Estamos a pagar para destruir a Natureza

 

João Vasco Gama

O património natural tem um valor instrumental estimável (cuja destruição causa danos materiais e humanos quantificáveis) e um valor intrínseco inestimável (quanto é que a extinção dos Koalas vai custar? O impacto na actividade económica pode ser reduzido, mas isso não quer dizer que não seja uma perda relevante…).

O debate racional sobre os impactos ambientais da actividade económica deveria encontrar-se entre dois extremos. Um extremo daria um valor infinito ao valor intrínseco e consideraria qualquer impacto ambiental da actividade económica inaceitável – seria voltar para as cavernas, por assim dizer. O outro extremo daria um valor nulo ao valor intrínseco e consideraria que apenas nos importa maximizar o lucro no longo prazo, considerando aceitável toda a transacção económica que produzisse uma mais valia superior ao dano ambiental na componente “instrumental”. Seria só ver cifrões à frente, e só querer saber do consumo (no longo prazo). As posições não extremistas mas racionais estariam algures entre estes dois extremos. [Read more…]

Estenderemos o tapete vermelho aos ricos que fujam de França

O primeiro ministro inglês enviou ontem, num fórum para “dirigentes económicos” à margem do G20, um recado a François Hollande a propósito da vontade deste último taxar as grandes fortunas e rendimentos em França. E que recado foi esse? Precisamente o recado da direita, das grandes fortunas e do capital à escala global.

Numa fase em que o capitalismo mundial se reorganiza e se livra dos direitos e garantias que foi obrigado a conceder aos trabalhadores, Cameron, alto e bom som, advogando uma harmonização fiscal global (pela bitola da City londrina), veio dizer a Hollande que se deixe de veleidades porque o capitalismo não está para brincadeirinhas redistributivas.

Implícito nas palavras de Cameron está isto: a esquerda que se entretenha  em conferências mais ou menos inócuas como o Rio+20 ou em reuniões “alternativas” como o Fórum Social Mundial que, se alguém tem de empobrecer, não são seguramente os ricos.

Ou dito de forma mais clara: empobreçam os pobres, os trabalhadores, os desempregados, os reformados e toda essa traquitana, que os ricos não se podem dar a luxos desses.

O orçamentista Gaspar e a recessão económica

O Prof. Adriano Moreira, em entrevista à SIC Notícias, há dias declarava:

No actual governo, não existe Ministro das Finanças, há, isso sim, um Ministro do Orçamento, uma vez que o titular da pasta [Vítor Gaspar] apenas se preocupa com as metas orçamentais…

Lembre-se que o citado Professor é militante do CDS-PP, um dos partidos da actual coligação governamental. Uma voz insuspeita, portanto.

De facto, desde as trapalhadas de erros e omissões no OGE 2012, como referi aqui, adensa-se o receio governamental das receitas fiscais orçamentadas serem bastante inferiores aos objectivos quantificados. De resto, é esta e não outra, a justificação para as medidas de agravamento das taxas de retenção do IRS, de que, aparentemente, apenas os funcionários públicos no activo se livraram – e digo aparentemente, uma vez que as taxas se mantêm idênticas às de 2011, a despeito da eliminação das duas mensalidades relativas aos Subsídios de Natal e de férias. No apuramento da matéria colectável, em 2013, é que as contas reais serão feitas.

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Eurobonds – Ja, natürlich / Não por favor!

Estamos a fazer o nosso caminho. O guião das entidades financiadoras está a ser percorrido à nossa maneira.

Mais medidas de aumento da receita foram anunciadas, mais medidas de cortes de despesa serão anunciadas nos próximos dias, uma maior flexibilização do mercado laboral já foi aprovado, as privatizações estão em marcha e foi aprovado um aumento de 15% dos transportes públicos nas Cidades de Lisboa e Porto. Apesar disso, e por causa da contaminação da crise à Espanha e sobretudo à Itália, pedem-se medidas adicionais desta vez ao nível político europeu.

Assim chegamos ao coro de vozes dos que clamam pelas salvadoras Eurobonds que, qual D. Sebastião, nos salvariam de mais medidas de austeridade e nos aliviariam do peso insuportável dos juros da dívida. Não partilho desta opinião. A austeridade é indispensável e inescapável. Não é com uma maior centralização na União Europeia que os problemas dos portugueses vão ser resolvidos. Parece-me até que foi um seguidismo amorfo das directrizes europeias que explica parte dos nossos problemas actuais. [Read more…]