A novela do Infarmed

Uma cidade faz-se e cresce a partir da força das suas instituições e da massa crítica que consegue gerar. Essa massa crítica resulta não apenas do grau de consciência cívica dos seus cidadãos e do modo como estão prontos a colocá-la ao serviço da cidade, mas também do seu lastro histórico, ou seja, de como e em que medida essa massa crítica foi construindo Cultura (Civilização) aos longo dos anos e dos séculos, sedimentando-a num corpo colectivo e identitário chamado Cidade. Uma Cidade não é um lugar onde vão muitos turistas que pagam para se divertir. Isso é um bordel.

Vem isto a propósito da inaceitável instrumentalização de importantes instituições do país, a que se assistiu na novela da putativa transferência do Infarmed para o Porto, já antes agravada por uma brincadeira eleitoral que teve como epicentro a Agência Europeia do Medicamento e uma “candidatura” vergonhosa, feita numa capela, que colocou em causa não apenas a credibilidade do Porto, mas a de Portugal como um todo.

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Tratar o cancro

Ainda todos nos lembramos da discussão sobre as maternidades, que o Prof .Correia de Campos queria fechar e concentrar os meios técnicos e humanos, num menor número de unidades com vista à excelência.

Começou aí a cair um dos homens que mais sabe de Política de Saúde em Portugal, e que toda a vida se preparou para a Gestão da Saúde Pública.

O argumento, contra utilizado até à nausea, é que as crianças passariam a nascer nas ambulâncias por não se chegar a tempo aos hospitais.

O número mínimo de partos para que uma maternidade ofereça serviços de qualidade seria de 1 200/ano. Há muitas unidades que nem chegam a metade e, é óbvio que quando os casos são mesmo sérios acabam nas tais unidades que têm serviços de excelência. Estejam ou não longe!

Agora vamos ver como é que os nossos políticos vão tratar este assunto do tratamento do cancro. As capacidades e especialidades médicas envolvidas são de tal ordem, em termos de quantidade e qualidade, que dificilmente o argumento poderá ser o mesmo. A tentação é seguir as vozes que se vão fazer ouvir das populações e dos profissionais que poderão ser afectados. Mas aqui o que importa é a excelência do tratamento, e não é uma viagem cómoda e tecnicamente acompanhada que fará a diferença.

Não se podem aceitar argumentos de “economicismo” ou “politiqueiros“, ou populistas, o assunto é demasiado sério, nesta doença os argumentos são os que abrem caminho para os doentes, para o seu tratamento ao nível do “estado da arte“, à excelência!

Vamos lá ver se também vamos ter telefonemas em directo nas televisões vindas de dentro das instituições do Ministério…