O Judas é imortal

Em plena época Pascal, fui parar a um reino onde se faz justiça pelas próprias mãos. Descobri que Judas, o fulano, talvez gay e seguramente traidor (um dos cartazes que não fotografei dizia que ele traiu Cristo e gostou) é um ser muito mau carácter que comete crimes hediondos: tira a sopa aos habitantes do reino, é corrupto e deixa o seu país de luto, provocando graves danos no bolso de todos, não pede factura (ficando, assim, impedido de ganhar um Audi que o magnânimo primeiro-ministro do reino tanto quer oferecer aos habitantes, para além de contribuir para a economia paralela), usa luvas brancas, certamente para executar os seus roubos sem deixar impressões digitais, e isto apenas para citar alguns dos seus crimes. A juntar a isto, parece que Judas não prima pela beleza física, pois é detentor de umas enormes orelhas de coelho e imagino-o um gordo visto que nem cabe no Portas, ai, perdão, não cabe nas portas. Juntando a tudo isto, Judas é um inculto que nem sequer é capaz de escrever poesia, imagine-se!

Piorando a situação, este energúmeno não contribui para a economia local passando férias no Inatel. Deve ser demasiado importante. Tão importante que nem precisa de emigrar, que isso de emigrar é para o povo e para os reles mortais.

Mas algo de bom este Judas teria que ter. É que enfiado num espeto, ele dá um bom amuleto. Felizmente, como comecei por dizer, foi feita justiça e este ser execrável foi queimado esta noite. Felizmente que na vida real nada disto existe.

Qualquer Cantinho é Bom

Para morrer. No Minho.

Por Terras de Cervaria (V)

Por Terras de Cervaria (IV)

Por Terras de Cervaria (II)

Parque de Lazer do Castelinho

Por Terras de Cervaria (I)

Cerveira (II)

Cerveira (I)

Rio Minho junto à Ponte Internacional (Ponte da Amizade) que liga Cerveira a Goian

Rio Minho

Agora és rio, és calma

Nada te …

De ti digo e …

Nem todo o bem mareante

Se encontra no alto mar!

(jfvm, Pai, In Fases da Lua)

Os pimentos padrón de Goian


Goyán, ou Goian para os galegos, como fazem questão de mostrar nas placas toponímicas, é uma pequena vila fronteiriça, separada de Portugal pelo rio Minho. Do lado de lá da fronteira, fica Vila Nova de Cerveira. Antigamente, a ligação fazia-se através de «ferry-boat», substituído há uns anos por uma ponte construída a norte da vila e junto à freguesia de Lovelhe. Quanto ao «ferry», que ligava as duas margens em dois minutos de muita magia, está transformado num bar sem grande interesse.
Para chegar a Goian, atravessa-se a ponte e vira-se à esquerda, na direcção de A Guarda (La Guardia). Um quilómetro depois, vira-se no primeiro cruzamento e segue-se sempre em frente até ao local onde ancorava o «ferry-boat», junto ao rio. Virando à direita, já a pé, e andando cerca de cem metros, encontramos uma humilde esplanada que só funciona nos meses de Verão. Pedimos uma canha, um prato de pimentos Padrón e começamos a desfrutar da beleza e calmaria do rio Minho e, do lado de lá da fronteira, do panorama magnífico de Vila Nova de Cerveira.
Poucos minutos depois, o olfacto já não engana: o cheiro do azeite a fritar os pimentos, cobertos por uma fina camada de sal grosso, prenuncia algo de delicioso. Devem ser os melhores pimentos Padrón do mundo, porque são comprados no sítio onde são produzidos, Herbon, aldeia vizinha de Padrón, a cerca de cem quilómetros de Goian.
Manda a tradição que os convivas se juntem a comer os pimentitos e que o primeiro que encontrar um picante pague a conta. Porque os pimentos Padrón, diz o povo, «unos pican y otros non». Se forem apanhados no momento certo, é difícil sairem picantes. Se forem pimentos Padrón de Marrocos, comprados no Pingo Doce, já é mais provável… Seja como for, aconselha-se sempre a ter um copo cheio quando se prova o primeiro, se não se quiser ficar com a boca a fumegar. É que quando picam, picam mesmo.
Só existem nos meses de Primavera e Verão, por isso é aproveitar.