Um governo que fala demais

merece ser censurado? Sempre seria um argumento mais aceitável do que o aproveitamento político da tragédia, por parte do CDS-PP, que culminou com a moção de censura, condenada ao fracasso, hoje apresentada no Parlamento.

Monção de sem surra

Falta-me pachorra para dissertar sobre moção de censura do CDS. Por isso, telegraficamente, limito-me a três notas:

1. Obviamente que há motivo para uma moção de censura. Se a incapacidade de resposta nesta situação não serve, não vejo que outros motivos se possam  evocar no futuro.

2. É de uma escandalosa hipocrisia ser o CDS a lançá-la, ou não tivesse sido a respectiva líder diretamente responsável pela pasta que, durante cinco anos, nada fez para resolver um problema de longa data. Perdão, fez. Piorou o panorama com a sua lei do eucalipto. Estivesse a direita no governo e já o PCP ou o Bloco teriam tomado a dianteira neste campo. Ou até talvez mesmo o PS o tivesse feito.

3. Se para o CDS a moção de censura era premente, porque é que não a fez logo depois de Pedrogão Grande? Há um número de mortos a partir do qual tal iniciativa se justifica? Deve haver, porque, segundo Cristas, nenhuma calamidade aconteceu durante os seus mandatos, como se não tivessem morrido, por exemplo, 9 pessoas em 2013 e 6 em 2012. Sim, há uma questão de escala. Mas, como muito bem lembraram diversas vozes  a propósito de Pedrogão Grande quando dissertavam sobre se havia 64 ou 65 mortos, algumas delas ligadas ao CDS inclusivamente,  “um morto é uma tragédia“.  Excepto quanto se está no governo, assim se pode depreender.

[Gráfico baseado no extracto do Relatório da Comissão Independente, disponibilizado no DN]

Lixo jornalístico III – a história da moção de censura que não era bem aquilo que parecia

DN

Não sei se foi truque ou não. Afinal de contas, estamos perante o jornal que a direita radical habitualmente acusa de alinhado à esquerda, isto apesar de pagar por colunas de opinião tão esquerdalhas como a de David Dinis, Adriano Moreira ou César das Neves. Mas é um daqueles casos em que, para aqueles que se dedicam a ler títulos, o acontecimento do dia era o início do fim da geringonça. Vi partilhas nas redes sociais a exultar o acontecimento, vi foguetes para o ar de uma série de palermas em êxtase e de peito feito porque o tempo lhes havia dado razão, enfim, quase que vi Passos Coelho sentado de novo no trono e Paulo Portas a revogar a irrevogabilidade. Entretanto, a perigosa página Os Truques da Imprensa Portuguesa (parece que a corte do ministério da propaganda anda irritada com eles, sinal que estão a trabalhar bem) já tinha denunciado o caso e, imaginem só, o DN lá acabou por corrigir a gralha. Afinal foi o PCP Madeira que apresentou uma moção de censura aos descendentes de João Jardim. Que grande chatice!

Montagem via Os Truques da Imprensa Portuguesa

Só tenho uma coisa a dizer

sapos
Pode-se escolher a cor favorita.

Moção de censura

Acabada de anunciar pelo PCP. Passos Coelho acha que os partidos estão equivocados, que os portugueses não querem eleições. Keep dreaming.

Dicas para Cipriotizar e Italianizar Portugal

Ontem, o PS resolveu fazer a triste figura de ruptura dúbia com este Memorando. Um Memorando desactualizado, evolutivo, agravado, mal ajustado aos dados e variáveis do presente? Não importa. É o que há. A palavra foi dada. A versão inicial foi negociada e subscrita por ele. Na verdade, o PS é, ele mesmo, tal como o Governo, um problema nacional e não atina no caminho, sobretudo agora que António José Seguro, acossado pela facção devorista, parisiense, pentelhista, se viu compelido a derramar palavras de capitulação e desistência do compromisso assumido sob a forma de uma emoção de censura muito mal armadilhada, talhada para paradoxalmente fortalecer o Executivo. [Read more…]

Zoologia do voto

Ainda há homens e mulheres nos grupos parlamentares do PSD e CDS? tipo homo sapiens, bípedes, com coluna vertebral e capacidade cognitiva superior?

