Rui Moreira comenta pronúncia de José Sócrates por Ivo Rosa

Sei, tenho bem presente e defendo a presunção de inocência a que todos os indiciados, arguidos, acusados e pronunciados têm direito até ao trânsito em julgado, mas isso não obsta a leitura política.
Nessa perspectiva, talvez eu seja esquisito em demasia, não me caiu nada bem que Rui Moreira, acusado pelo Ministério Público, tenho usado o espaço de comentário que tem na TVI para zurzir num outro acusado e agora pronunciado, José Sócrates.
O pudor nestas situações, mesmo de quem se sabe inocente, deveria sensibilizar ao recato.

Justiça e indignação

A minha indignação com a decisão do processo de instrução do passado dia 9 de Abril foi quase tão forte como a indignação pela falta de protesto generalizado, colectivo e amplamente expressivo da sociedade portuguesa. Não sou jurista nem tenho conhecimento especializado sobre o assunto. Mas tenho, como muitas pessoas, uma clara percepção de que a Justiça em Portugal é injusta e incompetente. É injusta porque deixa portas abertas a que os crimes dos poderosos fiquem sem castigo; é injusta porque também não responde eficientemente aos cidadãos comuns; é injusta porque é morosa; é injusta porque usa uma linguagem mais do que arcaica, absolutamente ridícula e exclusiva; é injusta porque é cara; é injusta porque comete erros de palmatória.

Isto é inaceitável e prevalece, década após década.

A decisão instrutória transmitida a semana passada é aberrante em muitos aspectos e foram já feitas dezenas de análises abalizadas, salientando o inaceitável que foi a desqualificação liminar de provas indirectas – como se a corrupção deixasse, a maioria da vezes, provas directas irrefutáveis – a interpretação benevolente do prazo de prescrição daquilo que constituem atentados contra o povo português, a ilibação do crime de fraude fiscal pela compreensão de que a declaração de dinheiro ilicitamente obtido seria uma auto-incriminação não exigível, o levantamento de arrestos a bens que podem agora estar já a encetar caminho para as Seychelles ou o Luxemburgo.

Pelos vistos, estiveram todos mal, Ministério Público, juiz e a letra da lei. E como tal, isto foi uma bofetada ao povo português; mas foi uma bofetada no meio da tareia que é o prevalecente fraco e inaceitável desempenho da Justiça em Portugal; pergunto se há alguém que diga que a Justiça em Portugal funciona bem; não é essa a minha experiência, nem é isso que ouço das pessoas. E pergunto há quantas décadas isto assim é, pergunto quantas reformas já foram anunciadas, pergunto o que foi realmente consubstanciado, pergunto onde está a vontade política para fazer a reforma necessária e assegurar a sua aplicação.  E já agora, diga-se que nos cursos de Direito também alguma coisa deve ser mudada, a julgar pela arrogância com que os advogados, em geral (claro que haverá honrosas excepções), se colocam perante o cidadão comum que contrata e paga os seus serviços. [Read more…]

A culpa morrerá solteira, Ihor já morreu

Ihor Homeniuk e a família (fotografia retirada do Diário de Notícias)

Caso SEF: MP deixa cair acusação de homicídio aos inspetores que terão agredido Ihor Homeniuk (sic)

(in Expresso, 12 de Abril de 2021)

12 de Março de 2020,

Serviço de Estrangeiros e Fronteiras,

Aeroporto Humberto Delgado,

Lisboa, Portugal.

   Há exactamente um ano e um mês, morria no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, às mãos de inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, um cidadão ucraniano, que tinha viajado para Portugal para trabalhar. Ihor Homeniuk, 40 anos de idade, ucraniano. Tinha viajado para Portugal, aterrando em Lisboa, para arranjar trabalho. Não tinha antecedentes criminais, não aparentava ser violento. Era casado e tinha uma filha. Ambas ficaram na Ucrânia. Ihor morreu em 2020, vítima de asfixia lenta. Três inspectores do SEF foram acusados de ter matado o cidadão ucraniano à pancada. Concluiu-se que Ihor agonizou durante dez horas, tendo hematomas, fracturas nas costelas e no tórax, lesões essas que o impediam de respirar convenientemente e que, aparentemente, levaram à sua morte. Alegadamente, Ihor Homeniuk terá sido espancado por inspectores do SEF durante uma hora, tendo sido deixado à sua sorte durante todo o resto do tempo. [Read more…]

