“Estranhíssimo”, disse Cavaco

Cavaco Silva classificou de “estranhíssima” a decisão de substituir Joana Marques Vidal. Já eu classifico de “estranhíssimo” o facto de não haver um único dos seus amigalhaços do BPN atrás das grades, apesar da épica cruzada da PGR cessante. Ele há coisas estranhíssimas, não há?

Mas, uma vez que estamos no campo do “estranhíssimo”, quem se lembra daquela vez em que o candidato Cavaco convidou uns quantos amigos da Sociedade Lusa de Negócios, dona do BPN, para a comissão de honra da sua segunda candidatura à presidência da República? Entre outros “notáveis“, estava lá Fernando Fantasia, o tal da célebre (e estranhíssima) permuta na aldeia do cavaquistão, esse grande amigo de Cavaco Silva que nos deve quase 250 milhões de euros. Por falar em dívidas, alguém me sabe dizer se Cavaco Silva já pagou o que nos deve do IMI que não pagou da sua residência na rua do BPN? É no mínimo estranhíssimo que um político tão experimentado, que ocupou os mais variados cargos, incluindo a pasta das Finanças, não conheça as suas obrigações fiscais. [Read more…]

A falácia da “coragem” de Joana Marques Vidal

desconstruída de forma exímia por Pedro Tadeu.

Pedido de esclarecimento ao PR

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Aqui fica o pedido de esclarecimentos que coloquei, ontem, no site da Presidência da República.  [Read more…]

Passos Coelho tem razão

Fotografia: ZAP

Fazei soar os sinos! Pedro Passos Coelho apareceu às ovelhinhas, a pairar sobre a torre de observação da direita oprimida, para cantar hossanas a Joana Marques Vidal, que tão gentilmente viu o seu Ministério Público arquivar o processo Tecnoforma, apesar das dúvidas dos deuses de Bruxelas.

Temendo pela saúde dos seus, ex-primeiro desceu à Terra, não sem antes espreitar se o Diabo estaria à espreita, e disparou chumbo grosso contra a decisão de Costa e Marcelo, como compete a um ex-primeiro no exílio. Denunciou a ausência da “decência de assumir com transparência os motivos que conduziram à sua substituição”, indo ainda mais longe ao afirmar que “sobra claro que a vontade de a substituir resulta de outros motivos que ficaram escondidos”.  [Read more…]

O triunfo dos porcos

Ouvir a Mortágua falar da partidarização da discussão sobre a continuidade da PGR e reduzir as opiniões que foram sendo dadas a uma dicotomia defesa/ataque de Sócrates, releva uma hipocrisia e uma desonestidade intelectual repugnantes. Seria tão relevante quanto a importância da própria figura que o disse (ou seja, quase nada), não fora o pormenor de traduzir a grande diferença ética entre as 3 posições principais sobre este assunto.

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Joana Marques Vidal e os passistas que fazem futurologia

Fotografia via Jornal de Negócios

Miguel Morgado, António Leitão Amaro, Duarte Marques, Miguel Poiares Maduro e José Eduardo Martins assinam um artigo de opinião no jornal Expresso, a propósito da recondução (ou não) de Joana Marques Vidal, que começa de forma algo romântica, mas pouco realista. Porque a recondução (ou não) da Procuradora-Geral da República está longe de ser uma das “escolhas fundamentais que definem o futuro do País e da nossa democracia”. Imagino que a recondução de Marques Vidal, para os sociais-democratas que assinam o artigo, corresponda a “escolher o regime e o país” que querem, até porque Joana Marques Vidal pouco ou nada incomodou os barões do seu partido, mas não vale a pena embandeirar em arco: os grandes gatunos continuam todos em liberdade. E não há registo de que andem a passar fome ou a dividir apartamento com cinco pessoas num qualquer bairro social. [Read more…]

Máfia angolana em apuros?

