PAI

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Vida fora tu correste

Passo lento, certo, seguro

Nunca foste uma alma errante

Eras fácil de encontrar

E agora que já morreste

De ti digo e asseguro

Nem todo o bom mareante

Se encontra no alto mar

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Agora, és rio, és calma

Nada te fere ou ofende

Já não tens frio

É branca e pura

A brisa que afaga a tua alma

E te acaricia com doçura

Transparente

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Já nada nos separa

Aguarda por mim

Tranquilamente

És eterno

Eu estou só de passagem

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Vou ter contigo

Repara

E nesse dia, por fim

Espera por mim

E, enquanto o relógio não pára

Guarda-me um lugar para a viagem

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De Tanto Olhar

De tanto olhar

Tanto olhar

Olhos perdidos

Na lonjura das águas

Vejo-me nos tempos idos

E recordo as minhas mágoas

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De tanto olhar

Tanto olhar

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(Poema e fotografia da exposição “Água e Palavras”)

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Poesia – Não Tenho Princípio Nem Fim

Não tenho princípio nem fim

Não principio nem acabo

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Sou o rumor das pétalas a abrir

Sou o grito das cores berrantes

O vestígio de beijos a florir

A noite a cair em instantes

Sou o sangue a correr em mim

Sou vida e morte por um bocado

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Sou o som da semente a nascer

Sou o que sou, de minha autoria

Volto amanhã se hoje morrer

Sou o rumor do nascer do dia

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Não tenho princípio nem fim

Não principio nem acabo

Anseio por ser eterno,

Ao fim e ao cabo.

Poesia – Vem Por Aqui

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Vem por aqui

Desenhar meus pés

E derrubar obstáculos

Vem para aqui

Apreciar as marés

E curar meus cansaços

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Vem amar o longe

A minha loucura

A minha ironia

E o mundo a que subi

Faz de mim um monge

Deseja-me

Como à fruta madura

Enche-me de amor e sabedoria

Vem comigo

Não vás por aí

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Rio Minho

Agora és rio, és calma

Nada te …

De ti digo e …

Nem todo o bem mareante

Se encontra no alto mar!

(jfvm, Pai, In Fases da Lua)