A parida ínfima formiga

José Oliveira

Hoje cumpriu-se um dos dias mais negros da justiça lusa. O Juiz Ivo Rosa, durante horas demoliu paciente e rigorosamente a maior parte da montagem dos actos acusatórios da Operação Marquês, explicando em detalhe o que estava mal, o que havia prescrito e porquê, a invalidade das provas, a improcedência das acusações, o vazio de muitos crimes imputados, a ausência de sustentação do argumentário do Min. Público, enfim, a demonstração cabal de que a montanha (os muitos anos de instrução do processo) não pariu sequer um rato, nem um ratinho, mas antes uma ínfima formiga.

Os arguidos devem estar a dar pulos de contentes.

A conclusão que se impõe parece óbvia. Os agentes do Min. Público não percebem nada de instrução processual, não sabem validar provas, não conhecem as molduras legais e mostram-se completamente incompetentes para construir uma acusação com pés e cabeça.

É uma verdadeira vergonha que a justiça tenha de mandar “em paz” os bandidos porque quem de direito não soube ou não foi capaz ou não quis elaborar um processo segundo as regras.

A pergunta final não pode ser evitada: o que é que esses caramelos andam por lá fazer? Não há ninguém que os ponha na ordem?

Ainda lhe vamos pagar uma indemnização

A imagem é de 2009, numa paródia minha ao livro de Eduarda Maio “Sócrates: O Menino de Ouro do PS”.

E não o é mesmo? Hoje conseguiu o seu maior feito político. Demonstrar que em Portugal a Justiça é uma ilusão. E que esta é o grande problema do País onde nunca a classe política verdadeiramente mexeu.

É a negação da Justiça que permite a existência dos BPNs, BANIFs e BES. Ou a chico-espertice de um artigo mudar precisamente quando a EDP se preparava para vender as barragens. Ou todos os truques autárquicos que caem em saco roto. Isto só para ilustrar alguns temas da política. Porque a Justiça não é só um problema na política. É-o no dia-a-dia, quando cada um de nós tem algo para resolver e tem que ponderar se o custo e duração do processo tal justifica.

Agora, vá preparando o seu bolso. Depois do julgamento na praça pública, com direito a prisão em directo, este nado-morto em forma de acusação não irá morrer hoje. Tivessem vergonha na cara e hoje haveria muita gente a se demitir.

O resto já o disse certeiramente Fernando Moreira de Sá.

Portugal morreu. RIP.

Podem dizer o que quiserem. Podem correr e saltar. Gritar e esbracejar. Rir ou chorar. Não vale a pena. Se o Juiz Ivo Rosa está certo, a justiça está podre. Se o Juiz Ivo Rosa está errado, a justiça está igualmente podre. Porquê? Simples:

Se o juiz Ivo Rosa estiver certo nos fundamentos da sua sentença, escusam de vir dizer que temos um Ministério Público incompetente, uma Policia Judiciária azelha e um Juiz Carlos Alexandre que é uma marionete. Não. O que ali está é muito pior. É uma manipulação para decapitar um antigo Primeiro Ministro, o seu partido, o maior banco privada à época. Foi uma tentativa de Golpe de Estado. É um país podre onde só nos resta partir para a desobediência civil e a luta armada para depor toda esta corja.

Se o juiz Ivo Rosa estiver a manipular os factos, então a gravidade não é menor. Estamos perante uma justiça corrompida nos seus alicerces. Estamos perante a prova provada que existe uma justiça para os poderosos e outra, totalmente diferente, para os restantes portugueses. É a total podridão e só nos resta seguir o mesmo caminho: desobediência civil e luta armada.

