A chama imensa

Custa me ver o Juíz Desembargador Rui Rangel “dar-se ao luxo” de se expor como se expõe ao ser candidato a Presidente do Benfica. Como cidadão, é óbvio que tem todo o direito à sua paixão clubística. Mas daí a arriscar o seu prestígio ser queimado pela “chama imensa”, vai uma longa distância: a que separa a paixão da prudência. E o exercício maior de um Magistrado Judicial é o do juízo prudente, matriz da jurisprudência. Não bate certo esbanjar o seu talento no mundo do futebol. Não bate certo com a sua craveira de Magistrado Judicial e muito menos com a sua intervenção pública, em relação à qual, diga-se, não são poucas as vezes em que estou em desacordo. Não bate certo com a sua posição social de Magistrado Judicial, de titular de Órgão de Soberania. Não bater certo com o contributo que poderá dar no debate das grandes causas da Justiça que urgem ser resolvidas.  Não bate certo sujeitar-se ao que já ouviu e ao que ainda vai ouvir. Não bate certo estar sujeito a ter apoios públicos menos recomendáveis. Não bate certo com nada. Excepto, com aqueles que, eventualmente, achem que até poderá dar jeito, para quando se sentirem “roubados” (como é usual dizer-se) por algum árbitro, ter um Presidente Juíz que logo dê voz de prisão. De resto… não bate certo.

PGR : a sabedoria em pessoa

“Ou se punem as fugas de informação ou acaba-se com o segredo de justiça”! Isto sim, são palavras imorredoiras, tratados de sabedoria política…

É assim, ouviram? diz o PGR, ou se punem os crimes que nascem dentro do Ministério Público, e da Procuradoria Geral da República ou então, acaba-se com a tentação. É como o ourives, roubado, passa a vender lata dourada, já não há razão para ser assaltado, acaba é com o negócio, mas tambem quem é que precisa de ter um negócio de compra e venda de ouro?

O segredo de justiça é algo que não é necessário para fazer Justiça, acaba-se e pronto! Não se percebe é qual vai ser o próximo “negócio” da PGR? Nem porque montou este !

E se cumprisse ? E se fosse célere ? E se tomasse as medidas necessárias para “controlar” os funcionários e os seus colegas?

Entretanto, depois de nos poluírem a mente, com aquela maligna ideia que o magistrado de Aveiro era um pária que só tinha cometido erros e extravasado as suas competências e depois de todas as escutas estarem em todos os jornais, o PGR vem agora dizer que, afinal, as “escutas” foram todas entregues ao tal magistrado de Aveiro que só fez asneiras.

Eu acho que se deve punir quem comete crimes, mas isso sou eu, não quer dizer que tenha razão…

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