DS

Dizem os jornais que a PGR de Angola está a investigar Isabel dos Santos. Será fake news? Ou será que é desta que a filha do ditador que se fez empresária à custa da miséria do povo angolano começa a pagar o que deve? É que já chateia ver esta tipa armada em empresária de topo, em self made woman, quando na verdade não passa de uma girl estilo jotinha, que viu o seu império crescer à custa de ser filha de quem é. E já era tempo de pôr a máfia angolana no seu devido lugar.

Visto à distância

Fora do país, chegam-me ecos sobre uma suposta polémica em torno da eventual renovação de mandato da Procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal. Lendo o Expresso, fica-se com a sensação que o PR e o PM andam às turras. Já segundo o JN, nada se passa. E segundo o próprio PR, também não. “Até ao momento em que tiver de exercer o meu poder constitucional, o tema não existe. O PR não se debruçará sobre o assunto um minuto, nem sobre ele dirá o que quer que seja”, afirmou Marcelo em declarações à SIC.

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A grande mentira amarela

TContas

Numa jogada que tem tanto de absurda como de pouco surpreendente, parte significativa da imprensa nacional tentou transformar um embuste em facto, subalternizando o parecer da PGR que legitima a posição assumida pelo ministério da Educação sobre a polémica dos contractos de associação. Desmontado o embuste, alguma imprensa lá acabou por emendar a mão. Estranhamente, e a julgar por aquilo que foi sendo difundido pelos canais de comunicação dos autoproclamados defensores da escola, nem uma palavra dos indignados sobre o assunto. Importa reforçar que o Tribunal de Contas não deu razão nenhuma às reivindicações do lobby do ensino privado. Nenhuma, zero. Foi tão somente uma manipulação fraquinha que só veio descredibilizar a actuação de quem dirige este movimento. E ficava-lhes bem assumir que tudo não passou de uma grande mentira amarela.

Montagem via Os Truques da Imprensa Portuguesa

Segredo de Justiça e Prisão Preventiva

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É do domínio público que apresentei uma denúncia relativamente a Marco António Costa, actual vice-presidente e porta-voz do PSD, junto da Procuradora Geral da República, Dra Joana Marques Vidal, do Director do DCIAP, Dr. Amadeu Guerra e do Director Nacional da Polícia Judiciária, Dr. Almeida Rodrigues, no dia 23 de Abril de 2015.

Esta denúncia, tal como foi tornado público pela Procuradoria Geral da República, deu origem a um inquérito que corre termos no DIAP do Porto.

Nos últimos tempos muito se tem falado e escrito sobre o segredo de justiça e a prisão preventiva. Estas são sem dúvida duas questões controversas que deverão ser alvo de um amplo debate que envolva todos os agentes judiciais mas também a sociedade civil.

Eu entendo que no caso de alguns crimes como por exemplo o tráfico de influências, a participação económica em negócio e a corrupção pode ser necessária, em alguns casos, a prisão preventiva de forma a tornar mais eficaz a investigação. Mas esta prisão preventiva não pode estender-se ” ad eternum ” durante longos meses e mesmo até anos. Penso que a prisão preventiva utilizada, como meio de apoio à investigação, não deveria ir para além dos 30 dias.

No que diz respeito ao segredo de justiça entendo que o mesmo é essencial para a realização do difícil trabalho de investigação pela parte das entidades judiciais.

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Tecnoforma: Passos “inocentado” em 48 horas

PGR terá averiguado e emitido despacho em apenas dois dias. Jornal Público prossegue a investigação.

Portugal Surreal – Passos, Tecnoforma e trafulhice

Quem se sente surpreendido com o recente chafurdar na lama de Pedro Passos Coelho só pode estar a dormir há coisa de 3 anos. Quanto à honestidade do indivíduo já há muito que estávamos esclarecidos e sobre esse lodo chamado Tecnoforma só não viu até agora quem não quis. O que se compreende dada a apelativa oferta de lixo televisivo que vai prendendo tantas mentes neste país. Um tuga tem que ter as suas prioridades, se há cus, parolada e vacaria com força na TV, o país e o futuro podem sempre esperar.

