Na mama do estado, o sistema dual e a reindustrialização do pote

O tal sistema dual e a lógica do chumbas vais para um curso tipo profissional têm sido tratadas pelo lado pedagógico, o que já é barbaridade que chegue, mas há pior. Coloquemos a coisa do lado da economia.

O que se pretende é por um lado poupar no ensino (muito menos professores já que a componente profissional não funciona na escola e a outra deve ficar muito abaixo dos actuais Cursos de Educação e Formação) e ganhar nas empresas, a tal reindustrialização de que fala aqui o Álvaro.

Putos a estagiar numa fábrica: se o trabalho do menino é pouco só não o aproveita quem é louco, e isto não está para loucuras. De uma assentada mete-se a canalha em pleno período obrigatório de trabalho infantil a 42 euros por mês. Como está a legislação o obrigatório poderá ir até aos 18 anos. Perfeito. [Read more…]

O ensino profissional como desistência e retrocesso

Penso que ninguém põe em causa as virtudes do ensino profissional, desde que encarado, sobretudo, como uma escolha consciente dos alunos e não como um reduto para quem tenha revelado dificuldades de aprendizagem.

Ana Maria Bettencourt, presidente do Conselho Nacional de Educação, e Luís Capucha, antigo director das Associação Nacional para a Qualificação (responsável pelas Novas Oportunidades) criticaram o recentemente encantamento de Nuno Crato com o sistema dual alemão, tendo em conta que obriga dos alunos a escolher um percurso profissionalizante numa fase precoce da vida. Para além disso, como lembra bem Luís Capucha, Portugal “não tem um tecido empresarial suficientemente forte e consolidado para assumir a formação profissional”. [Read more…]

Nuno Crato prepara mais despedimentos de professores

O interesse que os responsáveis governativos mostram pelo ensino profissional releva de uma visão distorcida da Educação. Antes de mais, o ensino profissional é visto como uma alternativa para os alunos que revelam dificuldades. Assim, por um lado, desvaloriza-se o ensino profissional como verdadeira escolha e, por outro, o Estado demite-se de acompanhar os alunos com dificuldades, o que implicaria, é claro, verdadeiro investimento na Educação.

É, também, nesse contexto, que se insere a ida de Nuno Crato à Alemanha para conhecer o sistema dual, que, aliás, já tem ramificações em Portugal. Para além disso, no entanto, desconfio de que esse sistema contém verdadeiras potencialidades no âmbito da actividade preferida do Ministério da Educação: despedir professores. Efectivamente, o facto de uma boa parte da formação ser feita em empresas, em contexto de trabalho, poderá constituir uma oportunidade para afastar mais técnicos e professores das escolas, ao mesmo tempo que poderá ser um modo de, através de uma variante das parcerias público-privadas, colocar mais alguns dinheiros públicos nas mãos dos privados.

Pode ser que me engane. Pode ser que nos enganem.