Hoje têm uma boa oportunidade de o demonstrarem, basta ir dar uma volta no momento da votar a moção de censura, deixando em solidão os invertebrados, as minhocas que cumprindo a sua função biológica serena e constante de  detritívoro irracional, transformam o esterco em húmus a consumir pelas relvas e outras cada vez mais viçosas plantas daninhas, nomeadamente germânicas, e muitos bancos.

minhoca

Pode ser uma dúvida irracional da minha parte, mas assim sou: um ateu ainda crente nos milagres humanos. E se o PS acredita nos ilhéus, estendo a minha fé aos restantes.

Tristes!

O PS votou contra a moção a pedir a demissão do governo mas, num golpe palaciano, vai apresentar uma moção de censura que, já se sabe, será chumbada.

Dúvida

Será que o PS se vai abster violentamente na sua própria moção de censura ao governo?

O PS e a moção de censura

Não é surpresa o posicionamento do PS e António José Seguro até terá explicitado de forma clara os seus argumentos:

há três “questões inegociáveis”: Portugal deve continuar na União Europeia e na zona euro, deve honrar as metas do memorando e deve pagar a dívida. “Quem não concordar com isto não pode contar com qualquer convergência do PS”, afirmou.

Como já por aqui escrevi, creio que a melhor solução é a continuação de Portugal na Europa e no Euro. Defendo também que Portugal deve pagar o que deve. Estou por isso mais próximo do PS do que das posições do BE e do PCP. Sinto-me tentado a concordar com o voto não à moção de censura, que aliás, parece a repetição de um filme já visto e que, sabemos hoje, correu muito mal.

Tenho uma divergência de fundo com José Seguro – as metas do memorando não podem ser honradas sob pena de perder totalmente qualquer possibilidade de cumprir as outras duas. Temos que nos unir a Espanha, Itália e Grécia. Juntos deveremos INFORMAR os credores que o pagamento será feito, mas com as condições definidas por nós!

Parabéns PCP

Paulo Portas afinal ainda existe. Está e mentir na AR como há muito tempo se não via.

Os traumatizados da Moção de Censura

Não faremos portanto o que há um ano nos fizeram a nós e sobretudo porque pomos à frente o interesse nacional“, Silva Pereira, defendendo a abstenção violenta do PS.

Tudo farinha do mesmo saco

Seguro não vota contra o governo. É a abstenção violenta mas construtiva.

Resultados da votação da moção de censura do BE

Correu tudo como se previa, BE, PCP e Verdes votaram a favor, PS contra, PSD e CDS abstiveram-se. Tudo previsível e sem novidades. Siga a música, que os dançarinos são os mesmos.

Crónica de uma moção chumbada

Crónica de uma morte anunciada Ontem na Antena 1, quanto ao anúncio da moção de censura a apresentar daqui a um mês depois, Francisco Louçã questionou como ser possível que o PSD e o CDS afirmem não a viabilizar sem conhecerem o respectivo texto. Mas ainda há dias José Manuel Pureza, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, afirmou explicitamente que o PSD cairá no ridículo se apoiar a moção de censura. Vemos que para uma coisa é relevante conhecer-se o texto da moção mas para outra já não.

Nessa mesma entrevista à Antena 1, Maria Flor Pedroso perguntou a Louçã porque é que, se como ele dizia, o texto da moção terá uma “fundamentação ideológica e de esquerda”, não dialogaram com o PCP, que já se havia manifestado disposto à apresentação de uma moção de censura, conseguindo assim maior unidade à esquerda. Com algumas evasivas, acabou por passar a ideia de que não o fizeram porque não o tinham que fazer, já que apresentar uma moção é um direito de todos os partidos. Percebe-se que a questão da iniciativa importa de sobremaneira. [Read more…]

Um teatro de sombras

Por Santana Castilho*

Tudo se passa entre a luz e a tela. É lá que se manipulam os bonecos, no teatro de sombras. O espectador, sentado passivamente diante da tela, vê as sombras.