Têm sido dias interessantes no desmascarar desse discípulo de uma longa linhagem de Cavacos e Sócrates. Que o Pedro abria muitas portas já todos sabíamos (leiam a entrevista do Fernando Madeira à Sábado, é reveladora). Que se relacionava com malta suspeita também. Que montou um esquema na blogosfera para destruir Sócrates e chegar ao poder o Fernando Moreira de Sá fez o favor do nos contar. Que deu à luz milhares de boys, mais até que a sua alma gémea Sócrates também não é novidade. O que aparentemente ninguém sabia, tirando aqueles que sabiam, é que este profissional do embuste poderá ter andado a receber umas coroas por fora enquanto deputado em regime de exclusividade. E quem lhe terá fornecido esses trocos? A Tecnoforma pois claro!

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Oh! Oh! Fait le Clown

Dos velhinhos e saudosos anos 60, eis uma canção de homenagem aos verdadeiros palhaços. Que têm por profissão e missão divertir, com profissionalismo e orgulho. Sem sentir rancores ou ódios em relação a quem lhes chame “Palhaço!”.

Dos que actuam no ‘circo da política’, chamem-se Grillo, Silva, Ramos ou Ramalhete, não têm a dimensão humana do palhaço verdadeiro. Ofendem-se por serem, erradamente em relação aos autênticos, classificados como membros de uma profissão que, afinal, abominam. E desdenham.

Como se consideram supremas divindades, a PGR tem de ir ao circo e produzir um longo processo, no qual será ouvido o Sr.  Victor Hugo Cardinali  e todos elementos da companhia. Dos ursos aos leões, dos trapezistas aos nobres palhaços, ricos ou pobres mas sempre autênticos. Dos falsos, estamos saturados, porque o espectáculo de que são protagonistas é demasiado repugnante.

Viva a canção velhinha de Frank Alamo!

PGR vai substituir Cândida Almeida no DCIAP

Será que Portugal vai passar a ter um bocado de corrupção? – Com esta senhora não havia destas coisas

No DCIAP têm conta no BES?

A PGR diz que não há indícios de que Ricardo Salgado tenha estado envolvido em “qualquer ilícito de natureza fiscal” in Público

Isto só pode ser um bom sinal

Pinto Monteiro não aprova a nova PGR

O estranho caso da rainha de inglaterra

Num toque de finados, Pinto Monteiro foi à RTP lançar mais umas larachas. O homem que há-de ficar conhecido por ter andado de tesoura na mão a recortar partes das transcrições de escutas onde José Sócrates era citado vem dizer que a polícia efectua escutas ilegais. Depois acrescentou que tem essa convicção. Há ou não há? Tem provas ou não tem? Fez alguma coisa quanto a isso ou não?

Esta inenarrável personagem aproveitou ainda para descartar água do capote quanto às incoerências que marcaram o seu mandato. Não deixa saudades este “último beirão honesto“.

Sócrates não esquece quem o serve

 

Governo reafirma confiança em Pinto Monteiro.

PGR : a sabedoria em pessoa

“Ou se punem as fugas de informação ou acaba-se com o segredo de justiça”! Isto sim, são palavras imorredoiras, tratados de sabedoria política…

É assim, ouviram? diz o PGR, ou se punem os crimes que nascem dentro do Ministério Público, e da Procuradoria Geral da República ou então, acaba-se com a tentação. É como o ourives, roubado, passa a vender lata dourada, já não há razão para ser assaltado, acaba é com o negócio, mas tambem quem é que precisa de ter um negócio de compra e venda de ouro?

O segredo de justiça é algo que não é necessário para fazer Justiça, acaba-se e pronto! Não se percebe é qual vai ser o próximo “negócio” da PGR? Nem porque montou este !

E se cumprisse ? E se fosse célere ? E se tomasse as medidas necessárias para “controlar” os funcionários e os seus colegas?

Entretanto, depois de nos poluírem a mente, com aquela maligna ideia que o magistrado de Aveiro era um pária que só tinha cometido erros e extravasado as suas competências e depois de todas as escutas estarem em todos os jornais, o PGR vem agora dizer que, afinal, as “escutas” foram todas entregues ao tal magistrado de Aveiro que só fez asneiras.

