A trafulhice fiscal das Holandas desta vida

TH

Panama Papers, Swiss Leaks ou o famoso “double Irish, Dutch sandwich” (se não estão familiarizados com a expressão, sugiro que a pesquisem e se maravilhem com os embustes que são o milagre irlandês e ética financeira holandesa), existem esquemas para todos os gostos e à medida de cada evasor fiscal. E todos eles, sem excepção, contam com a participação de “respeitáveis” instituições financeiras europeias e norte-americanas. E de estados-membros da União Europeia. E com a inércia e o silêncio cúmplice da Comissão Europeia. Ou não estivessem, todos eles, nas mãos dos principais beneficiários dessa trafulhice. Sim, trafulhice. Deixem-se de politicamente correctos e chamem os bois pelos nomes. É trafulhice, sim. E é trafulhice feita à custa de milhões de pessoas, que pagam a factura em doses cavalares de austeridade, independentemente do nome que se decide, em cada momento, dar a essa austeridade.

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Estará doente?

Nunca enquanto for viva”. Disse Merkel sobre a criação de ‘eurobonds.

Ministro italiano a favor das eurobonds

Corrado Passera, ministro do desenvolvimento económico, infraestruturas e transportes é mais um dos apoiantes das eurobonds, pelo menos na sua nova versão “project bonds”.
Numa passagem recente pela LSE, numa palestra intitulada “Austerity and growth: time to shift gear“, Corrado Passera aponta a Itália como mais um país ao lado dos que consideram importante a Europa ter uma emissão comum de obrigações.

“the idea of project bonds and better, stronger use of european investment bank is certailny the right direction [to go]”

Merkel vai aos poucos ficando isolada (nem os seus conterrâneos lhe valem) numa Europa que segundo as palavras deste ministro tem sido gerida de forma insuficiente.

“(..) Europe is beeing managed in a disapointed way in many respects (..) certainly the greek crisis, the sovereign debtcrisis is not being managed has it should (..)”

EuroBonds – Be carefull for what you wish for!

Agora que a opinião predominante é de que a única saída para esta confusão em que a Europa está metida é a emissão da Eurobonds vale a pena ler o relatório de Agosto do Banco Alemão acerca da situação económica na Alemanha.

Neste relatório é dito isto “Unless and until a fundamental change of regime occurs involving an extensive surrender of national fiscal sovereignty, it is imperative that the no bail-out rule that is still enshrined in the treaties and the associated disciplining function of the capital markets be strengthened, and not fatally weakened.

A minha opinião é diferente da maioria.

Mordaça

Eurobonds – Ja, natürlich / Não por favor!

Estamos a fazer o nosso caminho. O guião das entidades financiadoras está a ser percorrido à nossa maneira.

Mais medidas de aumento da receita foram anunciadas, mais medidas de cortes de despesa serão anunciadas nos próximos dias, uma maior flexibilização do mercado laboral já foi aprovado, as privatizações estão em marcha e foi aprovado um aumento de 15% dos transportes públicos nas Cidades de Lisboa e Porto. Apesar disso, e por causa da contaminação da crise à Espanha e sobretudo à Itália, pedem-se medidas adicionais desta vez ao nível político europeu.

Assim chegamos ao coro de vozes dos que clamam pelas salvadoras Eurobonds que, qual D. Sebastião, nos salvariam de mais medidas de austeridade e nos aliviariam do peso insuportável dos juros da dívida. Não partilho desta opinião. A austeridade é indispensável e inescapável. Não é com uma maior centralização na União Europeia que os problemas dos portugueses vão ser resolvidos. Parece-me até que foi um seguidismo amorfo das directrizes europeias que explica parte dos nossos problemas actuais. [Read more…]

Eurobonds

-Imagine o estimado leitor, este cenário perfeitamente comum. Um prédio com 10 fracções, todas elas hipotecadas a diversos Bancos, cada um com o seu empréstimo particular, livremente negociado, o que implica diferentes prazos de pagamento, spread e taxa de juro, esta normalmente indexada à Euribor, mas ainda assim a 3, 6 meses ou 1 ano, eventualmente alguém poderá ter optado por taxa fixa. Formam um condomínio, que os une. Vamos admitir que alguém se lembraria de reunir todas as dívidas numa única, uniformizando as taxas de juro. Em prol da harmonia e boa vizinhança, a ideia poderia ser muito bonita, mas na prática, implicaria aumentar a prestação dos que pagam menos, porque deram uma entrada maior, garantias bancárias que mereceram uma melhor avaliação ou auferem um maior rendimento, mesmo que tenham 2 empregos ou trabalhem até à exaustão. Por sua vez, os que têm menos rendimentos, seja por estarem menos qualificados, terem estudado menos ou trabalharem o mínimo, veriam recompensado o seu menor esforço. Acredita o leitor ser possível, colocar esta ideia em prática? O princípio é equivalente aos eurobonds, emissão de dívida pública europeia, que permitiriam descer a taxa de juro a países como Portugal, aumentando por exemplo à Alemanha… Eu confesso que a ideia não me desagradaria, tenho é dúvidas que os alemães alinhem, e admito que até os percebo…