Como não acredito em nada e muito menos na capacidade dos portugueses se revoltarem para lá do fora de jogo mal assinalado, só resta enviar as mais sentidas condolências perante o anúncio de que Portugal morreu. Agora, só vos resta continuar a pagar. Seja impostos, multa por estar dentro do carro a comer uma sandes, taxas e taxinhas e os salários de toda esta malta que vive no Estado e do Estado. E agora, se não se importam, vou ali ver os Donos da Bola que já bastou passar o dia todo a ver os Donos Disto Tudo a rir. Rir a bom rir de todos nós, os pacóvios.

Rest in Peace.

Sem comentário

“(…) o MP “entende que as decisões políticas tomadas entre 2005 e 2011 sobre a negociação de contratos de subconcessões de autoestradas e scuts, terão lesado o estado em cerca de três mil e quinhentos milhões” de euros. A investigação da Polícia Judiciária já estará concluída. 

Três ex-ministros – Teixeira dos Santos, Mário Lino e António Mendonça – e dois secretários de Estado – Paulo Campos e Carlos Costa Pina – estão a ser chamados “à vez”, para serem ouvidos pelo juiz Carlos Alexandre.

Em causa estão suspeitas de gestão danosa, participação económica em negócio, prevaricação ou abuso de poder.”

A paga é o Chega.

Na hora de defender os poderosos, a procuradora Lucília não gagueja

Digam uma, uma só investigação a poderosos conduzida pelo Ministério Público que tenha resultado na condenação dos arguidos.
Digam uma, uma só medida de Lucília Gago tendente a combater a corrupção.
Se calhar foi convidada para isso mesmo, para não incomodar os poderosos. Porque quando alguém os incomoda mesmo, ela até vai buscá-los a Budapeste se for preciso. Até tira meios humanos às investigações para esvaziar o que está em curso.
Não satisfeita, e não vá o diabo tecê-las, decidiu que os procuradores hierárquicos dos magistrados possam alterar qualquer uma das suas decisões.
Sendo assim, pode começar já pela vergonhosa quebra do segredo de justiça do primeiro-ministro. Mesmo que algum procurador corajoso queira ir para a frente com o caso, a senhora procuradora Gago encarregar-se-á de fazer abortar o processo.
Afinal, manda quem pode e ela, que é apenas um peão, obedece.

Rui Pinto, o denunciante do Luanda Leaks

Comunicado de Imprensa

Os advogados abaixo assinados declaram que o seu cliente, o Sr. Rui PINTO, assume a responsabilidade de ter entregue, no final de 2018, à Plataforma de Proteção de Denunciantes na África (PPLAAF), um disco rígido contendo todos os dados relacionados com as recentes revelações sobre a fortuna de Isabel DOS SANTOS, sua família e todos os indivíduos que podem estar envolvidos nas operações fraudulentas cometidas à custa do Estado angolano e, eventualmente, de outros países estrangeiros.
Rui PINTO procurou, assim, ajudar a entender operações complexas conduzidas com a cumplicidade de bancos e juristas que não só empobrecem o povo e o Estado de Angola, mas podem ter prejudicado seriamente os interesses de Portugal.
Rui PINTO esclarece que entregou este disco rígido, no cumprimento do que entende ser um dever de cidadania, e sem qualquer contrapartida, depois de tomar conhecimento das missões realizadas pela organização PPLAAF, permitindo que usassem os dados como entendessem.
Rui PINTO está satisfeito por ver que, graças ao intenso trabalho do consórcio de jornalistas ICIJ, todos os dados foram explorados, verificados, validados e, portanto, encabeçaram as revelações que necessariamente levarão à abertura de investigações criminais em muitos países, incluindo Portugal. [Read more…]

O diário pessoal de Rui Pinto

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Imagem via Shifter

A forma diligente como o Ministério Público tem conduzido o caso Rui Pinto, faria corar de vergonha o Ministério Público que conduziu certos outros casos, envolvendo indivíduos que, de forma consciente, prejudicaram gravemente os portugueses e o país, provocando ondas de choque por todo o tecido social, imunes ao grosso das penalizações previstas pela lei.

No caso Rui Pinto, tudo é célere. Todos os prazos se cumprem. Todos os recursos existem. Tudo parece ser possível, incluindo violar a lei. Há dois dias, com destaque residual nos órgãos de comunicação social, foi divulgado que o diário pessoal de Rui Pinto foi confiscado pelo MP, à margem daquilo que a lei permite. [Read more…]

Ao cuidado do sindicato dos camionistas de materiais perigosos

Falem com o Augusto Santos Silva. Parece que as leis não são para ser interpretadas literalmente.

