Público e privado

Vai longa a discussão sobre a manifestação junto de políticos em férias ou, num sentido mais amplo, a confusão entre o cidadão e o político.

E se acho irónico que a direita procure colocar em causa a liberdade de um cidadão se manifestar e de mobilizar outros só porque pertence a um partido ou a um sindicato, concordo com os que criticam o ataque à dimensão privada de um político.

Digo, por brincadeira, que as manifestações são o meu desporto favorito, mas nunca o faria junto de uma pessoa no plano pessoal, tal como sempre me recusei a participar em manifestações junto de momentos partidários, fossem elas no PS de Sócrates ou no PSD de Passos Coelho.

Entendo no entanto, que o actual governo está a brincar com o fogo e por isso será cada vez mais complicado gerir estas margens de cidadania.

O alvo de uma luta deve e tem que ser o poder executivo e, ou o poder legislativo. O cidadão Passos Coelho ou o partido PSD não devem ser o alvo. Mas isto tem que valer para um lado e para o outro – não podem querer ser cidadãos e depois ignorar as lutas e os  protestos quando estes respeitam “as regras.”

Quando temos Ministros que se recusam a receber organizações, sindicatos e movimentos, estão mesmo a pedi-las…

E o Irão, como poderá evoluir?

Não são só os aguerridos movimentos de oposição democrática que representam uma ameaça para o regime, os movimentos separatistas de regiões multi-étnicas, Curdos, balúchis,Azerbaijanas e Árabes que constituem 44% da população do país, dominado pelos Persas, são uma ameaça maior.

Trabalhando em conjunto, movimento democrático e movimentos separatistas poderão constituir uma alternativa muito séria, mas que até agora têm sido dominados pelas elites religiosas, militares e comerciais Persas que  têm negado o apoio às exigências das minorias.

Um dos objecticos é a autonomia regional sob a Constituição existente, outro é uma confederação de estados e, por último, a independência. São estes movimentos separatistas que os US estão a alimentar com armas e dinheiro “os americanos estão ocupados a construir uma conspiração.”

O pano de fundo desta situação é um regime totalitário, dominado pelos extremistas religiosos e com um plano militar nuclear de que todos têm medo. Se os movimentos de oposição interna mantiverem a pressão, organizando-se e juntando-se, é muito possível que se abra uma janela de oportunidade que leve Israel e os US a atacarem e destruírem as zonas de  desenvolvimento nuclear. Isto seria o fim do regime!

A repressão parece ser o único caminho que resta ao regime para sobreviver, já que a negociação é praticamente impossível e a revolução vai intensificar-se o que poderá levar a um estado de “rebelião generalizada.”

PS: Selig S.Harrison no i