O que diz uma criança sobre o número de alunos por turma!

A reportagem sobre o Dia Universal dos Direitos da Criança, no Público de hoje, lê-se com agrado, também (ou especialmente) quando os adultos, professores incluídos, são criticados.

De qualquer modo, cá por coisas, vale a pena ler e reler a opinião de um aluno do Primeiro Ciclo (Escola Primária) acerca do número de alunos por turma:

Há professores nas escolas que têm muitos alunos e não conseguem tomar bem conta de todos. Então podia-se dar um máximo de alunos a cada sala, 18 ou 20, para ser mais fácil. A minha professora tem 23 alunos. Assim não consegue dar tantas matérias. Perde muito tempo a atender a todos. A sala do lado tem 18 [alunos] e já estão um pouco mais avançados do que nós. Às vezes conseguimos acompanhá-los, mas estamos sempre um bocadinho mais atrás.

Imagine-se o atrevimento! O atrevimento, claro, de todos os “especialistas” que desvalorizam a questão do número de alunos por turma! Ainda há dias, com a leviandade dos ignorantes e com a raiva dos patrões que odeiam salários e outros privilégios, Rodrigo Moita de Deus julgava explicar que em Portugal há um professor para cada onze alunos, como se essas contas dissessem alguma coisa sobre o número de alunos por turma. De qualquer modo, para Rodrigo tudo estará bem, desde que se roube tempo e salários aos professores, porque é assim que o mundo deve ser, mesmo que isso possa ser lesivo também dos direitos da criança.

É o tamanho das escolas e das turmas, estúpidos!

 

Há uns dias, li uma reportagem no Jornal de Notícias acerca do combate ao abandono escolar no concelho de Manteigas. O director do agrupamento fez referência, entre outros aspectos, ao facto de a escola e as turmas serem pequenas, o que, na realidade, é um dos factores fundamentais no combate aos problemas educativos.

Mas estás tu a dizer, ó Nabais, que basta acabar com os mega-agrupamentos e diminuir o número de alunos por turma para que, de repente, o mundo inteiro se ilumine e as crianças passem a tirar notas altíssimas e comecem a sentir um entusiasmo imediato pela vida escolar? [Read more…]

Quantos professores são necessários?

daviddinisDavid Dinis dá, hoje, professoralmente, as suas notas a agentes políticos, classificando com nota negativa o ministro da Educação, abaixo ainda de Passos Coelho.

Se Nuno Crato foi uma enorme desilusão, Tiago Rodrigues é apenas uma grande ilusão, sobretudo para muitos que são de esquerda. O facto de não estar a pensar rever medidas verdadeiramente danosas para a Educação é prova disso, mas o meu objectivo, agora, é escrever sobre  outros ilusionistas.

David Dinis, como qualquer neoliberóide-ignorante-atrevido, usa o seu desconhecimento e o fascínio pelas médias, para insinuar que não serão necessários mais professores. A linhagem a que pertence o actual director do Público gosta de dizer que o Ministério da Educação não tem de ser uma agência de empregos que garanta a contratação de todos os que possam e queiram ser professores.

Sendo isso um truísmo, a verdade é que o Ministério da Educação, com destaque para Nuno Crato, tem sido uma agência de desemprego ou, na melhor das hipóteses, um centro de ocupação para professores precários. Os últimos ministros que ocuparam a pasta não foram da Educação e sim do orçamento ou, mais propriamente, foram (e continuam a ser) agentes liquidatários de um sistema público fundamental num país civilizado. [Read more…]

Adiamento criminoso: redução do número de alunos por turma

800Há pouco tempo, Duarte Marques, deputado do PSD, terá feito referência à possibilidade de haver menos mil turmas nas escolas, no próximo ano lectivo. Alexandra Leitão, a Secretária de Estado da Educação, respondeu que o governo não prevê redução de número de turmas. De qualquer modo, os números não poderão ser verdadeiramente conhecidos antes do final deste mês e, mesmo assim, com algumas dúvidas.

A ideia de que iria haver menos turmas, de qualquer modo, ficou a pairar, mas não passa de um fait-divers cujo impacto não deveria ter sido ampliado.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Pública (ANDAEP), a propósito deste tema, afirmou que, para manter os empregos dos professores, bastaria que de diminuísse o número de alunos por turma.

O desemprego é um drama e uma sociedade dirigida por gente civilizada deve preocupar-se com isso, equilibrando, o mais possível, os problemas humanos e as finanças públicas. [Read more…]

Número de alunos por turma? Depois vemos isso!

GroeningCartoonNos últimos dez a quinze anos, várias vozes – com uma desfaçatez cada vez maior – têm defendido que a qualidade dos professores é o principal (ou o único) factor de que depende o sucesso dos alunos (mesmo que não haja sequer a preocupação de se saber exactamente o que é o “sucesso dos alunos”).

Na realidade, a repetição dessa ladainha tem servido para justificar várias medidas que deveriam escandalizar qualquer cidadão que se preocupe verdadeiramente com a educação dos jovens.

