Setembro de 1972. Escola Prática de Infantaria, em Mafra. EPI – Entrada Para o Inferno. Vivia-se um dos períodos mais intensos da guerra colonial. Uma parte do convento abria- se diante de mim numa voragem de tácticas, de fogo real, de crosses para a Ericeira, de slides na foz do rio Lisandro. Granadas, G3, campo de infiltração, progressão nocturna que, no entendimento do capitão que metralhava de perdigotos os cadetes das redondezas, “às vezes demora dias”! E o alferes instrutor, bronco como um bacamarte, a inverter os pronomes nas respostas às questões dos cadetes instruendos em fase de aprendizagem acelerada nas artes da guerra: “Não foda-me, nosso cadete”. “Fique descansado, meu alferes.” O que eu queria era que não me fodessem a mim.
A minha guerra colonial
Política à nossa moda – Do Emplastro de Boliqueime ao Araújo de Barcelos
Muita coisa se tem dito e escrito sobre Cavaco Silva. Que para ser Salazar só lhe faltavam as botas, creio que terá sido um chiste atribuído à elegância linguística de Mário Soares. Que os seus governos, com Oliveira e Costa e Dias Loureiro, não passavam de uma espécie de gruta de Ali Babá e os 40 ladrões, não será mais que uma alegoria com pouco sentido. Que Cavaco pouco percebe de finanças e tirou o curso de Economia “numa embalagem de farinha Amparo” é apenas um paradoxo do Inimigo Público. E quando, parafraseando Kennedy, Cavaco poderia dizer “não perguntem como seria eu sem o país, perguntem como seria o país sem eu”, pensar-se-ia que, sem o conservadorismo paroquial da personagem, Boliqueime poderia muito bem ter, por exemplo, o maior bordel da Europa e deixar de ser conhecida como a terra do Aníbal, o filho do Teodoro da bomba. [Read more…]
Política à moda de Barcelos – Leia, se quiser
Apetecia-me dizer que a política, em Barcelos, e salvo excepções (poucas) inerentes à regra que as sustenta, se encontra a cargo de actores cujas pequeninas sensibilidades se vão revelando pequeninamente, fazendo ouvir, de vez em quando, as suas pequeninas vozes. Constitui por si uma verdadeira diversão, um fartote para apreciadores do género. Melodrama ou comédia capaz de passar, num instante, do sublime ao ridículo, limites que não raramente se tocam, se pensarmos, por exemplo, que toda a gente “por mais excelsa que seja, de vez em quando tira macacos do nariz”! E os nossos políticos, alguns dos nossos políticos não raramente são apanhados “a tirar macacos do nariz”, se me é permitido o recurso à imagística metafórica intencionalmente irónica. [Read more…]
"Portugueses, Temos o Papa Connosco"
Imagem maior aqui. Subscrevo integralmente as palavras de Luis Manuel Cunha.










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