Eu acho que se deve punir quem comete crimes, mas isso sou eu, não quer dizer que tenha razão…

Faltam 424 dias para o Fim do Mundo:

Hoje na revista Fugas (Público) Pedro Garcias escreve um comentário que merece o devido destaque (é pena não o encontrar no site do Público):” Montréal en Lumiére e a cegueira de quem decide apoios em Portugal”. Resumidamente: a 11º edição do Festival Montréal en Lumiére – um dos mais importantes eventos internacionais de gastronomia e cultura – teve Portugal como país convidado. Um evento com mais de 750 mil visitantes e uma montra mediática fantástica. O Turismo de Portugal não apoiou e não fosse o empresário Carlos Ferreira, dono de um dos mais conceituados restaurantes de Montréal, e os nossos empresários dos Vinhos, a coisa teria sido uma vergonha monumental. Incompetência pura, uma vez mais, do Turismo de Portugal!

Entretanto, Pacheco Pereira lembrou a necessidade de se saber quem financia as campanhas dos candidatos e Manuel Godinho jura que nunca pagou a ninguém para obter favores. Pode não parecer à primeira vista mas as duas notícias relacionam-se. Pelo caminho, é leitura obrigatória esta posta de José Manuel Fernandes no Blasfémias, sobre o PGR.

Finalmente, o fim do mundo não seria o mesmo sem este vídeo de estudantes nus a apresentar notícias terminando a coisa a pedalar rumo a casa e daí a importância de pedir à mãe para o namorado dormir em casa. Eu que tenho uma filha já preparo o pedido de licença e porte de arma…

Passos Coelho: O PGR devia ser demitido! Desculpe?


O PGR devia ser demitido porque não contou a verdade toda e não contou a verdade toda porque quis defender o primeiro ministro de quem, em última análise, depende! Ora, bolas! Assim, o que faria o primeiro ministro se ele, PGR, ao contrário do que fez, tivesse tratado Sócrates como devia? Mantinha-o?

Como se vê isto anda tudo às avessas, tão às avessas que o Pedro Passos Coelho nem se lembrou que a hipótese possível é demitir o primeiro-ministro para, então sim, o PGR ser demitido! É que aqui a velha história do ovo e da galinha não se aplica, quem nasceu primeiro foi mesmo o primeiro-ministro e, portanto, só há ESTE PGR enquanto houver ESTE primeiro ministro. Grande e laboriosa separação de poderes democráticos, se o PGR fizer o seu trabalho é demitido pelo poder político, de quem devia ser independente!

Então, se o PGR não é independente de Sócrates como vai Pinto Monteiro exercer o seu mandato se o governo ou alguem do governo estiver sob a alçada da Justiça? É que a situação é esta. Ou exerce e vai para a rua ou não exerce e mantém-se! A separação de poderes, um dos pilares da democracia está à vista, o PGR mantém-se! Logo, não exerceu as suas funções com independência o que leva a oposição a querer demiti-lo e o governo a segurá-lo!

Se o PGR dependesse da Assembleia da República e fosse necessária uma maioria qualificada para o nomear ou demitir a independencia do poder Judicial seria garantida, não teríamos esta vergonha de ter uma Justiça em roda livre porque quem pode ser incomodado depende de quem investiga e quem investiga depende de quem o nomeia! Confusos?

O Pedro Passos Coelho tambem está confuso, nada de extremar emoções, isto é para se ir percebendo e melhorando e podemos sempre dar como exemplo o facto do magistrado Lopes da Mota, sendo do PS, ter sido demitido de Presidente do Eurojust!

Terá sido por ter exercido a função para que foi nomeado?

