Enquanto…

Foto: Ana Moreno

Antes assim fosse….

Um bom 2o16!

 

Peca por tardio, mas o que vale é a intenção.

Já estou na fila

vez

para ser ouvido.

Está feito

Até nunca.

Um Governo do lado do povo

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Le peuple des pauvres (JF Favre 2008)

Não creio estar a exagerar se disser que os últimos quatro anos foram os piores de todos desde que sou portuguesa. Piores para o povo, que vi fenecer, entristecer, partir, ser privado dos seus direitos humanos e constitucionais, destruído nos seus mais legítimos anseios, numa devastação que não julgava possível à acção política em democracia no decurso de uma só legislatura.

Incontáveis vezes escrevi sobre nós, meu povo, atingido por essa política com inaudita agressividade e revoltante indiferença por parte dos governantes. Escrevi sobre suicídios, sobre a desolação que passou a ser o cenário de todas as ruas de Portugal, sobre a indignação que bem vi a crescer-te no peito, sobre os mais pobres dos pobres, sobre o desinvestimento público na Educação, sobre a desigualdade na Europa, sobre as divisões da esquerda, também. Escrevi uma peça de teatro chamada Partir. Escrevi muito sobre a Europa. Traduzi o livro de Thomas Piketty sobre a desigualdade O capital no século XXI. E, tal como comecei a dizer em 2013, António Costa is the man. Acompanhado por outros homens e mulheres que finalmente compreenderam a que ponto era urgente começar a reverter a destruição. [Read more…]

Fanatismo (em Canelas) é um erro

Constituição da República, artigo 41º

Ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa das suas convicções ou prática religiosa.

Já quase tudo foi dito e escrito sobre o Padre de Canelas. Não me parece que possa, apesar de conhecer a história muito de perto, acrescentar algo ao que já se escreveu. Não posso, no entanto, deixar passar em branco um dos últimos acontecimentos desta novela.

Canelas é uma freguesia localizada no centro do concelho de Vila Nova de Gaia, encostada ao L formado pela A29 com a A1. Com menos de catorze mil habitantes e qualquer coisa como cinco mil famílias, que tradicionalmente votam maioritariamente no Partido Socialista, é uma localidade que está algures entre a vertigem do urbano e a melancolia do passado marcadamente rural. Não encontro qualquer marca que a torne diferente de muitas outras terras deste país, isto é, não consigo identificar nenhuma marca social que explique, por antecipação, todos estes acontecimentos.

Não tenho opinião sobre os motivos dos que querem a manutenção do Padre, ou antes, tendo, ela é completamente irrelevante porque não faço parte do grupo que frequenta a igreja.

Na penúltima noite do ano reuniu a Assembleia de Freguesia de Canelas para a sua última sessão de 2014. A organização que tem dado corpo à luta pela manutenção do Padre esteve presente em peso na reunião, tendo, inclusive, vários dos seus membros intervindo no período destinado ao público. Tudo na mais perfeitas das normalidades, não fossem as palmas, que julgo não são parte habitual nestas Assembleias. [Read more…]

Sim, sim…

Scolari lembra que Portugal no Euro 2004 começou a perder e chegou à final

Sim, sim, eu lembro-me .

Aliás, começou a perder e acabou a perder, e com os mesmos.

Lá nisso, honra lhe seja feita…

Não há pachorra para tanto ópio do povo.

Cristiano Ronaldo: pelo teu país

Pelo TEU povo, Recusa receber esta condecoração.

(carta aberta disponível no facebook) [Read more…]

Manobras de Maio

Viver aqui, no litoral próspero de outros tempos, significa não ter tradição de lutas nem manifestações. Isso era coisa da Marinha Grande, nos mesmos tempos. Aqui não há registos de desfiles de Abril e as comemorações do 1º de Maio em Leiria são há muitos anos participadas pelos mesmos, nem muitos nem poucos, assim-assim, a reboque dos sindicalistas resistentes. E foi por isso que as manifestações de Setembro e Março assumiram tamanha importância, também. Vive aqui a mesma gente, do mesmo país, afinal. Coabitam o mesmo espaço que os empreendedores (ah, os empreendedores!), os empresários, os patrões, num distrito a que Feliciano Barreiras Duarte (o secretário de Estado que emergiu publicamente da luta das portagens no oeste, nos anos 90) caracterizou em livro como “um gigante económico, mas um anão político”.  [Read more…]

Os ladrões e as medalhas

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Nesta eira de contestação onde se malham as desilusões dum povo, a impugnação passou a ser o único móbil da sociedade portuguesa.

