Política à moda de Barcelos – Leia, se quiser

Apetecia-me dizer que a política, em Barcelos, e salvo excepções (poucas) inerentes à regra que as sustenta, se encontra a cargo de actores cujas pequeninas sensibilidades se vão revelando pequeninamente, fazendo ouvir, de vez em quando, as suas pequeninas vozes. Constitui por si uma verdadeira diversão, um fartote para apreciadores do género. Melodrama ou comédia capaz de passar, num instante, do sublime ao ridículo, limites que não raramente se tocam, se pensarmos, por exemplo, que toda a gente “por mais excelsa que seja, de vez em quando tira macacos do nariz”! E os nossos políticos, alguns dos nossos políticos não raramente são apanhados “a tirar macacos do nariz”, se me é permitido o recurso à imagística metafórica intencionalmente irónica.

Posto isto e para pôr fim a este “encher chouriços” que os mandamentos da crónica rejeitam em absoluto, deixem-me recordar-lhes a estafadíssima história mais ou menos anedótica da hiena, explicada pelo professor durante uma visita de estudo ao jardim zoológico. A hiena, dizia ele, é um animal que ri imenso, que chega a alimentar-se das próprias fezes e só tem relações sexuais com o parceiro da espécie uma vez por ano! Ora, um aluno mais atento, espantado da explicação, interrompe-o, perplexo: “Ó professor, um bicho que só faz sexo uma vez por ano e come merda, ri de quê?!” Ora, também eu gostaria de saber, por exemplo, de que “ri” o CDS, entusiasmado com a história do aterro sanitário em Paradela. E os seus deputados municipais, que nunca na vida terão posto o pé num aterro sanitário, que não farão a mínima ideia do que seja ou da forma como funciona, logo que souberam que Paradela seria o local a ele destinado pela autarquia socialista, depressa lá acorreram a esclarecer os “aborígenes” sobre… o aterro sanitário!

É por “esta” e por “outras” que alguns dos nossos interventores políticos me vêm acusando de “situacionista”, de “colaboracionista”, de pactuar despudoradamente com o novo poder autárquico e, pasme-se!, até de escrever agora “em função de um credo”! E não se tratando do credo alatinado da catequese da minha infância misseira, não vejo outro que não seja de índole política. Situacionista, é claro. Ora, esta “pérola” devo-a ao eng.º Manuel Marinho. Aliás, não entendo a razão pela qual Manuel Marinho não referiu objectivamente o meu nome no Post Scriptum com que encerrou o seu artigo publicado neste jornal na passada semana. Não viria daí nenhum mal ao mundo, tanto mais que, como muito bem saberá, pelo-me por uma boa polémica de palavras, como qualquer pessoa a quem reconheço, e é o caso, um talento capaz de a travar. Dando de barato que o não fez por falta de coragem, mas sim por uma questão de cortesia, permitir-me-á que “enfie a carapuça” e, com todo o fair-play de que sou capaz, e é muito, assumo que a primeira parte do referido Post Scriptum me era dirigida. Nela o sr. eng.º designa-me metaforicamente por “cronista do reino” e, premonitoriamente, arrisca afirmar que não tardarei a passar das crónicas aos escritos hagiográficos. Pois muito bem. Assumo, obviamente, a minha condição de cronista. Mas nunca do “reino”, como refere. Do “reino”, e entendendo-se por ‘reino’ o Estado que tem por soberano um(s) rei(s), já o meu amigo terá farta experiência reconhecida como devotado pajem e fiel escudeiro ao longo de vários anos na “corte” e ao serviço de “Sua Majestade, el-rei D. Fernando”. Experiência que a mim me falta, como haverá de reconhecer com a lucidez justificativa da credibilidade que sustenta. Quanto ao resto, uma promessa lhe faço desde já. Publicamente. O primeiro texto hagiográfico que escrever, ser-lhe-á tematicamente dedicado. O que se justifica plenamente pela auréola de santidade política que o tem envolvido ou em que se deixou envolver. Como se comprova pelo inquérito de credibilidade inatacável e promovido pelo talento jornalístico da rapaziada do Barcelos Popular, que já o aponta como putativo vencedor das próximas eleições autárquicas para a Câmara de Barcelos. E acabará, estou certo, por promovê-lo a uma merecida beatificação. Ora, assim sendo, que espalhe a sua infinita sabedoria sobre este nosso concelho e o santifique com a sua bênção misericordiosa, são os desejos deste seu “devoto” confesso. Com ironia, mas sem azedume. Creia.

Luís Manuel Cunha

Publicado no Jornal de Barcelos de 19 de Janeiro de 2011.

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