Pela demissão de Pinto Monteiro

O Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, já não tem condições de se manter no cargo. Aquele que devia ser o garante máximo da Justiça, no que ao Estado diz respeito, mentiu descaradamente a propósito das escutas que envolvem o Primeiro-Ministro e agora «mete os pés pelas mãos» para parecer que o seu único objectivo não foi proteger José Sócrates. Mentiu e ainda continua a mentir
E um PGR não pode ser mentiroso. E não pode ser o advogado de defesa do Primeiro-Ministro. Quando muito, é o advogado máximo do Estado. E por muito absolutista que gostasse de ser, José Sócrates não é o Estado. «Non, l´État c’est pas lui!» (está bem escrito, deputada Inês de Medeiros?)
Façamos o que temos a fazer e comecemos a pedir, desde já, a demissão do Procurador-Geral da República. O Presidente Cavaco, por maior nulidade que continue a ser ao fim de 4 anos de mandato, tem de servir para alguma coisa.

Da Madeira ao PGR, do IRS ao sexo oral

Na Madeira vai-se fazendo contas ao que sobrou, e constata-se como das adversidades surgem unidades.

O mau tempo, esse parece estar decidido a chatear-nos, sendo também notícia um mini-tornado em Aveiro. No geral, são 11 Distritos em alerta.

Na Justiça, mais uma novela de violação do “Segredo de Justiça”, agora com o PGR mandar investigar mais uma fuga . Desta vez deverá ser mais fácil, pois que, segundo o próprio, só 6 pessoas conheciam o seu Despacho. E eu que estava na ideia que, não vai há muito tempo, foi este PGR que afirmou que por si, as escutas eram publicadas.

A título de utilidades fiquem com duas dicas:

1 – Pode ficar a saber como poupar no IRS. Dá sempre jeito, por muito que nos “peçam” para contribuir;

2 – E pode escrever na versão portuguessa do Google (*) a palavra “como”, e logo vai ter várias informações de diversa utilidade, numa hierarquia no mínimo interessante, porquanto insiste no sexo oral…

(*) Já agora, fiquem a saber que a Google vai vender electricidade.

E o sr. PGR, sr. Presidente do Supremo?

Diz V. numa entrevista (algo manca, sr. Presidente…) que num dos seus despachos (estou a escrever de ouvido) escreveu que as escutas não teriam índicios sérios “…se não se viessem a verificar novos factos que exigissem a abertura de inquérito…”

Ora, se no mesmo despacho V. manda destruí-las…

Face a esse despacho, onde V. coloca a hipótese de relevância criminal a existirem novos índicios, não seria obrigatório o sr. PGR mandar investigar? Como é que se podem encontrar novos índicios se não se investiga?

A verdade, pelo que se percebe em tudo o que são declarações de gente do PS, é que V. e o Sr. PGR dão as escutas (as que não foram julgadas ilegais) como “…não tendo relevância criminal…” mas V. nesta recente entrevista acrescenta-lhe um “se” que muda tudo! Temos ou não um inquérito sobre esta matéria? As pessoas escutadas estão ou não sob inquérito? Ou a existência de inquérito é, nesta fase, segredo de Justiça?

É que em plena Assembleia da República o que se ouve são os senhores deputados do PS e o próprio primeiro ministro dizerem que a Justiça já se pronunciou, o que aquele “se” que V. deixou escapar, desmente, a não ser que o Sr. PGR não tenha continuado a investigar, como o despacho de V. exige! (embora também já se comece a ovir isto)

Vossa Excelências importar-se-iam de explicar publicamente por forma a que o povo deixe de ter estes racíocinios, evidentemente ignaros, mas que não nos deixam dormir em paz?

Sócrates ligado à máquina

A máquina – PGR que não vê, Presidente do Supremo que não dá explicações, empresas públicas que usam o dinheiro público para manobras vergonhosas, boys pagos a peso de ouro que autorizam a publicação das escutas como se a publicação dependesse da sua vontade, comunicação social que publica ou não conforme os negócios em carteira, Presidente da República que demite se isso interessar e não arruinar a renovação do mandato, Assembleia da República que pode constituir maioria para avançar com uma moção de confiança – pode desligar a qualquer momento, Sócrates o soberbo, é a pessoa mais dependente que vive em Portugal.