Quem se mete com o PS leva!

Parece que o Ministério Público quer dissolver o sindicato dos motoristas que fez frente ao Governo.
Sobretudo com a actual PGR, a falta de independência do poder judicial face ao Executivo parece evidente.
Claro, o novo sistema remuneratório dos Magistrados, que agora até podem receber mais do que o primeiro-ministro, teria de ter contrapartidas. Aqui estão elas.
Quem se mete com o PS, leva!

A procuradora malcriadona…

… que até faz parecer o ex-líder da Juve Leo, Fernando Mendes, um tipo respeitável.
Não admira. É preciso não esquecer que os procuradores do Ministério Público são aqueles que tiveram a pior nota no exame do CEJ. Podiam ter chegado a juízes, mas nunca passaram de procuradores.
Embora, como é óbvio, a educação não se compre. Podes até chegar a presidente da República, não é por isso que serás mais educado do que o mais pobre que te elegeu.

A campanha contra Rui Rio no caso José Silvano

Parece-me óbvio que todas estas notícias sobre o deputado José Silvano têm como objectivo último atingir Rui Rio. Uma campanha laboriosa que começou no momento exacto em que ele foi eleito líder do PSD. Não sei se por não ser aquele que os barões do Partido queriam, não sei se por vir do Porto, mas por algum motivo pouco nobre é de certeza…
O facto de não gostar de Rui Rio, nem dos seus tiques de pequeno ditador, não me impede de ver a realidade. Claro que ele se pôs a jeito. E a reacção que teve a mais um caso demonstra que a sua tão propalada seriedade e verticalidade ficou nas calendas gregas. Mais concretamente no primeiro mandato como presidente da Câmara do Porto, onde, por não ter maioria absoluta, teve de governar com o PCP.
Quanto ao resto, alguém acredita que o caso José Silvano, um dos coveiros do Vale do Tua, não acontece amiúde em todas as bancadas parlamentares? Acredito que não aconteça no PCP (não me falem do Partido de Ricardo Robles) e sei que o deputado do PAN não tem ninguém com quem partilhar a password. Os outros, parafraseando o linguajar refinado de António Oliveira, é tudo o mesmo putedo. No CDS, no PS, no PSD – onde o escolhido foi Silvano por ser o braço-direito de Rui Rio.
No meio disto tudo, vamos fingir que Ferro Rodrigues não sabia. Que não é conivente e não pactua com esta prática generalizada.
Um presidente da Assembleia da República digno, com um pingo de sentido de Estado, tinha enviado de imediato todo o processo para o Ministério Público. Mas como sabemos, ele está a cagar-se tanto para o sentido de Estado como se esteve a cagar em tempos para o segredo de Justiça.

Sporting: corrupção no andebol sob investigação do Ministério Público

Já sabíamos que os leões são muitos fortes no mundo desportivo que existe para lá do futebol. Daí até comprar o título o nacional

José Sócrates e o despacho de acusação do Ministério Público: fraudes e fiascos

We’ll try to stay blind
— Duran Duran “Come Undone

Thomas: Excuse [ˈskjuːz] me, you don’t know who I am.
Johanna: Yes, I do.
Thomas: Do you?
Johanna: You’re the boy who follows me. You’re also Ethan’s son.

— The Only Living Boy in New York

***

Foto: Carlos Manuel Martins/Global Imagens (http://bit.ly/2kOGAC4)

Não sei se o advogado João Araújo já teve tempo para ler as mais de 4000 páginas da acusação deduzida pelo Ministério Público, no âmbito da Operação Marquês. Marques Mendes não teve. Quando João Araújo tiver tempo, pode recorrer às directrizes que aqui exponho — infelizmente, só me chegou às mãos o documento facultado pelo CM —, com um apanhado aparentemente semelhante ao do recente exercício orçamental, mas efectivamente diferente:  [Read more…]