Contestam os muito ricos porque serão sempre muito ricos. Que chatice! Contestam os simplesmente ricos porque continuarão simplesmente ricos. Que merda! Contesta a classe média porque querem acabar – ou já acabaram – com ela. Que país! Contestam os pobres porque serão cada vez mais pobres. Que lástima! Contestam os jovens porque não têm futuro.  Que miséria! Contestam os de meia-idade porque o passado está a esfumar-se em dívidas, e o futuro não lhes diz como poderão pagá-las.  Que desgraça! Contestam os velhos porque, sem futuro, alguém transformou a sua história numa sucessão de despautérios de fazer vergonha à vergonha de terem cada vez menos para cada vez mais necessidades. Puta de vida que está pela hora da morte! [Read more…]

Pedro Passos Caralho Não Acorda

Ontem, pela milésima vez diante da TV para assistir a mais um debate parlamentar, percebi como somos patetas nas francas expectativas colocadas em cada megamanifestação pacífica, repleta de insultos e pedidos de demissão que não mordem, cartazes-desabafos a vermelho contra a traição dos políticos e o terror pela miséria semeada já sentida ou iminente.

Para mudar algo, prioridades, acentos, sensibilidades governativas internas e globais externas, nem que fosse o discurso seco de um Primeiro-Ministro, remetido ao seu etéreo assento de estrelas cristalino, para qualquer coisa de mais afinado com o que sofremos, teríamos de ocupar a rua dias consecutivos, pacificamente, se conseguíssemos, ou suicidar-nos em massa, ou organizar-nos meticulosamente, descobrindo uma unidade semelhante à dos dedos de uma mão. Mas percebi sobretudo como é completamente tonto quer o que um Passos Caralho desta vida tenha a dizer quanto a isso quer o que um verdadeiro paneleiro político como Sócrates disse alguma vez em circunstâncias muito semelhantes. É que nisso são iguais. Lidam connosco, apesar de nós, e tal é imperdoável. Os mundos da rua e da decisão política, sobretudo no pico desta crise cega, mostram-se irredutíveis e não deveria ser assim. Ouvir não quer dizer ceder. Sentir com empatia a dor e a impaciência das massas não leva necessariamente à kryptonite de converter em hesitante e fraca a decisão resoluta do decisor. [Read more…]

M2strado do Relvas

Estão a ver como foi possível conseguir um M2strado ainda mais depressa do que a Licenciatura?

Acho que foi em Comunicação Social…

Português Suave

Palpita-me que o cerco ao Coelho está a aumentar…

Amanhã, às 15h

Para memória futura ficam as declarações de Nuno Crato:

“O Governo não está a discutir, o Ministério não está a discutir qualquer aumento do horário de Professores e muito menos de 35 para 40 horas. Isso não está em causa” (…) “Eu posso dar essas garantias para que as pessoas estejam tranquilas em relação a isso”

 

Estou tão tranquilo que amanhã, sábado, dia 16 de fevereiro volto à rua!

Silenciar a tua tia!

Será que ouvi bem? Esta gentinha laranja é mesmo arrogante

Nota: o ar de  ABRIL que passou pelo Parlamento foi da responsabilidade do Movimento “Que se lixe a TROIKA” e foi uma forma de apelar à participação nas manifestações previstas para amanhã, 16 de fevereiro e para o dia 2 de março.

Gestação

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Le peuple des pauvres (JF Favre 2008)

Algo novo cresce, posso senti-lo – outro mundo, os filósofos dizem-nos grávidos dele. Apesar disso, em Portugal ainda não se acabaram os ecos sobre a brandura nacional, que a ser verdade percorreria as veias do sangue do povo português, fazendo dele a negação daquela “brava gente” afinal frouxa, que come pouco e cala muito, e se não está bem muda-se lá para fora, por onde de qualquer modo está habituada a andar. Abstêm-se? É porque não merecem mais do que o país que têm. Baixam a bola e entregam os pontos? É porque são cobardes, medrosos, habituados a ser subjugados e a uma vida de revolta – já nem saberiam viver doutra forma.  Não querem saber? É porque são burros que nem portas, unidades absortas da manada, gente nascida para ser dirigida, que ainda não largou o século XIX. [Read more…]

Quem tem medo dos movimentos sociais?

