Tenho tido notícias da Argélia. Imolações de jovens, tentadas ou concretizadas, e manifestações populares contra o duro regime presidido por Abdelaziz Bouteflika. Figura de sinuosa carreira que, ao arrepio de promessas eleitorais, criou invulgares estruturas militares e policiais de repressão. Uma vez mais, segundo a imprensa nacional e estrangeira e conquanto a contestação na Praça 1.º de Maio, em Argel, se tenha limitado a reunir 2.000 manifestantes, foram arregimentados múltiplos batalhões anti-motim. O ‘El País’ e o ‘Le Monde’ referem cerca de 30.000 efectivos de forças de segurança. Com sofisticados dispositivos e equipamentos, logo pela manhã, ocupavam diversos pontos estratégicos, no controlo da capital argelina.
Com as brutais forças disponíveis, dificilmente haverá condições para um nível de participação popular equivalente a um décimo ou menos do que se verificou no Cairo. Diariamente, de manhã à noite, o ambiente que se respira em Argel, Orão ou outra qualquer cidade argelina é de tensão e medo. Naquela atmosfera de asfixiante terror, que vivi frequentemente durante alguns anos, torna-se demasiado complexo despoletar uma grande mobilização, pela via das redes sociais. Os meios à disposição dos aparelhos de repressão incluem infra-estruturas tecnológicas adequadas ao controlo destas redes.
Na hora que passa, lembro diversos amigos argelinos, em particular o fraternal Younes. Um dia, viajámos até Sour el-Ghozlane. A certa altura, Younes anunciou que me iria surpreender. E cumpriu. Na localidade de Bougie, mostrou-me o prédio onde havia vivido o 7.º Presidente da República portuguesa, Manuel Teixeira Gomes. Li a lápide com emoção. “Estejas onde estiveres, Younes, é em tua homenagem e do teu povo que publico uma canção de Idir, tal como tu, natural da Cabília“.
Por último, declaro acreditar que, um dia, o povo argelino conhecerá finalmente a libertação, da férrea e corrupta autocracia a que está submetido.


Veio a ser desmentido que se trata de Catarina Martins. O jornalismo português cada vez é menos levado a sério por culpa própria.

Carlos,
Fiz link de mais este seu excelente post.
Obrigado.
Um grande abraço amigo.
Ana Paula,
Obrigado pela generosidade.
Um abraço de amizade.