A moção do BE serve para quê?

José Manuel Pureza declarou hoje à Antena 1 que a direita cairá no ridículo se votar a moção de censura ontem anunciada por Francisco Louçã. Acrescentou ainda que a moção se destina a separar águas e distinguir esquerda e direita. É assim a modos que uma moção-electrólise, digo eu.

O raciocínio é mais ou menos este: nós vamos apresentar uma moção mas vocês não sejam ridículos, não votem nela. Não votem, porque se votarem, a moção faz efeito e não é para isso que a apresentamos, é só para dizer que nós somos nós e vocês são vocês. Nós chamamo-nos B. de Esquerda e vocês assumem-se de centro direita e de direita. Toda a gente sabe isso, mas  nada como uma moçãozinha para deixar claro o que todos sabem.

Dito de outra forma: se vocês votarem a nossa moção são ridículos. Caso contrário, a moção não serve para nada (antecipadamente assumido por JMB) e torna-se ridícula.

Sócrates esfrega as mãos e ri-se. Pudera.

Comments


  1. O Bloco de Esquerda, mais do que ter jogado em antecipação em relação ao PCP, só fez um favor a todos os portugueses (isto de apesar de existirem muitos que ainda querem a escumalha do Largo Rato no poder).
    Eu sou daqueles que defende, há uns anos a esta parte,o total descaramento de um indivíduo chamado José Sócrates na política e na nossa vida pública. E mais do que qualquer outro caso (e foram e ainda são muitos) a forma como pretendeu explicar a sua pseudo-licenciatura disse tudo. Desde o ataque a uma jornalista (MMGuedes) à defesa de outro (João Marcelino), passando pela certificado ao domingo ou de ter um professor para 4 ou 5 cadeiras, ele tem comprovado que é um mentiroso compulsivo, para não lhe chamar trafulha-ladrão por outras implicâncias em casos mediáticos.
    Portugal já tinha batido no fundo com Jorge Sampaio em termos políticos, mas com José Sócrates os portugueses (ao votarem nele) só têm ajudado a sermos mais pobres a todos os títulos.
    Por último, por favor, parem com a treta que este é de de esquerda ou aquele é de direita, pois está mais que visto que a política em Portugal é só mesmo para distribuir sem qualquer mérito tachos e mais tachos.

  2. A. Pedro says:

    Eu não condenei a iniciativa do BE, nem sequer o seu taticismo – que o é – em relação ao PCP.
    Falo das declarações de J. M. Pureza que, não nos esqueçamos, é líder parlamentar do BE. Ao fazê-las, menos de vinte e quatro horas depois do anúncio, JMP esvazia a moção antes, sequer, de obrigar os outros partidos ao debate e a clarificar posições.
    Desta forma parece-me inócua, não ganha a esquerda e permite que a direita, especialmente o PSD, não se defina nem se contradiga. Dá a sensação de repentismo e improviso, um pouco como se JMB viesse à pressa apagar um fogo que F. Louçã ateou ontem.

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  1. […] dia seguinte à apresentação da intenção de moção a trinta dias do BE, comentando as declarações de J. M. Beleza, escrevi num comentário a um post meuDá a sensação de repentismo e improviso, um pouco como se […]

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