Depois do BPN, BPP, BES e BANIF, supõe-se que exista um forte controlo sobre os produtos bancários, certo?

Errado.

Tal como explica Helena Garrido na Antena 1, aos balcões da Caixa Económica do Montepio Geral está a ser vendido um produto chamado “Capital Certo”, o qual de certo apenas tem o risco associado.

Com efeito, o produto em causa não é do banco, mas sim da Associação Mutualista, estando a ser publicitado no banco como tendo retorno  de investimento garantido. Acontece que as letras miudinhas referem que é preciso ler as condições e estas, depois de uma vastidão de páginas (cerca de 40), com complicadas condições, dizem que o retorno, afinal, não é garantido.

Mas ainda pior é o Banco de Portugal ter proibido a venda deste tipo de produtos  aos balcões dos bancos e este continuar a ser vendido. E, igualmente inacreditável, é o produto não estar sujeito a nenhuma fiscalização.

Será que não se aprende nada neste país? E admite-se que a lei, tão escrupulosamente aplicada aos cidadãos, seja apenas uma linha de orientação para a banca, ainda para mais depois das fraudes por ela praticadas?

A revista Proteste já recentemente tinha alertado os clientes para se manterem afastados deste produto. Apesar de, em 2013, ter afirmado que o “Montepio Capital Certo é uma alternativa de poupança a considerar“. Sendo o mesmo produto, é caso para, novamente, se questionarem as recomendações desta revista.

Aqui fica o podcast com os detalhes do caso.

Leitura adicional:

– Montepio vende produtos da mutualista sem distinção clara face a depósitos (Público)

– Qual é coisa, qual é ela, parece o Montepio, mas não é o Montepio? (Eco)

EDITADO (corrigida gralha no título)

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Caro J. Manuel Cordeiro.
    Se se não cumpriu a decisão da dita da Justiça que é prender quem foi julgado por crimes praticados e provados, com sentença clara e inequívoca de prisão efectiva, quer que haja regulação?
    Recordo para os mais distraídos – e anda por aí muita gente que o anda – , que figurões tais como José de Oliveira e Costa e Armando Vara, condenados respectivamente a 14 e 4 anos de prisão efectiva por crimes financeiros, apesar de condenados, gozam de perfeita liberdade e sobra-lhes tempo ainda para gozar na nossa cara.
    Quer mesmo que os Srs deputados se debrucem sobre a regulação da Banca?
    Por favor caro J, Manuel Cordeiro: Não brinque com coisas sérias…
    Esta é a actuação deita democrática do Arco da Governação. O resto, é paisagem.

  2. Mr José Oliveira Oliveira says:

    Pois. Isto só mostra que a banca é aquela entidade que manobra acima das leis. De facto, a actividade bancária é demasiado importante para permanecer em mãos privadas.
    Ah! Claro! Depois ainda vem aí a célebre “integração bancária” onde o bom aluno Centeno aposta tudo para agradar ao Diktat.
    Com amigos assim…
    Não esbanjámos….Não pagamos!!!!

  3. Rui Naldinho says:

    http://expresso.sapo.pt/revista-de-imprensa/2018-01-17-Montepio-recusa-dar-dados-para-avaliacao-de-riscos-de-investimento-pedidos-pela-Santa-Casa
    Ao ler a notícia esta manhã no Expresso, versão digital, fiquei a perceber como tudo está na mesma, depois do último trambolhão.
    Percebe-se a olho nu que quem nos governa, do BdP ao governo, o problema é sempre mais esconder a marosca, do que corrigir os erros.
    Há uns anos, um amigo meu gestor de empresas disse-me que provavelmente em Portugal todos os Bancos estariam falidos sem as ajudas governamentais e da Troika. Achei um exagero a sua afirmação na altura. Hoje já tenho dúvidas se ele não teria razão

    • Paulo Marques says:

      Em Portugal? Na europa inteira. Acha que andamos, os trabalhadores europeus, a pagar o quê à 10 anos? E continuam todos falidos e a pagar grandes ordenados por tão boa gestão.


