Se dependesse dele, seria um padreco a mandar no país

O padre malícias a dar cartas. Já agora, acrescento: Ó Tomás, isso não se faz!

Não há dinheiro que pague o que sofreu…

… mas ganha muito bem.

Depois do BPN, BPP, BES e BANIF, supõe-se que exista um forte controlo sobre os produtos bancários, certo?

Errado.

Tal como explica Helena Garrido na Antena 1, aos balcões da Caixa Económica do Montepio Geral está a ser vendido um produto chamado “Capital Certo”, o qual de certo apenas tem o risco associado.

Com efeito, o produto em causa não é do banco, mas sim da Associação Mutualista, estando a ser publicitado no banco como tendo retorno  de investimento garantido. Acontece que as letras miudinhas referem que é preciso ler as condições e estas, depois de uma vastidão de páginas (cerca de 40), com complicadas condições, dizem que o retorno, afinal, não é garantido.

Mas ainda pior é o Banco de Portugal ter proibido a venda deste tipo de produtos  aos balcões dos bancos e este continuar a ser vendido. E, igualmente inacreditável, é o produto não estar sujeito a nenhuma fiscalização.

Será que não se aprende nada neste país? E admite-se que a lei, tão escrupulosamente aplicada aos cidadãos, seja apenas uma linha de orientação para a banca, ainda para mais depois das fraudes por ela praticadas?

A revista Proteste já recentemente tinha alertado os clientes para se manterem afastados deste produto. Apesar de, em 2013, ter afirmado que o “Montepio Capital Certo é uma alternativa de poupança a considerar“. Sendo o mesmo produto, é caso para, novamente, se questionarem as recomendações desta revista.

Aqui fica o podcast com os detalhes do caso.

Leitura adicional:

– Montepio vende produtos da mutualista sem distinção clara face a depósitos (Público)

– Qual é coisa, qual é ela, parece o Montepio, mas não é o Montepio? (Eco)

EDITADO (corrigida gralha no título)

Fidúcia

“É normal e totalmente seguro ter créditos sem garantias”

Sim, é muito normal os bancos emprestarem sem garantias.
Que o digam os empresários portugueses, sempre que pedem financiamento bancário: quais avais, hipotecas ou fianças?…

Pedido de desculpas ao Montepio Geral

A propósito do meu texto ‘Assaltantes a Bancos – Prefere internos ou externos?’ de 6 de Abril, recebi um e-mail do Montepio Geral / Carlos Ribeiro. Refere que cometi um grave erro, porque ‘a Associação Mutualista do Montepio Comercial e Industrial nada tem a haver com o Montepio Geral, porque este, há anos, comprou apenas àquela associação a componente bancária e não a mutualista’.

Do erro, que de resto também foi induzido pelo que li na imprensa, peço públicas desculpas ao Montepio Geral, a todos os seus órgãos dirigentes e trabalhadores.

Acrescento, todavia, que a substância do texto permanece válida, uma vez que as fraudes internas são muito mais pesadas para as instituições financeiras e erário público do que os assaltos a balcões. Felizmente o Montepio Geral, o meu Banco, não está incluído nisto.

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