Excelente vídeo do Ministério da Verdade. O medo que esta gente tem do povo à solta nas ruas é cá uma coisa…

Zé Povinho na guilhotina e a fórmula do capital

guilhotina com cestoPENSAMENTO DO DIA EM 1867!

Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar
bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até
que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à
falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado

Karl Marx, in Das Kapital, 1867

 

Não é por acaso que coloco a citação de Marx ao começo do texto. O endividamento do povo poe causa das políticas de austeridade do governo de Portugal, não têm remédio, excluindo esse de juntar famílias na mesma casa. Como diz Marx, o endividamento do povo, vai conduzir a política do governo, a gastar mais dinheiro estatizando bancos que entram em falência, pela incapacidade do povo de pagar dívidas. [Read more…]

O devir histórico (7)

Continuando.

Existe um perigoso sentimento que tem atravessado séculos da nossa história. Com maior acuidade e gravidade durante o Século XX até aos dias de hoje. De maior acuidade e gravidade, porque foi durante o Século XX, até aos dias de hoje, que se consolidaram as ideias e os conceitos de justiça, de cidadania e de dignidade da pessoa humana. Esse perigoso sentimento é o da impunidade. Mercê de razões conjuncturais díspares, a verdade é que desde o regicídio, passando pelos hediondos crimes de tortura e de sangue do Estado Novo, até às delapidações da riqueza nacional e do fomento do fatal endividamento que se sucederam em plena democracia, existiu um fio condutor: impunidade. Tal sentimento é dos mais desgastantes e corrosivos para a moral de um povo. Porquanto enraíza sentimentos contrários aos da ética e da responsabilidade. Ao ponto de se desvalorizar a seriedade e aplaudir-se a audácia. De se descredibilizar a inteligência e de se louvar a esperteza. Bom, não é ser-se sério e inteligente. Bom, é ser-se vencedor, não importa como. É ter sucesso. E, assim, a mentira entrou nas nossas vidas, nas nossas, casas, nos nossos projectos. A mentira para conquistar votos, para se chegar ao poder, para se conseguir o que se quer sem esforço ou mérito. E, assim, se afastou o mérito das nossas profissões, das nossas escolas e dos nossos desejos. O mérito não abre portas. A mentira, abre. Pelo menos o tempo suficiente para se alcançar outra porta. Porque este é o resultado natural de sucessivos episódios de se ver que quem roubou, mentiu ou matou ficou impune. Todos, eles, notórios casos de impunidade. Sim, notórios. Não é o roubo de esquina, a morte passional ou a pequena burla. É a impunidade dos crimes nas esferas das elites. Aquela que descredibiliza a Justiça, aos olhos do povo, porque firma duas Justiças: para pobres e para ricos. Algo que, só por si, é inadmissível. A que é, também, a pior impunidade de todas, porque inquina a hierarquia do exemplo, porque o exemplo que vem de cima, é o pior. E pior, ainda, quando contraditoriamente acompanhada de retórica evocativa de princípios éticos, de respeito, de direitos e de morais. Pior, porque o mau exemplo conspurca os valores apregoados. Pois que pior destino se pode dar a ideais e conceitos éticos, do que prostituí-los ao serviço dos seus antípodas?

O devir histórico (6)

Continuando.