Comecemos pelo primeiro acto, a moção de censura. Por definição, é um instrumento parlamentar de derrube do Governo. Mas com os bonecos manipulados por trás e por baixo, como se faz no teatro de sombras, deu belos efeitos: demitiram-se uns de uma coisa que já não é Bloco; vitimizou-se outro de outra coisa que já não é Governo; e comprometeu-se a terceira coisa, a Oposição, que vai manter um Governo paralisado. Eis a realidade do que vai ser chumbado para além da tela. Intestinamente impedido de votar a favor qualquer censura proposta pelo PSD ou CDS, o número do Bloco fez sentido e valeu o risco da apalhaçada pirueta de Louçã: quando chegar a hora de uma moção de censura séria, o Bloco já se pode abster sem que o acusem de ajudar o Governo; marcou terreno antes do PCP e esclareceu que o apoio a Alegre foi tão-só erro de “casting” e nada de estratégico quanto ao PS. Este acto teve fim moralizante: o Bloco demonstrou que existe para não existir. [Read more…]

A moção de censura e as acrobacias da direita

Foto-de-pirueta-na-praiaUma moção de censura ser um frete ao governo que pretende derrubar, faz todo o sentido. Tal como deixar passar o orçamento foi uma genial armadilha onde tropeçou o mesmo governo. Recusar uma moção de censura que ainda ninguém leu (e que, aposto, ainda nem foi escrita), implica muita pirueta e cambalhota.

Chega ao ponto de toda a gente descobrir, tipo revelação divina, que o Bloco de Esquerda funciona internamente como todos os outros partidos, com uma democracia de treta, pese a nuance de na prática ser uma coligação de três organizações, o que tendo vantagens não muda muito a sua natureza.

A partir de hoje uma coisa fica muito clara: Pedro Passos Coelho não é o líder do maior partido da oposição, mas sim o abstencionista que deixa passar o orçamento e o governo. Quanto a Paulo Portas nem isso: se lhe dessem hoje o lugar dos ainda ministros dos negócios com alguns estrangeiros, ou da administração das bacoradas eleitorais, amanhã o governo teria maioria absoluta.

Que entrem os trapezistas, porque os palhaços estão garantidos

O BE avança com uma moção de censura. O PCP ameaça com uma outra moção. O CDS diz que se abstém. O PSD vai seguir o mesmo caminho.

Na conferência de líderes de hoje foi necessário o ministros dos censurados lembrar ao chefe dos censuradores que era preciso agendar a censura.

O BE quer mesmo debater a moção de censura ou o ministro Jorge Lacão já joga na equipa Louçã? Ou andam apenas a entreter o povo, tipo valha o circo, porque o pão está esgotado?

Moção de censura do BE faz vítimas no… BE

No dia seguinte à apresentação da intenção de moção a trinta dias do BE, a propósito das declarações de J. M. Pureza, escrevi num comentário a um post meu

Dá a sensação de repentismo e improviso, um pouco como se JMP viesse à pressa apagar um fogo que F. Louçã ateou ontem.

A demissão, hoje, do membro da mesa nacional do BE Paulo Silva vem confirmar o que eu suspeitava. Mas não só. Vem confirmar, se ainda fosse necessário, que o partido que se apresentou há uns anos reinvindicando uma postura e uma ética diferente dos outros partidos políticos é, agora e nesse sentido, farinha do mesmo saco, roída pelo mesmo bicho.

Do ponto de vista ético e de seriedade política, o Bloco vem perdendo – não apenas agora – legitimidade para criticar as derivas dos outros, chamem-se eles José Sócrates ou Paulo Portas. A continuar assim assistiremos ao progressivo esvaziamento do Bloco de Esquerda.

Isso acontecer numa  altura em que o descontentamento popular atinge valores muito elevados é prova de grande inabilidade política.

Cartão de S. Valentim

Cartão de S. Valentim

Afinal este ano é o ano que vem

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, esse grande e imbatível especialista em derrotas eleitorais, o PSD não pode votar a moção de censura porque não está preparado para ganhar eleições. Tem de fazer uns estados gerais, mudar os estatutos e mais umas arrumações na casa. Ah, e o interesse nacional, o interesse nacional pelos vistos este ano é mais Sócrates.

Donde se conclui que, para Jessica Rebelo de Sousa, o ano do Coelho foi adiado para 2012, porque no outono sim, as papeladas do PSD estarão tratadas, e chumba-se o orçamento.

Espero que os chineses não fiquem chateados com esta falta de respeito pelo seu calendário. É que se ficam ainda pedem a dívida de volta, e lá vai o interesse nacional pró galheiro.

O poker da moção de censura

poker da moção de censura

«José Manuel Pureza sublinha que a direita “cairá no ridículo” se apoiar moção de censura» [Antena 1]

A moção do BE serve para quê?