Hermínio Loureiro e o labirinto autárquico dos ajustes directos

Com a agenda mediática focada durante vários dias na tragédia de Pedrógão Grande, a detenção do social-democrata Hermínio Loureiro quase passou despercebida. Foi deputado, secretário de Estado e presidente da Liga Portuguesa de Futebol, tendo em 2013 sido reeleito presidente da CM da Oliveira de Azeméis, cargo que abandonou em Dezembro, para surpresa de muitos. Seis meses depois, na passada Segunda-feira, Hermínio Loureiro foi detido pela PJ, juntamente com seis outros suspeitos, acusados de crimes de corrupção activa e passiva, peculato, prevaricação e tráfico de influências.  [Read more…]

O Ministério Público tem clube?


A julgar pelo que vem publicado no «Diário de Notícias», o Ministério Público tem clube e usa 2 pesos e 2 medidas conforme a entidade que estiver em causa. Ao que parece, todos os mails revelados por Francisco J. Marques já estão no Ministério Público há muito tempo, mas ninguém fez nada. Diz o jornal que «nenhuma diligência foi solicitada, nem foi agendada alguma reunião para definir uma estratégia de investigação».
Aliás, uma das teorias em circulação é a de que terá sido uma fonte da PJ, descontente com o desinteresse do Ministério Público, a passar a Francisco J. Marques os mails incriminatórios.
Eu sei que o Benfica tem muitos adeptos, são a maioria. Sei que Luís Filipe Vieira é multimilionário e extremamente poderoso – tão poderoso que tem dívidas de 500 milhões de euros que irão ser pagas sabemos nós por quem. Sei que as principais instituições políticas e desportivas do país têm benfiquistas no comando. Mas isso iliba o Ministério Público de actuar quando é o Benfica que está em causa? Isso permite ao Ministério Público assobiar para o lado e meter numa gaveta provas ou pelo menos indícios de vários crimes?
Sim. Pelos vistos, sim.
Quando foi o Porto, o Ministério Público não vacilou. Inquérito, escutas (ilegais), acusação, julgamento. Mas só para o Porto. Convenientemente, as escutas foram colocadas no youtube, mas só algumas. As escutas a Luís Filipe Vieira não. Parece que não interessava…
E afinal, à beira do actual caso de corrupção relacionado com o Benfica, o «Apito Dourado» foi uma brincadeira de menin@s. [Read more…]

Quem é o Primeiro-Ministro?


Perguntem à Maria José Morgado

Quando é que o Ministério Público entra em campo?

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O Fernando e o João  estão indignados com a resposta do Benfica  em relação ao jogo de ontem do Porto contra o Tondela. O Fernando e o João têm razão para estar indignados com o que se passou em alguns jogos do Porto na 1ª volta deste campeonato porque efectivamente ficaram alguns lances capitais por marcar que retiraram pontos ao Porto. No entanto, a partir do que se passou no passado dia 5 de Janeiro, é caso para fazer jus à Raínha Santa Isabel de Coimbra para dizer “São Rosas, senhor, São Rosas” e o gif do lance em epígrafe é um dos exemplos: como é possível transformar um puxão do Soares na camisola do defesa do tondela em penalty e amarelo e uma agressão do Soares ao mesmo jogador num segundo amarelo para o pobre Osorio? – [Read more…]

A entrevista de José Sócrates: Pulha ou pulhice?

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Vamos por partes. Desde logo, para início de conversa, penso que quem conhece o que escrevi e escrevo no Aventar (e noutros espaços) há muitos anos certamente saberá que sou insuspeito nesta matéria. Nunca apoiei José Sócrates, fui crítico de boa parte das políticas dos seus governos e fui entusiasta da sua queda em 2011. Posto isto, vamos então falar sobre a entrevista.

Eu não faço a mínima ideia se José Sócrates é culpado ou inocente daquilo que o acusam. Não conheço o processo e, confesso, não sou leitor atento do Correio da Manhã – o que não evita tropeçar com as várias notícias e matérias produzidas pelo CM em relação a este caso em tudo quanto é blogue, programa televisivo e redes sociais. Quando este processo começou nas televisões (e começou nos directos televisivos da sua prisão) cheguei a escrever duas coisas sobre o tema: a arrepiante (negativamente falando) cobertura televisiva do processo nos primeiros dias; o meu espanto ao pensar que um Primeiro-ministro (no caso um “ex”) do meu país podia estar envolvido em semelhante e por isso ter, desde logo, demonstrado algumas reservas e considerar que se devia esperar pelo normal desenrolar do processo em vez de se começar logo a “sentenciar”.