Uma sociedade politicamente organizada, é tanto mais democrática, quanto for a proximidade da população aos centros de decisão política e judicial, ao conhecimento e à cultura. Quanto maior for o afastamento, menos democrática a sociedade se torna. Espelho disso, são as ditaduras em que se afasta liminarmente o povo dos centros de decisão política. Desde logo, não permitindo que se possa escolher os representantes nas instituições políticas. Todavia, uma sociedade organizada com base dum modelo democrático, pode, ela mesmo, afastar-se da própria democracia. Exactamente na mesma medida em que as instituições se afastam do povo. Do que resulta que o tradicional centralismo de decisão, que impera há séculos no nosso país, e que nem o municipalismo conseguiu, verdadeiramente, contrariar, leva a que haja um défice democrático, ainda que em plena democracia. Ou seja, que a democracia se manifeste mais em sentido formal, do que, propriamente em sentido material. Centralismo a que o povo, na sua ancestral sabedoria, soube sintetizar, há muito, no adágio “Portugal é Lisboa e o resto é Paisagem”. Sim, a lógica de “Capital do Império” subsiste. E, curiosamente, vem mais ao de cima quando as dificuldades apertam. Como no Estado Novo, com a centralização do poder político à reverencial mão de um salvador da pátria, à custa da supressão das liberdades individuais. Tudo para que um então Ministro das Finanças pusesse as contas do país em ordem. E, depois, para que já o Presidente do Conselho de Ministros pusesse na ordem todo o país. Para que, logo a seguir, pusesse na ordem quem não concordasse. E nessa ancestral tendência de se centralizar o poder em momentos de maior aperto, lá vamos seguindo o nosso curso. Hoje, o poder encontra-se evidentemente centralizado em Lisboa. E, pior, agravam-se as assimetrias e vilipendia-se a democracia material, afastando as populações daquilo que são instituições fundamentais da própria democracia. Como é o caso da Justiça, tal como prevê o actual projecto de Mapa Judiciário, onde se extingue tribunais à luz de interesses meramente económicos. Não havendo maior retrocesso civilizacional do que afastar a Justiça do povo. Mais, ainda, em tempos de dificuldades, de populações empobrecidas e já isoladas por sucessivos êxodos resultantes de políticas desastrosas. E, no entanto, é isso mesmo que está na calha. Ora, recalcando-se, assim, os mesmos maus trilhos doutrora, não pode ser mera coincidência.

A boa ordem

“Nos exércitos, marinhas, cidades, ou famílias, na própria natureza, nada relaxa mais a boa ordem do que a miséria”.

Disse-o Herman Melville, na sua novela mal-amada, Benito Cereno, aquela em que se conta a história de um navio negreiro amotinado.

Reforçam-se as grades, multiplicam-se as câmaras de vigilância, recompensam-se as forças de segurança, silencia-se ou compra-se a imprensa, intimidam-se as vozes ainda livres, rectificam-se as leis, agudizam-se as penas. Mas nada trava o caos porque a boa ordem vai-se relaxando na exacta medida em que a miséria alastra.

Por esta altura, seria de esperar que a lição já tivesse sido aprendida: é a justiça social, e não a repressão, a única força capaz de apaziguar a indignação de um povo.

O devir histórico (4)

Continuando.

A lógica da política palaciana, do clientelismo, tomou conta dos partidos políticos desde os primeiros passos do parlamentarismo, enraizando-se com a República, e bolorizando com o Estado Novo. E, infelizmente, a Revolução de Abril nada fez nesta matéria. Aliás, o clientelismo e as lógicas de interesses absolutamente estranhos ao interesse nacional, adquiriram elevados graus de sofisticação em plena democracia. Ao ponto de termos uma classe política cada vez mais descredibilizada. Não sendo estranho, por isso, que as manifestações populares de descontentamento agreguem mais gente não quando são convocadas pelos partidos políticos ou por centrais sindicais, mas sim pelas redes sociais. Por entre radicalizados discursos do “não pagamos” e “que se lixe a troika” e outros tantos que, alucinadamente, fazem da austeridade a solução e o ponto de partida para o crescimento económico, vai-se percebendo que a verdade estará algures no meio onde ainda nenhum partido foi nem será capaz de chegar. E não irá chegar porque há muito que a luta partidária, perdeu o interesse nacional como sua referência. Seja por dogmatismo ideológico ou por capitulação a interesses privados. A verbalização do combate político entre partidos, soa cada vez mais estranha aos ouvidos do povo, porque se reconduzem, sempre e tanto, à lógica da conquista do poder. O que nos deixa apenas a cidadania como solução. E para isso as instituições de representação política têm de se abrir ao cidadão, e libertarem-se do monopólio partidário. Da mesma forma que se deverá assegurar que quem lá está, prossegue o interesse público e não qualquer outro. Desde logo é tempo de alterar o regime electivo e funcional do Parlamento, permitindo candidaturas independentes, e obrigando à absoluta exclusividade dos deputados, não se podendo estar com um pé a defender o interesse público, e outro pé a defender interesses privados em actividades paralelas. Acabar com assessorias, motoristas e demais mordomias. Aproximar os representantes políticos, das condições reais em que os representados vivem. É urgente acabar com o monopólio dos partidos políticos. É urgente abrir a política à cidadania, a candidaturas independentes. Talvez a “ concorrência” sirva para trazer os partidos de volta ao povo. Ao fim de tanto tempo, já vai sendo hora.