Mesmo mantendo-o artificialmente ligado, ficará em condições de fazer a sua vida, ou já é um vegetal apenas com o PS e os negócios a fornecer oxigénio?

O PGR não revelou nada

Como se temia o PGR nada revelou acerca do conteúdo das escutas. Isto não é bom para ninguem. Antes de tudo, para o próprio Sócrates, que vê adensar à sua volta as suspeitas que  o juiz de Aveiro tem razões substantivas para fazer o que fez.

 

Depois para o PGR que funciona como alguem que não está seguro do que tem em mãos, nenhum interesse em deitar gasolina para a fogueira, disfarça, esconde, encolhe e nada disto é saudável para a democracia que não pode viver nesta clausura de segredos e de meias verdades.

 

Penalistas de mérito já deram o exemplo da Alemanha, onde decorreu um caso rigorosamente igual, com a diferença de que lá, o povo teve direito a saber o assunto que tinha sido escutado, não as escutas elas mesmas, evidentemente. O que leva que dois magistrados em Aveiro considerem que Sócrates cometeu " um crime grave contra a segurança do Estado"?

 

Este medo que se adivinha no PGR, no Presidente do STJ e nos socialistas confirma, em pleno, que os dois magistrados de Aveiro não são dois loucos que um dia de manhã acordaram e se lembraram de lançar estas terríveis suspeitas sobre o Primeiro ministro!

 

Ninguem acredita em tal "espionagem política" e na " decapitação do PS e do governo" as mesmas patranhas que foram usadas no caso "Casa Pia" e em todos os outros casos em que o PS se envolveu ou se deixou envolver.

 

O PGR devia ser nomeado pelo Presidente da República, ter um mandato igual ao dele, entrar com ele e sair com ele, com as mesmas prerrogativas, de poder ser apeado nas mesmas condições do PR, não poder ser reconduzido mais que uma vez, para o bem e para o mal, irmão gémeo do PR.

 

Mas ter um PGR que é nomeado pelo PR sobre proposta do governo e que este pode demitir quando bem entende, dá nesta pocilga onde chafurdam a credibilidade e a decência do Estado de Direito!

Face Oculta – o que é certo e comprovado

O que se sabe do processo permite concluir que o Juiz  e o Magistrado de Aveiro, cumpriram escrupulosamente a Lei, ao contrário do PGR e do Presidente do tribunal de Justiça, que têm que explicar várias coisas que lançam o descrédito na vida pública portuguesa.

 

Antes de tudo, o tempo que decorreu entre a altura em que foi extraída a primeira certidão (Julho ou mesmo antes) e enviada para Lisboa e a actuação do PGR. Porque é que o PGR não tomou de imediato uma decisão e permitiu que a investigação prosseguisse? Na ausência de resposta não era lícito as autoridades de Aveiro concluirem que, face à informação e na ausência de desautorização, que o processo deveria prosseguir?

Ou essa questão, atenta a campanha eleitoral, não servia os interesses de quem manda e guardou-se para depois das eleições a presente controvérsia?

 

As lamentáveis embrulhadas do PGR e do presidente do STJ, empurrando as responsabilidades da decisão para o colo de um e outro, querem dizer o quê? E como é que se pode aceitar e que leitura  deve ter o desconhecimento dos  fundamentos da decisão, e a apressada decisão de mandar destruir as escutas à revelia da opinião de eminentes penalistas?

 

Porque se impede que as razões do Juiz de Aveiro sejam conhecidas, bem como as razões do PGR e do próprio Primeiro Ministro? Exclusivamente, na parte em escrutínio e em que se fundamentaram os índicios de "crime grave contra o Estado de Direito" ?

 

A transparência, a confiança e a credibilidade do Estado não valem "uma missa"?

O Blasfémias não quer perceber

As chamadas foram feitas pelo Vara para Sócrates e não o contrário.

 

O Inspector de Aveiro perante uma evidência de crime não deve tirar certidões, mas antes, (como diz Júdice) destruir as escutas.