Ontem e hoje fui um daqueles que viu a entrevista com toda a atenção possível, sem reservas mentais nem quanto ao canal nem tão pouco quanto ao jornalista (dos melhores que temos em televisão, na minha opinião). Já quanto ao entrevistado, por muito que não quisesse, existiam as reservas mentais de quem foi um opositor de boa parte das suas políticas e de quem nunca votou nele. Bem pelo contrário.

E o que vi? Vi um homem amargo, ressentido mas focado. Podemos não acreditar em nada do que ele disse? Podemos. Podemos acreditar em tudo o que ele disse? Podemos. Assim sendo, o que concluir?

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Prevaricação e tráfico de influências: Miguel Macedo formalmente acusado pelo MP

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Convido o caro leitor a descer comigo até ao submundo da imbecilidade, onde a propaganda política é lei e o debate sério foi substituído pelo fundamentalismo político-partidário. Preparado? Então vamos lá: Miguel Macedo foi hoje formalmente acusado pelo Ministério Público pela prática de três crimes de prevaricação e um de tráfico de influências, o que o coloca acima de José Sócrates, contra quem nunca foi deduzida acusação, na cadeia alimentar do crime de colarinho branco. Quer isto dizer que Macedo é pior que Sócrates, o que me leva a concluir que, se Costa era colado a José Sócrates durante a campanha eleitoral, e estando o PàF ainda em campanha eleitoral, é igualmente legítimo colar Passos Coelho a Miguel Macedo, o que faz de Passos Coelho pior que António Costa no que a trafulhice diz respeito. Até porque não temos conhecimento de qualquer Tecnoforma associada ao líder do PS. [Read more…]

Será mesmo assim tão simples?

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Fiquei hoje a conhecer a história de Manuel Macedo, empresário português e antigo activista dos direitos da Indonésia em Timor-Leste, que pretende processar Portugal em 4,8 milhões de euros no Tribunal Europeu, por este (Portugal) ter sido negligente ao ponto de deixar prescrever um processo de fraude fiscal, avaliado em 6,7 milhões de euros, no qual Manuel Macedo era o principal arguido. Ah país safado! Já não te bastava ser gastador, preguiçoso e irresponsável, e agora ainda te dá para moda das prescrições?

Em declarações na sua página de Facebook, Manuel Macedo afirma em sua defesa que “o ladrão é o M. P. que deixou prescrever o processo e me meteu 6.7 milhões no bolso“. Trata-se de mais uma vítima da morosidade e inoperância da justiça portuguesa. Apesar de estar disposto a colaborar com Portugal – “Se mos tivesse exigido a tempo, eu tê-los-ia pago” – o senhor Macedo optou por deixar os seus (nossos?) euros no Luxemburgo. Mas este exemplar cidadão não se fica por aqui e ainda manifesta o seu “apoio” a um outro cidadão para que apresente queixa à PGR por este ultraje. Foram 12 anos à espera. É tempo de fazer justiça.

(…)

?

Adeus, Miró

Sim, adeus.

Não nos esqueçamos: “by decision of the Portuguese Republic“.

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Joan Miró (1893-1983)
Apparitions (Visions)
30/8/1935 (http://bit.ly/1nMBLB9)

Sim, Miró

Durante a manhã de hoje, deu entrada na secretaria do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa uma providência cautelar apresentada pelo Ministério Público. Para quê? Para deixarem de andar a brincar com coisas sérias.

José Eduardo dos Santos que meta a parceria estratégica onde melhor lhe convier

Era o que faltava que Portugal continuasse a baixar as calças a um regime corrupto e a um dos maiores cleptocratas do mundo.
O anedótico ministro Machete já ultrapassara todos os limites ao misturar, de forma abjecta, o poder político com o poder judicial. Só faltava vir Passos Coelho, no Sábado, quase a pedir desculpa a Angola e a comprometer-se a fazer tudo para que José Eduardo dos Santos reveja o fim da parceria estratégica.
Por mim, o cleptocrata-mor pode meter essa parceria onde melhor lhe convier.

