Otários de esquerda

pata na poça

Entenderam os líderes dos partidos de esquerda que o Observador é um jornal online de direita mas um jornal como os outros e concederam-lhe entrevistas.

O Observador é um projecto político, e não sei se projecto será a palavra mais correcta, pago por multimilionários para substituir o que não têm coragem para fazer, fundar um partido e concorrer às eleições. Os manuais do neo-liberalismo explicam porquê.

Tem de caminho a função de fazer umas transferências bancárias para alguns opinadores da extrema-direita, gente que mete sempre o bolso à frente das causas, e contratou alguns jornalistas para disfarçar a sua verdadeira função.

Passa pela cabeça de alguém que Jerónimo de Sousa dê uma entrevista ao Povo Livre ou que Catarina Martins preste declarações ao Portugal Socialista? Pela de ambos pelos vistos passou. O resultado está à vista, não só no branqueamento que emprestaram ao pasquim, como numa fantástica peça intitulada “O que distingue as nossas esquerdas?“, onde à cabeça Catarina aparece como não querendo o poder e depois se vão “extraindo pistas” e manipulando as afirmações que proferiram, deixando um retrato da esquerda portuguesa pintado pela direita. Uma festa, e de borla.

Que os dirigentes partidários não leiam blogues, e não tenham percebido o que é o Observador, já sabia, agora que ninguém os tenha avisado, isso estranho. Fica a originalidade: como as esquerdas portuguesas meteram a pata na poça. Agora sacudam a lama.

Uma noite nos noticiários

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É espantosa a lata de alguns comentadores e jornalistas. Garantem que a questão das presidenciais é prematura, mas deleitam-se em especulações, por vezes, delirantes, sobre o tema. A apresentação de Sampaio da Nóvoa, sobretudo, parece provocar-lhes uma certa urticária mental. Por uma lado, não se calam com o facto do candidato ser desconhecido. Por outro, acusam-no de apresentar a candidatura prematuramente com o objectivo – natural, digo eu – de se dar a conhecer a si e às suas propostas. Em que ficamos?
E já agora: não têm nada a dizer sobre umas eleições legislativas que por aí vêm? Ou estão felizes com a forma absolutamente canalha com que todos – sublinho: todos! – os canais de televisão e jornais vão, com a vossa ajuda, embalando os vossos concidadãos? Talvez seja muito esforço para as vossas cabeças – por receio de cansá-las ou, até, perdê-las – confrontar as muitas iniciativas e propostas que os vários partidos vão apresentando; e quando falo em vários partidos, gostava de sublinhar aqueles que existem para além dos do governo (conhecem?), com ideias muito diferentes, imaginem, daquela verborreia entre o imbecil e o terrorista com que os governopatas nos vai brindando (em que o esbulho de seiscentos milhões aos pensionistas, anunciado pela Maria Luís, é compensado com o patriótico orgulho de, quiçá por decisão governamental, termos a onda mais alta do mundo surfada por, ao que parece, Paulo Portas)?
Segundo li, a ciência mostra que – desculpem a dureza do exemplo – se colocarmos certos animais – uma rã, por exemplo – em água a ferver, o animal reage e faz uma tentativa desesperada para sair da armadilha. Mas se colocarmos o animal em água fria e aquecermos a água lentamente, o infeliz nela permanecerá, placidamente, até morrer.
Então, prezados concidadãos? Não estais a sentir-vos ligeiramente cozidos?
(foto de Uma Noite na Ópera, dos irmãos Marx)

BES providencial

A procissão do BES ainda vai no adro e já as intenções de voto no PSD+CDS sobem, enquanto Passos reafirma a «desnecessidade» do Governo em resgatar o Grupo Espírito Santo.