Ana Paula Laborinho defende a morte das variedades do português

lusofoniaEm entrevista ao Expresso, Ana Paula Laborinho, Presidente do Instituto Camões, deixa escapar uma série de vulgaridades consentâneas com a Igreja da Lusofonia, cujo evangelho, mais oral do que escrito, está carregado de frases épicas acerca da dimensão internacional da língua e de palavras economesas como “geoestratégico”. Como qualquer sacerdote, crente ou não, é necessário parecer-se deslumbrado, que é uma maneira de se fingir iluminado. E ai de quem se atreva a criticar o deslumbramento! Será classificado como “xenófobo” e “racista”, antes de e em vez de ter direito a argumentação.

O chamado acordo ortográfico (AO90) é, neste contexto, alfaia religiosa que não pode ser posta em causa e, portanto, não pode ser pensada, apenas defendida.

Ana Paula Laborinho, depois de (não) responder a uma pergunta acerca da relação entre língua e “identidade de uma nação”, continua a (não) responder a uma outra: “Tendo em consideração a questão da identidade, é preciso um Acordo Ortográfico?” Ana Paula Laborinho (não) respondeu como se segue:

O Acordo Ortográfico é um instrumento até de internacionalização. É a tentativa de, enquanto língua internacional e num contexto de ensino, não termos de ensinar o português nas suas diversas variedades.

Uma pessoa não percebe o que é que o AO “internacionaliza”: a identidade? A língua? A ortografia? O queijo da Serra? Não me admiraria que fossem os quatro, tantas são as virtualidades do divino instrumento.

O resto da resposta mantém-se na senda do desastre sintáctico e, portanto, semântico. Doravante, os professores de Português, inspirados pelas palavras de Ana Paula Laborinho, poderão definir como um dos seus objectivos “tentar não ter de ensinar o português nas suas diversas variedades.” Não será fácil: um professor não está habituado a tentar não ensinar e, ainda menos, a tentar não ter de ensinar. [Read more…]

O Amor é Lindo


Em qualquer parte do mundo, em qualquer língua mas sobretudo em português.

Lusofonia Games 2014

Yeah, yeah: Lusofonia Games.

Lamento a grafia *aspetos da notícia apontada. Aliás, ‘aspetos’ é palavra extremamente interessante  — do ponto de vista da “unidade essencial da língua portuguesa”, claro.

Língua portuguesa: aquela que não é ‘primeira língua’ nos Jogos da Lusofonia. Sim, da Lusofonia.

O responsável [Artur Lopes] referiu que, tratando-se dos Jogos da Lusofonia, não se entende que a primeira língua não seja o português, com uma tradução em inglês: “Aqui é o inglês e, às vezes, existe uma tradução portuguesa”.

Actualização (22/1/2014): Recomendo a consulta desta nótula, na página da ILC contra o Acordo Ortográfico.

jojo

Jojo (http://bit.ly/1jvpWMF)

Partir e 465 Dias Depois

Não sei se Patrícia Brito passou pela estação de Porto São Bento.
Sei que andou 465 dias a conhecer os portugueses que moram noutros lados.

Da Guiné

“Apelo dramático à comunidade internacional”
Na Guiné prendem-se os de opinião diferente. Cá não, que isto aqui é uma democracia.

Uma verdadeira bomba: "Il Portogallo è Grande

Deixando de lado as misérias e mediocridades do nosso triste quotidiano, recomendamos um olhar muito atento a este importante trabalho que da Itália chega. Uma grande quantidade de textos que tem Portugal como objecto de interessado estudo e reflexão. Sem grande surpresa, deparamos com aquilo que há décadas alguns dizem sem que sejam escutados, ou pior ainda, sendo desprezados pela turba que deixa o país nesta situação desesperada.

Os próprios italianos o dizem: temos de nos ver livres daqueles que condenam Portugal a uma desnecessária canga.

“- Portugal é um país central no complexo euro-atlântico e não pode submeter-se a orla periférica do Mitteleuropa;

– A comunidade cultural, linguística e afectiva dos países herdeiros da expansão portuguesa não é um adereço retórico; detém hegemonia económica, demográfica e política sobre a América do Sul e encontra em Angola o mais poderoso Estado da África negra após a África do Sul, posto que a Nigéria perdeu a sua grande oportunidade; [Read more…]

A Lusofonia, espaço ideal para a cultura galega (Memória descritiva)

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Neste vídeo podemos ouvir um breve trecho de uma canção popular açoriana, que Adriano Correia de Oliveira tornou muito conhecida, cantada pela lisboeta Raquel Tavares e pela galega de Mós (Vigo), Uxía Senlle – “Morte que mataste Lira”. Um belo mosaico lusófono. O espectáculo “Cantos na Maré”, onde este vídeo foi gravado, realizou-se em 19 de Dezembro passado, em Pontevedra.

Uxía Senlle é uma cantora galega de que aqui tenho falado por diversas vezes, dada a sua estreita relação com a cultura portuguesa. Numa entrevista recente dada a Margarida Martins, do Portal Galego da Língua, fez diversas afirmações que demonstram a sua convicção na unidade entre as duas vertentes da língua. Não vou transcrever essa entrevista, mas apenas salientar alguns dos seus aspectos mais relevantes.

«É um grave erro estratégico não afirmar que galego e português são a mesma língua», disse Uxía que em dado momento conta como nasceu o projecto “Cantos na Maré”: [Read more…]

A máquina do tempo: Batuko Tabanka – ponte entre Cabo Verde e a Galiza

Tenho aqui dedicado alguns textos, quer a Cabo Verde, quer à Galiza, dois países irmãos, duas culturas intimamente ligadas a Portugal – a galega a montante, nos alvores da nossa identidade, a cabo-verdiana a jusante, consequência das nossas navegações e do povoamento que fizemos das terras que nelas achámos. Ligações entre essas duas culturas? Não parecia fácil. Mas existem e não são poucas.

Há uma colónia de cabo-verdianos na Galiza, maioritariamente constituída por homens do mar e suas famílias. Um grupo de doze mulheres de Cabo Verde, residentes em Burela (Lugo), ensaia desde há cerca de uma dezena de anos, recuperando ritmos ancestrais como a «Batuka» que escutámos no vídeo acima. Amigos do Aventar, vou hoje falar destas corajosas mulheres que não querem que a memória e a voz da sua cultura se percam.O grupo nasceu durante um jantar em Burela. Uma das actuais componentes do grupo, perguntou: por que não batucamos como as velhas da nossa terra? E a pergunta, como uma semente, germinou e floresceu, resultando no «Batuko Tabanka». [Read more…]