Público e privado

Vai longa a discussão sobre a manifestação junto de políticos em férias ou, num sentido mais amplo, a confusão entre o cidadão e o político.

E se acho irónico que a direita procure colocar em causa a liberdade de um cidadão se manifestar e de mobilizar outros só porque pertence a um partido ou a um sindicato, concordo com os que criticam o ataque à dimensão privada de um político.

Digo, por brincadeira, que as manifestações são o meu desporto favorito, mas nunca o faria junto de uma pessoa no plano pessoal, tal como sempre me recusei a participar em manifestações junto de momentos partidários, fossem elas no PS de Sócrates ou no PSD de Passos Coelho.

Entendo no entanto, que o actual governo está a brincar com o fogo e por isso será cada vez mais complicado gerir estas margens de cidadania.

O alvo de uma luta deve e tem que ser o poder executivo e, ou o poder legislativo. O cidadão Passos Coelho ou o partido PSD não devem ser o alvo. Mas isto tem que valer para um lado e para o outro – não podem querer ser cidadãos e depois ignorar as lutas e os  protestos quando estes respeitam “as regras.”

Quando temos Ministros que se recusam a receber organizações, sindicatos e movimentos, estão mesmo a pedi-las…

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    O voto não lhes deu apenas o direito de se sentarem na “cadeira” – e os direitos dos cidadãos vão além disso podendo também dizer-lhes que a “cadeira” é demasiado grande para rabo tão pequeno e que um dia levarão mesmo um pontapé do rabo ou então pedir ao Luisão que dê uma “ajuda” – e que aprendam “do’nt take it for granted”

  2. edgar says:

    O direito de protestar.

    A violência gera violência! E a violência destas políticas está a levar os portugueses ao desespero.
    Segundo vários órgãos de informação, o desemprego real atinge 1 em cada 4 dos portugueses activos, no total de mais de 1 milhão e 300 mil.
    Se a nossa sensibilidade nos permitir imaginar o que sentem estes trabalhadores, bastará dar olhar um pouco mais longe e incluir neste pesadelo centenas de milhares de reformados, outras centenas de milhares de funcionários públicos e muitas centenas de milhares de outros trabalhadores que vão empobrecendo a trabalhar, de pequenos empresários no limiar da falência, de jovens sem qualquer perspectiva de futuro.
    Quantos milhões de portugueses estão a ser violentamente agredidos por estas políticas, enquanto se disponibilizam para apoio ao capital financeiro dezenas de milhares de milhões de euros.

    Já ultrapassamos a situação descrita no poema de Martin Niemoller: “primeiro vieram buscar os comunistas …”

    Denunciar estas políticas, lutar pela renegociação da dívida, exigir o respeito pela Constituição da República e pela soberania nacional são hoje, além de dever de solidariedade, cada vez mais, exigência de sobrevivência futura.


  3. Caros comentadores, obrigado pelos comentários. Subscrevo integralmente o que escrevem. Claro. Basta, aliás, ler o que aqui vou escrevendo para perceber isso. O meu ponto é outro. É a relação entre a dimensão privada e pública dos políticos.JP

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