Por que é que o Pais do Amaral não ajuda quem lhe pede ajuda?

Eis a pergunta que a Judite de Sousa pode fazer numa das suas próximas entrevistas.
A Pais do Amaral. Ou a Belmiro de Azevedo. Ou a Américo Amorim. Ou a Ricardo Salgado.
Há tantos a quem pode perguntar isso. Não acredito é que tenha coragem.

Rangel e Pais do Amaral ajudaram a perceber melhor o actual Portugal

Emídio Rangel disse aquilo que muitos pensam: as fugas ao segredo de justiça nascem dentro do sector da justiça. A Associação Sindical dos Juízes Portugueses não tardou a acusar o toque na ferida e vai processar Rangel.

Rangel disse mais: que há jornalistas que se deixam comprar por agências de comunicação ao serviço de partidos. Deve saber do que fala. Num registo de buldozer, atirou a todos: ao ‘Sol’, ao falecido ‘Independente’, de Paulo Portas, a José Manuel Fernandes, ex-director do ‘Público’, ao ex-presidente da RTP, Almerindo Marques, a quem acusou de o sanear politicamente. Almerindo, claro, terá outras explicações para a saída de Rangel.

Pais do Amaral, num estilo bem mais tranquilo, o seu estilo, não deixou de marcar posição. Acusou José Eduardo Moniz de ser desleal e, concretizando, acabou por dizer que o ex-director-geral do canal utilizou a TVI para derrubar o Governo de Santana Lopes.

Sejamos honestos. Não houve real novidade nas deposições mas eis que, quando menos se esperava, as presenças de Emídio Rangel e Pais do Amaral na comissão de inquérito ao caso TVI acabaram por ser mais relevantes que o previsto. Em abono da verdade, podem não ter servido de muito para o caso em apreço mas, com toda a certeza, foram úteis para ajudar a perceber um pouco melhor o Portugal que temos hoje. Um triste e desconsolado país.

Portas, Rangel, Pais do Amaral e Moniz

Ok, com a autoridade de quem não costuma ser nada meigo para com Paulo Portas e quase sempre que sobre ele escrevo o faço com críticas violentas, chegou o dia de, por uma vez sem exemplo, o defender. Aliás, não é tanto defender Portas mas antes a herança do Independente no seu tempo áureo de parceria com Migues Esteves Cardoso – O Génio.

Quando Rangel afirmou “Portas iniciou uma escola sinistra de jornalismo” cometeu uma grave injustiça. O Independente de Portas e Esteves Cardoso foi um grande semanário que revolucionou o cinzentismo dominante na imprensa escrita. Era um jornal que se lia de uma ponta a outra e hoje, quando olhamos para artigos como os de Ricardo Araújo Pereira na Visão ou Alberto Gonçalves na Sábado, suplementos como o Inimigo Público ou a revista de Pedro Rolo Duarte no i, sem esquecer o estilo omnipresente no blog 31 da Armada, lembramo-nos do Independente desses tempos.

O Independente fez escola. Teve coisas negativas, como tudo e como em todos. E logo Rangel a atirar pedras…Depois descambou? Perdeu-se? Morreu com o desaparecer dos governos de Cavaco Silva? Está bem, acontece a muito boa gente.

Entretanto, a intervenção de Pais do Amaral na dita comissão teve o condão de irritar muito boa gente. Mas dela guardo uma frase, mais ou menos assim: “quando um trabalhador não cumpre as ordens do patrão, é natural que este o chame à razão”. Eu percebo a irritação de Moniz mas, verdade verdadinha, quem no fim pagava as contas era Pais do Amaral e os accionistas costumam ser implacáveis com os maus gestores. E Pais do Amaral provou e continua a provar que não é um mau gestor. Bem pelo contrário.

José Leite Pereira é o Pais do Amaral dos pobres


Há uns anos, o líder da TVI, Pais do Amaral, foi falar com o professor Marcelo Rebelo de Sousa. A mando do Governo de então, o de Santana Lopes, pediu-lhe moderação nos ataques ao Executivo. Marcelo bateu com a porta.
Desta vez, o director do JN, José Leite Pereira, telefonou a Mário Crespo, pedindo-lhe moderação no ataque a José Sócrates. Mário Crespo bateu com a porta.
Quais são as diferenças? É que no primeiro caso, ia caindo o Carmo e a Trindade, era um lamentável ataque à liberdade de imprensa, estava em causa o normal funcionamento das instituições. Hoje, tudo vai bem na República de Portugal, não se devem ouvir conversas privadas, o jornalista não é bom da cabeça.
Como refere hoje Henrique Monteiro no «Expresso», José Leite Pereira não passa de um lambe-botas que sabe bem qual é a sua função como director do JN. Sabe bem e como o tem demonstrado nos últimos anos! A voz do dono, o braço armado do «amigo Oliveira» na protecção ao Governo e a José Sócrates.
Dir-me-ão que ninguém lhe disse para retirar o texto de Mário Crespo. Foi de sua livre inicativa. Acredito que sim. Os cãezinhos amestrados são assim. Não recebem ordens do dono. Sabem, a cada momento, o que hão-de fazer para, no final, terem a recompensa merecida.