Os ladrões e as medalhas

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Nesta eira de contestação onde se malham as desilusões dum povo, a impugnação passou a ser o único móbil da sociedade portuguesa.

Contestam os muito ricos porque serão sempre muito ricos. Que chatice! Contestam os simplesmente ricos porque continuarão simplesmente ricos. Que merda! Contesta a classe média porque querem acabar – ou já acabaram – com ela. Que país! Contestam os pobres porque serão cada vez mais pobres. Que lástima! Contestam os jovens porque não têm futuro.  Que miséria! Contestam os de meia-idade porque o passado está a esfumar-se em dívidas, e o futuro não lhes diz como poderão pagá-las.  Que desgraça! Contestam os velhos porque, sem futuro, alguém transformou a sua história numa sucessão de despautérios de fazer vergonha à vergonha de terem cada vez menos para cada vez mais necessidades. Puta de vida que está pela hora da morte! [Read more…]

A crise do sistema e a banalização da violência policial

A ensaísta, superdotada ‘tudóloga’, escrevente aqui, palradora acolá, manifesta-se incomodada. Coitada da criatura está molestada contra jornalistas que considerem que a liberalização das leis laborais, em Espanha ou em Portugal, esteja a suscitar vasta contestação popular; o que, de resto, sucedeu este fim-de-semana em 57 cidades espanholas.

Presumo que ‘a ensaísta’, especializada em tudo e mais alguma coisa, tenha igualmente desenvolvido um complexo modelo matemático e macroeconómico, para sustentar a tese de que despedimentos mais fáceis e económicos, bem como relações de trabalho mais precárias, constituem factores criadores e multiplicadores de desenvolvimento e emprego.

Recusa-se a entender que, na Europa, os sistemas económico e financeiro estão em aguda crise. Não resolúvel através de modelos de austeridade severa, os quais, felizmente para ela, lhe passam ao lado.

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ARGÉLIA, a luta difícil contra a repressão

“Lembro-me”, canto de lamento de IDIR (Hamid Cheriet)

Tenho tido notícias da Argélia. Imolações de jovens, tentadas ou concretizadas, e manifestações populares contra o duro regime presidido por Abdelaziz Bouteflika. Figura de sinuosa carreira que, ao arrepio de promessas eleitorais, criou invulgares estruturas militares e policiais de repressão. Uma vez mais, segundo a imprensa nacional e estrangeira e conquanto a contestação na Praça 1.º de Maio, em Argel, se tenha limitado a reunir 2.000 manifestantes, foram arregimentados múltiplos batalhões anti-motim. O ‘El País’ e o ‘Le Monde’ referem cerca de 30.000 efectivos de forças de segurança. Com sofisticados dispositivos e equipamentos,  logo pela manhã,  ocupavam diversos pontos estratégicos, no controlo da capital argelina. [Read more…]