Eis a portugalidade. Um quadro idílico, um retrato de Portugal

Chega a grande velocidade.
Em plena malha urbana, um Audi preto – matrícula antiga a fingir que é nova – detém-se em cima do passeio. Não uma nem duas, mas as quatro rodas, mais de dois metros para o interior do espaço reservado aos peões. Com muitos lugares vagos nas proximidades.
De lá de dentro, sai um homem. Cerca de 40 anos, barriga proeminente, fato de treino cinzento. Dirige-se para o café que fica mesmo ao lado enquanto vai tirando umas coisas de dentro do nariz.
Regressa 15 minutos depois. Caminha com um maço de cigarros na mão. Enquanto abre a embalagem, deita a película de celofane para o chão. Antes de entrar para o carro, escarra no passeio.
Parte a grande velocidade.

O país do “mas”

Numa reportagem sobre o Simplex nos centros de saúde, ouvi duas admiráveis expressões ditas por dois cidadãos portugueses:

“Isto está a ficar um bocadinho no século XXI” e “Tenho de andar nos médicos”.

Parece-me que algumas das características mais importantes da portugalidade se reúnem nestas duas frases. Por um lado, está o entusiasmo moderado. Sim, há avanços, inegavelmente há avanços, o português reconhece-os, mas desconfia do seu alcance, mantém sempre uma reserva de cepticismo, e o máximo que pode reconhecer, em Maio de 2016, é que se alcançou “um bocadinho” de século XXI. Porque o português sabe que o avanço brilha, o avanço refulge, mas o avanço é enganador. E, a qualquer momento, o português inflamado pela miragem do Simplex tecnológico, baterá com os dentes todos num demolidor “estou sem sistema” ou num impreciso “a impressora está desfigurada”, que o fará retroceder ao passado dos requerimentos, dos P1s, da palavrinha à senhora doutora, da chamadinha, do “ela não me está a atender”, do “volte para a semana”. [Read more…]

“Portugalidade” por Zeinal Bava

Oi?

 

Partir e 465 Dias Depois

Não sei se Patrícia Brito passou pela estação de Porto São Bento.
Sei que andou 465 dias a conhecer os portugueses que moram noutros lados.