      • Para além do interesse maior do conteúdo deste post, tb estou atenta a pormenores importantes :
        : ) uma pequena correção gramatical, senhor Paulo Marques :
        “a pagar o quê à 10 anos?” ou ” a pagar o quê —há — 10 anos ? “

        • Paulo Marques says:

          Tenho quase a certeza que nunca acertei na regra neste caso desde que nasci – com ou sem desacordo ortográfico.

          • Rui Naldinho says:

            Você acertar, acerta, Paulo. Eu sou dos que mais vezes meto a argolada, (agradeço sempre a quem me corrige), mas faço-o mais por preguiça em reler o que escrevi, ainda que depois não possa alterar, do que por outra coisa qualquer.
            Toda a gente sabe que existe o “Há” do verbo haver, e o “à” contracção da preposição do artigo definido “a”.
            Em caso de dúvida, devemos sempre contextualizar a frase, simulando-a até noutras similares, para percebermos se ali está subentendido um “há de existir” ou um “à de ligação”.
            A pressa é que é inimiga das boas práticas. E isso não há santo que nos valha.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro Paulo Marques.
        Se me permite, sem qualquer pretensão da minha parte, dou-lhe uma sugestão para se não enganar.
        Se o “à” ou “há” tiver sentido de “existe”, é sempre “há”. Caso contrário, é “à”.
        EXº – Estou á varanda ou, estou há dez minutos à espera.
        Cumprimentos.

  4. ZE LOPES says:

    Não se pode estar descansado enquanto este tipo de produtos bancários forem menos regulados e controlados que a raspadinha…


  5. “…Depois do BPN, BPP, BES e BANIF…”
    Só não sei se é intencional ou se é de origem ideológica o esquecimento do banco que mais dinheiro custou aos portugueses .
    Claro … já se estão a lembrar? Sim exactamente… a CGD.
    Assim só de memoria :
    nos 3 anos anteriores a 2011 …… 2000 milhões
    em Dez de 2011 ………………………..550 milhões
    em 2012…………………………………1000 milhões
    agora recentemente ………………..5900 milhões

    Isto dá quê ? Prá’i a soma do BPN + BPP + BANIF e ainda sobra uns trocos para o BES.

    Como é possível esquecer esta falência ? Ah pois é já me esquecia uma empresa do Estado nunca vai á falência , o que vai á falência é o Estado.

    Post scriptum: A esquerda odeia tanto o Capitalismo que não permite a divulgação da lista dos grandes devedores à CGD.

    Rui Silva

    • ZE LOPES says:

      Ó Xô SIlva isso é por causa do mercado e tal, porque pode ser mau para os empreendedores visados e tal, que, lá por terem estado em dificuldades e tal, por causa do Estado esquerdalho e tal não quer dizer que os empurrem para a falência e tal, porque são eles que criam riqueza e tal, há que deixar o mercado funcionar e tal, o Estado não tem agora que se meter e tal…


    • Só se esqueceu do pequeno detalhe dos prejuízos da CGD terem servido para… pagar os prejuízos da banca privada. Ah pois é. E também se esqueceu de referir que a caixa dava lucro antes de andar a encher o bolso dos privados.


      • Não me esqueci não.
        Quem me parece esquecer dessa realidade, são as forças que impedem uma simples divulgação dos devedores (evidentemente provados) da CGD e defendem a “cósmica necessidade” que o maior banco nacional seja do Estado.

        Rui Silva

    • Nascimento says:

      Oh Ruizinho mê filho, nã te preokupes ôme, porque tá lá o
      ” Duce”, tão krido tanto da dirêta passista, come da esquerrrrda das pps/…Porra. A outra esquerrrda tá a fazer pela vidinha… vêm aí eleições.

    • Ohnidlan Iur says:

      Isso é para chegares a que conclusão?
      Que os larápios do PSD são um “cagagésimo” menos ladrões, que os do PS, ficando dessa forma desculpados dos seus crimes?
      Acresce que na CGD houve vários os gamadores. Dos ruinosos negócios da Caixa Geral de Depósitos em Espanha, do Sr. Faria de Oliveira, aos Socráticos Carlos Santos Ferreira//
      Armando Vara.
      Sempre a tentares “embalsamar alguns esqueletos”, enquanto espalhas as ossadas de outros pelas redes sociais, como se nós não soubéssemos o que a casa gasta.
      Ó SIlva (com i maiúsculo), enxerga-te pá!

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