Nem se Via o Sol

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Neste fim de semana resolvi ir dar um passeio pelo Douro Vinhateiro. Meti-me a caminho, no sábado após o almoço, que a carteira só dava para um dia de folga e no sábado de manhã ainda há quem trabalhe.
Tinha marcado estadia para uma unidade hoteleira muito boa entre a Régua e o Pinhão, e ansiava por lá chegar e deitar-me ao sol, na piscina de onde se vê uma curva e mais um bocado do rio.
No Porto estavam trinta graus e o calor apertava.
Auto-estrada fora, ar-condicionado ligado, velocidade de cruzeiro de cento e dez, cento e vinte e um sorriso nos lábios.
O termómetro do carro marcava já trinta e oito, e a subir, como eu, na IP4. O sol nem se via graças a algumas nuvens. Trinta e nove, quarenta, mas dentro do carro estava-se bem.
Chegados ao alto do Marão, resolvi parar. Abri a porta do carro e um sopapo de ar quente atingiu-me, misturado com o cheiro a incêndio. As nuvens que eu via a tapar o sol mais não eram que fumo dos inúmeros fogos espalhados pela região. Continuei o meu caminho já com uma atenção virada para essa realidade.
Chegado ao hotel, ainda tentei ir para a piscina, onde a exemplo de todo o caminho e também das horas que se seguiriam, o sol não se via e o chão estava coberto de cinzas, juntando a isso um calor abrasador.
Já no quarto e ligada a televisão, soube que muitos dos incêndios tinham começado de noite (????) e [Read more…]

Temperaturas Altas

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O calor aperta.
É já noite cerrada e os termómetros não descem dos trinta graus.
Quero dormir. A temperatura não deixa. Já bebi quase dois litros de água.
Estou doido de sono e o cansaço que me consome, não se deixa vencer nem convencer.
Isto assim não é o costume na minha latitude. Ás vezes acontece, mas não mais que uma vez no ano e por poucos dias, mas neste, já vamos na terceira vez, e ainda só estamos em Julho. [Read more…]

Um dia de crise

Foi o calor, de certeza. A temperatura subiu muito, o corpo tarda em acostumar-se. A cidade vibrou, houve um tremor, os nervos esticados ao limite. Convulsionaram-se as entranhas da terra, parecia prestes a soltar-se a torrente.  Ouviu-se um zumbido no ar, uma trepidação, qualquer coisa capaz de levar à loucura.  Mas logo vieram as primeiras gotas mornas do aguaceiro.

Foi o calor, mas também a greve que enlentecia os autocarros e os fazia chegar empanturrados, com as costas dos passageiros coladas à porta por onde já ninguém podia entrar. E talvez fossem também as notícias das bolsas no vermelho, da dívida, da bancarrota, do fim do mundo tal como o conhecemos, mentiroso e injusto, mas tranquilizadoramente familiar.

O sem-abrigo que todos os dias fica à porta do supermercado decidiu, pela primeira vez, entrar e sentar-se ao pé dos carrinhos. [Read more…]

Os abraços em dia de S. Valentim

Nos US há o costume de as pessoas se abraçarem, mesmo as que não se conhecem, em plena rua as pessoas cruzam-se e abraçam-se. É dia de S. Valentim!

É um costume bizarro, num país onde as pessoas nem tempo têm de olhar para si mesmas, quanto mais para os outros, onde não há o costume tão português de nos tocarmos quando falamos uns com os outros, esse calor de confiança e amizade que tanto precisamos de mostar. Pois S. Valentim, faz esse milagre, as pessoas tocam-se, abraçam-se e seguem caminho com um largo sorriso, não percebi bem se é de alegria se de terem tido a coragem de transpor uma barreira.

E o homem lá estava na esquina a abraçar tudo e todos, jovens e velhos, mulheres e homens, era o típico Nova Yorquino, nunca saiu dali mas já viu tudo, gente de todo o mundo, ouviu notícias de terras de que não faz ideia nenhuma e, para ele, abraços de um homem da sua cidade, onde nasceu, onde vive e onde há-de morrer é o supremo gesto da tolerância, da paz e da comunhão.

Passei por perto uma e outra vez, mas havia sempre gente que se antecipava e para mim, abraçar alguém não era assim tão excepcional, mas caramba, adorava saber se era a falta de calor humano o que levava àquele gesto tão banal para quem vive aqui deste lado do Atlântico. Junto ao Mediterrâneo…

E o tipo olhou para mim, nem acreditou, eu percebi logo que não lhe podia dizer que aquilo era banal noutras partes do mundo, apertei mais para o tipo não ver a minha cara algo envergonhada e ele ao meu ouvido : Já viste o sorriso desta gente ? A maioria nunca foi abraçada na vida!