É só fazer as contas

O offshore da Madeira perdeu 360 milhões de euros em 3 anos, diz ele. A Madeira perdeu 500 milhões de euros de fundos comunitários, diz a realidade.

Merkel já dá palpites sobre o cozido à portuguesa

Aquela variante do homo sapiens sapiens que conduz o destino da Alemanha (para perder mais tarde ou mais cedo uma guerra, que isso é destino) abriu a boca para falar da Madeira.

Na ausência de moscas até pode parecer que não soltou disparate. Mas saiu, por omissão: a Madeira teria muito mais fundos comunitários para gastar (provavelmente mal, mas isso não é novidade nenhuma e é problema nosso, que não discuto o que faz a Alemanha aos seus) se um mirífico offshore não lhe tivesse aldrabado o PIB. E com mais esses 500 milhões nem o Alberto João conseguia gastar tudo em estradas, até porque teriam de ser utilizados no combate à pobreza (mais desvio, menos desvio, é verdade). Mas os offshores, a vigarice de forma e em forma do capitalismo actual, dão jeito a toda as merkles do mundo.

Entretanto vou-me sentar confortavelmente à espera, a eternidade ainda demora um bocadinho, que alguém no governo do meu país explique à gaja que ainda não chegou à Madeira. Embora pela parte que me toca, se votarem os naturais por fazer da ilha um protectorado alemã, nada a obstar; excepto as Selvagens, saibamos ficar com o que ainda não foi betonizado e sempre é o nosso extremo sul, pode fazer falta.

Offshore da Madeira, o porto de abrigo dos piratas

Sabe quem ganha com o offshore da Madeira? sabe que o director regional de impostos da Madeira está acusado pelo Ministério Público de evasão fiscal?  Sabe porque não recebe a Madeira 500 milhões de euros de fundos comunitários para combater a pobreza? Sabe que os nossos governos deixam estes vigaristas fugir aos impostos e branquear dinheiro sujo, incluindo criminosos internacionalmente perseguidos, porque isso inflaciona o nosso PIB? Mais de 2000 milhões de euros roubados a todos nós, ou seja: mais do que vai ser cortado nos ordenados da função pública  fazem parte das suas preocupações?

Ouça uma destas entrevistas com o autor de Suite 605. Vai ver que lhe dói, e não é pouco.

Antena 1 – Entrevista a João Pedro Martins

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via Andreia Peniche

PEC: Bagão Félix à Esquerda de Sócrates

Ouvi hoje Bagão Félix na rádio e é impossível não concluir que um ex-governante do CDS consegue estar à Esquerda de um primeiro-ministro do PS, Partido dito Socialista. Não é primeira vez que Bagão consegue estar à Esquerda de Sócrates – já se viu o mesmo aquando da aprovação do Código do Trabalho.
A propósito do PEC e das medidas para diminuir o défice, Bagão apontou duas medidas: aumento dos impostos sobre transacções de bens de luxo e cancelamento do 13.º mês para os ricos. Medidas justíssimas, porque afectariam apenas as pessoas com elevados rendimentos.
A estas duas, acrescentaria eu uma outra, tão justa como as anteriores: o aumento dos impostos à Banca, que em média paga metade do IRC das restantes empresas. Um dos maiores escândalos do Portugal pós-25 de Abril, sendo curioso verificar, para quem tiver memória, que foi Manuela Ferreira Leite, ao contrário do actual Governo, quem teve a coragem de aumentar, ligeiramente, é certo, a tributação dos Bancos no offshore da Madeira.
Eu tinha vergonha, muita vergonha mesmo, de me considerar de Esquerda e, ao mesmo tempo, defender um Governo que mantém os escandalosos benefícios fiscais dos Bancos ao mesmo tempo que diminui o subsídio de desemprego.