O devir histórico (2)

Continuando.

Quanto se aborda numa perspectiva histórica, não importa se mais ou menos recente, qualquer facto com relevância, existe uma perenidade assertiva na alternância entre o “eu” ou o “nós” e o “eles”. Veja-se a dicotomia entre a vitória e a derrota. A vitória dá gosto partilhar, mas a derrota não. A tradicional diferença entre o “nós ganhamos” e o “eles perderam”, como é o caso, por exemplo, dos adeptos de um clube de futebol. Ou o clássico estado civil da culpa, pois que ninguém a quer por companheira. Da mesma forma que olhando para o passado glorioso do nosso país, não faltam razões para se afirmar que fomos grandes, fomos valentes, intrépidos, etc. Já quando o passado é inglório, o “eles” vem ao de cima. E isto vale para o passado distante, como para o passado recente. Assim, critica-se o ponto a que o país chegou – e repare-se que a própria ideia de “país” é, intrinsecamente, de um todo: território, povo, cultura, organização política, etc. -, sendo que, ao mesmo tempo, se apontam dedos acusadores de modo a não se ficar sequer tangido por esse todo do qual fazemos parte. Também, esta, é uma tradição recorrente. Principalmente quando as coisas correm mal. O facto é que um povo quando elege democraticamente por maioria os seus governantes, faz uma escolha. Podemos, individualmente, não concordar. Mas é inelutável que resulta de uma escolha popular, de uma expressão do povo. Porque é essa a essência da democracia: o poder do povo materializado nas escolhas que faz por maioria. Por isso, se um país chega ao ponto a que chegou o nosso, num regime democrático, não há como negar que a culpa é das escolhas que o povo fez. Se, individualmente, concordamos ou não com as escolhas da maioria, é questão diversa. “Nós”, enquanto povo, temos responsabilidades. Embora se possa sempre abdicar do preço da democracia – ter de aceitar as escolhas da maioria – e escolher alguém que decida por “nós”. Também já tivemos disso e não vai há muito tempo. É mais cómodo, dá menos trabalho, e podemos exercitar a toda a força o “eu” que existe em todos “nós”, e invocar o “nós” de que cada “eu” faz parte.

O devir histórico (1)

A premissa de que o mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio duas vezes, é um pilar da tese do devir, fundada por Heráclito. Contudo, um povo pode repetir os mesmos erros ao longo da sua existência. Esse outro devir, o histórico, a repetição dos erros por banda do mesmo povo, consubstancia-se no exemplo português. E um povo não será, na sua essência, o mesmo, pois que o tempo tudo muda e um povo não sairá da regra. Ou talvez saia. Talvez um povo se mantenha igual a si mesmo e seja essa perenidade a sua razão última para existir. Talvez. Sei é que o mesmo erro tem sido repetido ao longo dos séculos. Desde o mercado das Índias, que nos obrigava a comprar fora o que se dava à troca para trazer e comercializar as especiarias na Europa, levava a que a diferença de preço esmagasse as nossas margens de lucro, e enchesse os bolsos de outros. E mesmo assim, não se deixou de esbanjar. Da mesma forma que, séculos depois, foram os alemães e os italianos que tanto ganharam com os fundos comunitários, pela compulsiva aquisição, por banda de sempre honrada gente, de Ferraris, Porsches, Mercedes e outras máquinas que não eram, infelizmente, nem teares nem cubas de inox. Neste devir histórico de se esbanjar quando há até que nada haja, existe também um perigo que se pode repetir: a tentação de se abdicar da democracia, para que haja alguém que endireite as coisas, ponha as contas em ordem e meta o país nos eixos. Também já tivemos isso antes. Não vai há muito. Querem ter outra vez?

14N: Agora é a hora!

Para uma parte significativa do nosso povo Portugal tem que pagar o que deve. E ponto.

Existem, depois, dois grupos, minoritários que têm vindo a fazer opinião:

– para o PSD e seus boys existe um caminho para ser percorrido e que está, ainda, a começar: tornar privado tudo o que possa dar algum tipo de lucro, ou seja, depenar o país de qualquer tipo de possibilidade de se safar. Eles dizem que Nós (o país!) temos que pagar porque esse é um negócio que lhes interessa, e muito!

