mamã”

e ela também com um leve sorriso nos lábios

“até amanhã, meu filho”

(Como Se Fora Um Conto)

 

Imaginem um mundo de suspeitas…

…e todas elas voam, voam, voam e nascidas no alto da montanha vão cair sempre no mesmo regaço. O que se poderá dizer disto? Com tantas variáveis, o vento que pode soprar numa ou noutra direcção com mais ou menos força, as suspeitas que não têm o mesmo tamanho e não têm o mesmo peso, as origens que podem ser diversas, como explicar, que numa hipótese destas a suspeita caia no regaço do mesmo ou no colo de alguem muito próximo?

 

Em termos de probabilidades temo que não haja nenhuma, ou no mínimo, é menor que a vacina da gripe A poder desencadear um mecanismo fatal e, mesmo assim, não se pode culpar a vacina, não só porque ninguem é obrigado a tomá-la mas tambem porque quem a vende está farto de dizer que todos os medicamentos têm efeitos secundários.

 

Então o que verdadeiramente interessa é saber porque raio as suspeitas atingem sempre o mesmo alvo? Põem-se a jeito? Ocupam muitos espaços e muitos interesses? Utilizam o poder que têm para fazer ajustes directos? E contratos onde o risco é todo do Estado? E aspiram a controlar a comunicação social? E controlam a banca? E mentem? E…

 

É que a hipótese, de uma pena, que sai de uma almofada que é esventrada no alto de uma montanha, ir cair no regaço dos mesmos, só se o regaço for muito grande, a dimensão do colo pode melhorar as probabilidades de a pena, sujeita a todas aquelas variáveis, ir cair no mesmo sitio.

 

Uma das técnicas militares é os soldados abrigarem-se nas covas feitas pelos morteiros, é quase certo que mais nenhum morteiro lá vai cair. E porquê? Porque é quase impossível  disparar outro morteiro nas mesmas condições!

 

Porque é que Sócrates, os amigos e os familiares fogem a estas regras tão simples? Esse é que é o problema!