José Manuel Pureza declarou hoje à Antena 1 que a direita cairá no ridículo se votar a moção de censura ontem anunciada por Francisco Louçã. Acrescentou ainda que a moção se destina a separar águas e distinguir esquerda e direita. É assim a modos que uma moção-electrólise, digo eu.

O raciocínio é mais ou menos este: nós vamos apresentar uma moção mas vocês não sejam ridículos, não votem nela. Não votem, porque se votarem, a moção faz efeito e não é para isso que a apresentamos, é só para dizer que nós somos nós e vocês são vocês. Nós chamamo-nos B. de Esquerda e vocês assumem-se de centro direita e de direita. Toda a gente sabe isso, mas  nada como uma moçãozinha para deixar claro o que todos sabem.

Dito de outra forma: se vocês votarem a nossa moção são ridículos. Caso contrário, a moção não serve para nada (antecipadamente assumido por JMB) e torna-se ridícula.

Sócrates esfrega as mãos e ri-se. Pudera.

Qual incoerência, precisam de tradutor?

“Sabemos que no dia em que estamos a discutir não tem qualquer utilidade prática a apresentação de uma moção de censura”, disse Louçã. Que acrescentou: “Apresentaremos sempre alternativas e não nos pronunciaremos sobre moções de censura que não existem ou sobre intenções vagas de apresentação por este ou aquele partido.”

Disse Francisco Louçã no dia 5, e anda meio mundo a disparar que o anúncio hoje feito da apresentação de uma moção de censura entra em contradição com esta frase. Quando o Bloco volta a ser de Esquerda, sinto-me na obrigação de explicar aos não falantes da língua portuguesa que: [Read more…]

Moção de Censura fresquinha

Vindo do fundo do pelotão o Bloco de Esquerda passa da ameaça velada à concretização e vai apresentar uma moção de censura ao governo dentro de um mês.

Vamos assistir ao milagre da multiplicação das moções, aposto. PCP, PSD e CDS, sentir-se-ão ultrapassados, e cada um terá a sua, mais coisas menos coisa.

E alguma será aprovada? Duvido. Mas vai ser entretido ver se passam ou não. E como em barco à deriva os náufragos são dados à asneira, vamos ver quantos friportes nascem e quantos sobreiros à portucale são abatidos.

Ora dizia eu ontem que…

…me parecia que o PCP se dispõe a apresentar uma moção de censura a ver se o BE a vota ou não, não sendo previsível que vote uma moção do PSD.  Entretanto Jerónimo de Sousa já explicou:

as “forças de direita” que não contem como o PCP para “um ensaio e uma manobra de tomada de poder”.

Não, não consultei as mamas da Maya; um bocadinho de História recente de Portugal é que não faz mal a ninguém

Parece, parece, e por vezes o que parece é

a rã e o escorpião Parece que o PCP se prepara para apresentar uma moção de censura ao governo. Não parece, mas é óbvio, que CDS e PSD se irão abster (votar uma moção contra a política de direita do governo, o grande capital financeiro e a submissão aos especuladores internacionais não está na natureza dos que alternam na defesa dessa mesma política). O BE nessas circunstâncias votará a favor, a menos que a sua direcção política tenha sido assaltada pela ex-Política XXI e os refugiados alegristas, o que não parece ser o caso, pelo menos para já.

Que o PSD também avance com uma moção de censura é possível. Que o PCP a não votará favoravelmente é óbvio. O resto é conversa.

Porque é que estas coisas me parecem assim? porque dei uma vista de olhos numas caixas de comentários, e também porque conheço a fábula da rã e do escorpião, e já agora, um bocadinho da História de Portugal no século passado.

Ian Curtis – Joy Division

Votar favoravelmente a moção de censura a um governo que manifestamente é incapaz, parte do problema e que agrava a situação, seria o mínimo exigível. Se há justificação para medidas de emergência seria a rápida alteração da legislação eleitoral de forma a que as eleições possam ser convocadas e realizadas num espaço de 30 dias.

Recordo, neste dia de memória, algo genial:

Apresentem vocês uma moção de confiança

Resolveram-vos o vosso principal problema, o dos professores. Aprovaram-vos o principal instrumento da governação, o Orçamento. O que querem mais, meus senhores? Mordaças é para os vossos amigos da comunicação social. Os da Controlinveste e quejandos.
Querem uma moção de censura? Queriam, não queriam? Olhem, parafraseando o outro, apresentem vocês uma moção de confiança e, já agora, besuntem-se nela!