O verde-tinto no seu melhor

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Numa daquelas operações de grande aparato a que estamos habituados, nada faltou. As equipas de reportagem do sr. Balsemão lá estavam à porta da garagem do Campus da Justiça da República das Bananas, aguardando o início do raid e contabilizando viaturas, magistrados, polícias e acompanhantes que partiam para uma visita “surpresa” a algumas sedes bancárias.  Com a maior desfaçatez deste mundo, a pivot da SIC Notícias foi desfiando todos os passos dados desde a partida sob os holofotes da estação televisiva, até aos quinze minutos de pausa para umas baforadas de cigarro, mesmo antes da entrada nos gabinetes a vistoriar.

Que grande surpresa deve ter sido para os aflitíssimos responsáveis pela banca!

Quem é ZON está onde?

O Expresso conta hoje mais um episódio da saga Ongoing/espionagem privada. Uma irmã de Nuno Vasconcellos terá visto devassada a sua conta bancária. Pode acontecer a qualquer um de nós, participa-se à Judiciária. Mas neste caso faz-se queixa ao irmão, que chama um empregado que descobre o IP suspeito de tal ataque e move as suas influências para obter junto da ZON a sua identificação, aparentemente através de um “espião” do SIED.

Isto é de uma enorme gravidade: chama-se fazer justiça com as próprias patas, é completamente ilegal e uma porta aberta para qualquer um destes crápulas devassar a vida online de qualquer cliente da ZON (onde me incluo) ou provavelmente de qualquer outra empresa do ramo.

O Ministério Público lavou as mãos do caso (só merece vir um destes dias a descobrir que está a sofrer a mesma devassa).

Estamos a viver no faroeste, e não nos tinham dito nada.

Ao cuidado do Ministério Público e suas otolices

Por vezes não temos nada que fazer. Como não temos nada que fazer, inventamos. Querem que vos dê a ligação para um vídeo que apareceu no youtube esta semana apelando à destruição das sedes “comunistas” no próximo dia 25 de abril? Arranjo.

Dedicarem-se a um artigo do código penal que não tem ponta por onde se lhe pegue pode eventualmente conduzir a que seja dali retirado, mas também não me parece que essa seja uma prioridade da justiça portuguesa, há coisas bem piores.

Abrir um processo a Otelo Saraiva de Carvalho, depois de ter surgido na altura a notícia de que não o fariam, só pode ser entretenimento para matar o ócio. Ora matar, mesmo o ócio, não sendo crime, fica mal a um Ministério Público que se preze.

Brincar com o fogo…

Segundo algum ruído que senti, ao de leve, nalguma comunicação social, o Ministério Público prepara-se para acusar Hulk, Sapunaru e outros jogadores do F.C. Porto por um “crime” qualquer cometido num famigerado túnel. Uma moldura penal, como gostam de dizer, que pode ir até cinco anos de cadeia.

 

Um tipo ouve umas merdas destas e fica mudo de espanto. Ou talvez não. Que rica altura para o MP se lembrar de semelhante. Realmente, a malta, desculpem a linguagem, anda virada dos cornos com coisas sérias como o desemprego, os ordenados em atraso, os clientes que não pagam, os consumidores que não compram, os bancos que são sempre os que se safam mesmo quando são/foram parte significativa do problema e a justiça, a mesma que fecha os olhos à violência doméstica, a do “macho latino” e outras pérolas do género, anda entretida com os acontecimentos do famigerado túnel da bola. É brincar com o pagode.

 

Eu repito, que rica altura. Aqui a Norte, a crise é bem forte, bem mais forte e a populaça anda capaz de cometer loucuras. Basta acender o rastilho e vai ser o bom e o bonito. Quem preferir pensar que é brincadeira minha ou ameaça de teclado não percebe ou, pior, não conhece a situação que se vive por estas bandas. A famosa retrete do Catroga à beira disto é coisa de meninos, de meninos.

 

Querem brincar com o fogo? Quem avisa…