S. Valentim na tasca

Ontem foi dia da ponte aérea da bifana, missão cujo objectivo é assegurar que a bifana vai a Maomé, que neste caso – não disparem! – é o meu pai.

Era dia de S. Valentim e apanhei a taberneira a perguntar a um dos fregueses do costume:

– Então, compraste um ramo de flores para a tua mulher?

– Flores? Comprei-lhe foi um ramo de couves para o caldo verde!

Como ela não achou graça, e ela é uma mulher que retalia quando não acha graça, ele completou logo, já sem bazófia, todo sentimental, e quase num sussurro:

– E um anel dos chineses, pronto. Daqueles que têm uma pedrinha.

Como ela gostou da resposta, encheu-lhe o copo e sorrimos todos.

a são valentim ou a são bartolomeu das crianças?

para a minha mulher. Ela sabe quem é…

A Morte ea Donzela, D. 810, mov 1 (1/4 …

Retirado do calendário romano em 1963, o Dia de São Valentim continuou, no entanto, a ser o que era: uma instituição para comemorar o dia do amor. Desse amor que resulta da ligação de duas pessoas que um dia se encontram, olham uma para a outra e ficam mutuamente seduzidas. Subordinadas uma à outra, diria eu. Subjugadas. Subsumidas ou incutida uma na outra. Como acontece nesse dia único, em que a mãe vê a criança que acaba de produzir. Em parceria com o homem, a partilhar com ela uma paixão. Desta vez, pai e mãe ficam de olhos abertos ao contemplar o resultado da sua paixão, do seu reprodutivo desejo.

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Rapidinha – Disfunção eréctil no dia dos namorados?

Só neste país à beira mar humilhado é que alguem teria a suprema idiotice em escolher o dia dos namorados para “Dia da disfunção eréctil” !!!

Já estou a ver, ó querida, meu amor, pega lá este ramo de rosas como prova do meu amor, e ela a olhar para ele, ainda te armas? tu que nem sequer és capaz de o levantar, andas a armar aos cucos? não tens vergonha, meu desgraçado, e se em vez de gastares dinheiro em rosas o gastasses em viagra…já mostrastes as rosas ao bairro todo? porque não vais “á disfunção”? porque não te tratas do “érectil? ainda agora passou na televisão que isso tem cura, tu é que não me amas, desgraçado, tudo podia ser com antes, disse na televisão…

Os abraços em dia de S. Valentim

Nos US há o costume de as pessoas se abraçarem, mesmo as que não se conhecem, em plena rua as pessoas cruzam-se e abraçam-se. É dia de S. Valentim!

É um costume bizarro, num país onde as pessoas nem tempo têm de olhar para si mesmas, quanto mais para os outros, onde não há o costume tão português de nos tocarmos quando falamos uns com os outros, esse calor de confiança e amizade que tanto precisamos de mostar. Pois S. Valentim, faz esse milagre, as pessoas tocam-se, abraçam-se e seguem caminho com um largo sorriso, não percebi bem se é de alegria se de terem tido a coragem de transpor uma barreira.

E o homem lá estava na esquina a abraçar tudo e todos, jovens e velhos, mulheres e homens, era o típico Nova Yorquino, nunca saiu dali mas já viu tudo, gente de todo o mundo, ouviu notícias de terras de que não faz ideia nenhuma e, para ele, abraços de um homem da sua cidade, onde nasceu, onde vive e onde há-de morrer é o supremo gesto da tolerância, da paz e da comunhão.

Passei por perto uma e outra vez, mas havia sempre gente que se antecipava e para mim, abraçar alguém não era assim tão excepcional, mas caramba, adorava saber se era a falta de calor humano o que levava àquele gesto tão banal para quem vive aqui deste lado do Atlântico. Junto ao Mediterrâneo…

E o tipo olhou para mim, nem acreditou, eu percebi logo que não lhe podia dizer que aquilo era banal noutras partes do mundo, apertei mais para o tipo não ver a minha cara algo envergonhada e ele ao meu ouvido : Já viste o sorriso desta gente ? A maioria nunca foi abraçada na vida!

Qual dia de S. Valentim, qual carapuça

Nos últimos 20 anos os professores de inglês, os autores dos programas de inglês e a complacência nacional fizeram um lindo serviço no nosso calendário de festividades de origem pagã.

Onde tínhamos o Dia da Espiga copiaram esta americanice valentiniana, onde tínhamos a tradição dos bolinhos e bolinhós enfiaram o halloween.

Os comerciantes agradeceram. Eu não.

Ainda se copiassem o Tom Waits…

O meu dia de S. Valentim

Até fazia anos neste dia. Ela, talentosa, caprichosa, namoradeira, linda e eu tinha perdido a minha vida, deixado para trás os meus amigos, as minhas leituras, a minha vida profissional, um completo desvario que me fazia infeliz, como um vício que a que não conseguia escapar.

Naquele dia de S. Valentim, fui a uma “romeira” e comprei um belo ramo de rosas, juntei-lhe um poema e uma prenda que nenhuma mulher como ela esquece, paguei o serviço de tudo entregarem na sua morada, corri à TMN para mudar o número do telemóvel, abri a porta ao apartamento que, há um mês, tinha alugado em morada pouco provável e apanhei um avião e fui passar o fim de semana a Barcelona.

Quando voltei, tinha recuperado a minha vida, S. Valentim segredara-me que eu não conseguia transformar em amor aquela paixão destruidora.

Tornei a ve-la dois anos depois, apanhou-me com um telefonema para um telefone fixo que me esquecera de mudar numa casa de praia onde poucas vezes vou. Jantamos, fizemos sexo como loucos, mas S. Valentim há muito que tinha decidido.

Vivemos perto um do outro, mas passam anos sem nos vermos. Espero que faça muitos anos e seja feliz, hoje seu dia de aniversário, dia bem apropriado para uma criatura como ela.

S. Valentim é sábio e bondoso.