 

As escutas de Cavaco Silva e a sua divulgação foram um serviço público prestado por dois jornalistas que transcreveram uma conversa privada de dois colegas.

 

Quando a certidão e a gravação chegaram ao PGR este não fez o que manda o bom senso.Destruí-las!

 

O Presidente do Tribunal de Justiça, mal recebeu as gravações do PGR deveria devolvê-las sem tomar conhecimento do seu conteúdo.

 

Como diz, Ricardo Costa, no Expresso, há conversas do primeiro ministro gravadas na mão não se sabe de quem e é preciso destruí-las.

 

Quando um amigo cumpre o dever de telefonar a um amigo é sempre para falar de assuntos que leva a polícia a mandar tirar certidões.

 

Não há escutas nenhumas nem nenhuma certidão, o que há são conversas que levaram a polícia a mandar emitir uma certidão ilegal.

 

Tirar certidões de escutas gravadas pela polícia, é prenúncio de crime para qualquer um, menos para José Sócrates!

 

Entendidos?

O PS não terá que mudar o primeiro ministro?

Não podemos continuar a fazer de conta que não existem estas suspeitas contínuas em relação a José Sócrates. Qualquer um se estivesse em condições de o fazer daria explicações públicas. José Sócrates já não tem condições para voltar a dar explicações.

 

Quem é que acredita que agora este caso das escutas do Face Oculta é novamente uma campanha negra contra a sua pessoa ? Com tantos pesos pesados socialistas, como é possível que alguem que é apanhado no "olho do tufão" pode dizer que não sabe de nada ?

 

Se a isto juntarmos todos os casos em que Sócrates  está envolvido e em que teve que dar explicações públicas a credibilidade não é nenhuma.

 

Paula Teixeira da Cruz acaba de dizer na SIC N que isto é o "Estado gangster", que é o próprio Estado que comete os maiores crimes e que depois controla quem o devia julgar. Dá o exemplo de um contrato com as  Estradas de Portugal, onde um consórcio dá como contrapartidas 200 milhões de euros para ganhar o concurso, e quando o contrato chega ao Tribunal de Contas, pelo caminho, os 200 milhões desapareceram. Este caso não é único!

 

Saldanha Sanches diz que José Sócrates não tem condições de continuar Primeiro Ministro, o PS ganhou as eleições tem direito a indicar o Primeiro Ministro mas não necessariamente este.

 

O PGR é cilindrado por um e por outro, envolve-se em contradições que não abonam em nada a sua capacidade e independência em ocupar o lugar.

 

Entretanto, na Assembleia da República, perante a exigência de explicações, o líder parlamentar do PS, pateticamente, vem acusar a oposição de querer politizar a Justiça!

 

Um Primeiro Ministro sob suspeitas é um caso eminemtemente político e só depois deixe-se a Justiça fazer o seu caminho.

A ilegalidade das escutas não absolve Sócrates

A primeira decisão que José Sócrates deve tomar é exigir que as escutas sejam analizadas e delas se tirarem as devidas conclusões. Não me estou sequer a referir se têm ou não validade criminal, estou a dizer que um Primeiro Ministro não pode aceitar que o seu nome ande, permanentemente, sob suspeita.

 

A comunicação do Procurador Geral da República esconde mais do que mostra, seguida das palavras atabalhuadas do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ficando no ar que as gravações há muito que andam na dança dos gabinetes.

 

Noronha diz que está sujeito ao segredo de justiça e que só o PGR poderá falar sobre o caso. Este enrola-se nas certidões primeiras, no conjunto de nove, mais não sei quantas e tudo morre como é habitual.

 

Após todos os processos, ou casos, ou campanhas negras em que Sócrates se vê envolvido há sempre gente de família, ou grandes amigos ou assessores que são arguídos .Quanto a Sócrates há sempre uma barreira que impede chegar  mais próximo dele, como se "a sucata" que os familiares e amigos fazem, fosse possível, sem essa condição.    

 

 Sócrates estar por perto e ser quem é!

 

 

 

 

 

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