– para o BE, para o PCP, para uma parte cada vez mais significativa do PS e, claro, para um conjunto cada vez mais amplo de pessoas, independentes e livres, da esquerda à direita, está hoje mais claro o caminho que isto está a levar. Já perceberam qual é a agenda que está em cima da mesa. Já compreenderam o que querem os boys de serviço. Continuam,  no entanto, sem apontar um caminho, sem dizer ” é por ali!”

Hoje, Silva Peneda, aponta um caminho: negociar e já!

Defendo essa exigência! É impossível continuar a pagar, quer os juros, quer a comissão à TROIKA, sem que isso signifique o fim do país.

Confesso que continuo a ter algumas dúvidas sobre o papel do CDS e de uma parte do PS que tendo percebido o que está em causa, continuam a vacilar entre o futuro do país e o futuro das respectivas carteiras – está também visto o que vão escolher quando tiverem que optar.

Neste quadro, meio estranho, onde os políticos se revelam incompetentes para resolver, tem que haver uma resposta das pessoas reais – de mim, de ti, de cada um de nós!

É um momento único este que vai ser vivido na próxima 4ª feira!

Uma EUROPA inteira a lutar!

Este é o caminho e poderá, desta unidade dos povos, das pessoas que trabalham, sair alguma coisa bem positiva.

Dia 14 participo na GREVE GERAL! E tu?

Frase de marear

O DN tinha ontem esta frase de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), um dos meus autores mais queridos:

Se mandar o seu povo atirar-se ao mar, ele fará uma revolução.

Quantas revoluções deixámos de fazer…

Constituição islandesa feita pelos cidadãos

Salta-me à vista esta notícia, «vinda» da Islândia: “A futura Constituição islandesa poderá ser a primeira no mundo a incluir propostas redigidas por cidadãos (…) 25 pessoas de diferentes áreas eleitas em 2010 e que ao longo de 2011 pediram ideias a todos os islandeses através da Internet, obtendo 3600 comentários e 370 sugestões. (…)  As reivindicações para a que a nova Constituição fosse redigida por cidadãos seguem-se à crise de 2008, quando o sistema bancário do país entrou em colapso.”

O povo a escrever a sua Constituição!

Que se copiem os bons exemplos. Será que conseguimos? Eu acredito que sim!

(Não estará na altura certa?)

E por falar na Islândia… Sabia que o desemprego neste país desceu de 12%, em maio de 2010, para os 5%, em setembro deste ano?

Eles estão a trabalhar bem!

O povo não tem medo…

Espantalho+Passos+Coelho.jpg

A manifestação de ontem no Terreiro do Paço, essas mais de cem mil pessoas que se juntaram para manifestar o seu desagrado pelo governo que pretende representar a nossa soberania, prestes a servir a soberania dos poucos ricos do país, entre eles o PM, perdeu o medo e até os guardas da ordem se manifestaram. Todos anunciaram essa revolta civil para outubro, que faz cair ao pretendido governo. Não vi ninguém que não fizer mofa dos soberanos aldrabões. Ou o penduramos e corremos com eles, ou lentamente vamos morrendo de fome e de injustiça.

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De todos! Mesmo de TODOS!

Claro que a Manif de sábado é de TODOS os portugueses, pelo menos dos que trabalham ou dos que querem e não conseguem trabalho. O 15.S foi o primeiro de muitos dias  – será um marco na história Portuguesa – e descansem os mais sossegados boys de serviço – ninguém se vai calar com a TSU porque quem esteve na rua está tão interessado na TSU como noutra forma de roubo qualquer! O ponto é este amiguinhos laranjinhas: não queremos continuar a ser roubados! Basta! Há outro caminho e já muita gente o diz. Por isso, Sábado, voltamos à rua. E tu? Queres transporte para Lisboa no Sábado? Anda daí!

O Soberano

Quando um dia, de modo sério e limpo, se escrever a história deste ano de 2012 na República Portuguesa,as datas de 15 e 21 de Setembro merecerão estudo aprofundado.
A 15 foi a manifestação nacional da dignidade ferida, do orgulho nacional insultado, do direito espezinhado, da vida destruída, do grito por dar dos que foram esbulhados do que legitimamente lhes pertencia, da impotência face a uma justiça que deixa à solta gatunos e corruptos(chegando ao desvario de negar a sua existência), do imenso nojo pela partidocracia instalada, da indignação pelas seitas secretas e criminosas que estendem os tentáculos venenosos por toda a parte, da imensa raiva contida (por enquanto). [Read more…]

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