Moção de ternura: serviço público de trocadilhos

Paulo Portas nunca perde uma oportunidade de reactivar o director de O Independente que vive dentro de si, tendo, hoje, inventado o trocadilho “moção de ternura”, acusando o Bloco de Esquerda de estar a favorecer o governo. O CDS, certamente para prejudicar o governo, absteve-se, permitindo que a moção fosse chumbada e o governo continue em funções, mesmo que continue a não governar.

O que me traz aqui hoje é poder proporcionar novos trocadilhos para as moções de censura que serão chumbadas durante o ano que se avizinha politicamente agitado. Aqui ficam sete propostas:

1. Moção de tortura – assim poderá ser designada qualquer moção de censura condenada a ser derrotada, permitindo que o País continue a ser torturado pelo mesmo governo que todos censuram, incluindo o Presidente da República;

2. Emoção de censura – há censura e há emoção, haverá queda ou não;

3. Maçã de censura – o partido que propõe a moção será comparado a Eva, ao querer oferecer ao resto da oposição o fruto proibido;

4. Missão de censura – o partido proponente considera que está a cumprir o seu dever de censurar o governo;

5. Micção de censura – nas palavras críticas dos restantes partidos da oposição, a moção não passa de uma mijinha, para além de se acentuar a metáfora excrementícia;

6. Moção impossível – assim será designada a moção de censura que se autodestruirá em pouco tempo.

7. Morcão de censura – embora a expressão seja pouco regimental, caberá a um deputado nortenho classificar assim o adversário que defender mais uma moção que será chumbada.

A moção do BE serve para quê?

José Manuel Pureza declarou hoje à Antena 1 que a direita cairá no ridículo se votar a moção de censura ontem anunciada por Francisco Louçã. Acrescentou ainda que a moção se destina a separar águas e distinguir esquerda e direita. É assim a modos que uma moção-electrólise, digo eu.

O raciocínio é mais ou menos este: nós vamos apresentar uma moção mas vocês não sejam ridículos, não votem nela. Não votem, porque se votarem, a moção faz efeito e não é para isso que a apresentamos, é só para dizer que nós somos nós e vocês são vocês. Nós chamamo-nos B. de Esquerda e vocês assumem-se de centro direita e de direita. Toda a gente sabe isso, mas  nada como uma moçãozinha para deixar claro o que todos sabem.

Dito de outra forma: se vocês votarem a nossa moção são ridículos. Caso contrário, a moção não serve para nada (antecipadamente assumido por JMB) e torna-se ridícula.

Sócrates esfrega as mãos e ri-se. Pudera.