Colocar quase exclusivamente a responsabilidade do sucesso dos alunos no desempenho dos professores serve, antes de mais, para esconder a importância de muitos outros agentes sociais e individuais (entidades oficiais, meio socioeconómico, encarregados de educação, etc.). A própria interpretação dos rankings torna-se, deste modo, muito mais fácil, permitindo aos simplistas de serviço falar, com a descontracção dos ignorantes, em “escolas melhores” e “escolas piores”. [Read more…]

Como se faz uma escola?

6a00e54f8422f488330120a67f5ca3970c-800wiApesar de o ponto de partida poder induzir em erro, a reportagem sobre a Escola Básica 123 do Curral das Freiras deve ser lida com muita atenção, porque proporciona ensinamentos acerca do modo como as escolas se devem organizar para ajudar os alunos provenientes de meios desfavorecidos. Proporciona ensinamentos a quem queira aprender, entenda-se.

Explico-me, antes de mais, acerca do ponto de partida: a reportagem só acontece por causa dos resultados dos exames, insistindo, portanto, na ideia de que estes servem para avaliar a qualidade do trabalho das escolas (o próprio título da peça é indicador desse tique: “Escola da vila mais pobre da Madeira é uma das melhores do país”). [Read more…]

A favor das turmas pequenas

Why small is beautiful when it comes to class sizes

Vozes de sábio não chegam ao Inferno

No sábado passado, fui ao Colégio Paulo VI, em Gondomar, assistir a uma palestra de Maria do Carmo Vieira. De todas as vezes que a ouço, reencontro o desassombro e a frontalidade necessárias na crítica a muito do que está errado na Educação, em geral, e no ensino do Português, em particular. Reencontro, ainda, nas palavras da minha colega a energia renovada para tentar ser melhor, para não me deixar acomodar.

Eis algumas das ideias que reencontrei, enquanto ouvia Maria do Carmo Vieira:

– as opiniões e os pareceres dos professores são fundamentais para a maior parte das decisões sobre Educação. Os sucessivos ministros, no entanto, limitam-se a olhar para os professores como funcionários que se devem limitar a obedecer;

– os professores não podem permitir a proletarização de que são alvo e devem exercer um exame crítico sobre todos os aspectos da sua actividade profissional;

– o empobrecimento da formação inicial e contínua dos professores é absolutamente criminoso e terá efeitos nefastos no futuro (a propósito disso, fomos brindados com uma extraordinária declamação de “Aniversário”, ao som de Prokofiev);

– a base da actividade docente reside no conhecimento científico e não nas questões pedagógicas, sendo que estas devem estar ao serviço das primeiras e não podem ocupar o papel principal na função docente; [Read more…]

Nuno Crato prescinde de ser Ministro da Educação

Embora tenha criado, ao longo dos últimos anos, uma imagem de rigor, Nuno Crato limita-se a tomar decisões importantes, usando de uma enorme leviandade com a educação dos jovens portugueses, talvez porque ser um assunto que não lhe interessa, uma vez que é Ministro da Educação de direito e não de facto.

Durante a apresentação de um livro de José Azcue, em que o autor, segundo parece, defende a importância das turmas pequenas, Nuno Crato volta a proferir uma série de disparates, regressando à argumentação de que antigamente até havia turmas com mais de trinta alunos.

Com a falta de rigor e de preocupação que o caracterizam, ainda diz coisas como: “quando se está a fazer experiências de laboratório, convém que a turma seja mais reduzida, mas se se está a dar uma lição sobre outro assunto qualquer pode-se facilmente ir aos 30 [alunos] que não vai haver problema nenhum”.

De Nuno Crato já só espero que saia do Ministério da Educação o mais depressa possível. Enquanto não sai, gostaria que nos explicasse por que razão as turmas não podem ter 35 ou 40 alunos.

O ensino profissional como desistência e retrocesso

Penso que ninguém põe em causa as virtudes do ensino profissional, desde que encarado, sobretudo, como uma escolha consciente dos alunos e não como um reduto para quem tenha revelado dificuldades de aprendizagem.

Ana Maria Bettencourt, presidente do Conselho Nacional de Educação, e Luís Capucha, antigo director das Associação Nacional para a Qualificação (responsável pelas Novas Oportunidades) criticaram o recentemente encantamento de Nuno Crato com o sistema dual alemão, tendo em conta que obriga dos alunos a escolher um percurso profissionalizante numa fase precoce da vida. Para além disso, como lembra bem Luís Capucha, Portugal “não tem um tecido empresarial suficientemente forte e consolidado para assumir a formação profissional”. [Read more…]

Secretário de Estado critica governo

Este texto do Paulo Guinote mostra-nos João Grancho, mais um dos muitos exemplares que parecem ter coluna vertebral e cérebro até ao momento em que fazem parte de um governo. Em tomando posse, assumem rapidamente a sua condição de invertebrados, capazes de pôr em prática medidas contrárias a pareceres e opiniões que declaravam ter, porque, agora, é preciso actuar em nome de um “caminho definido na política educativa do Governo.”

É natural que um membro da equipa de Nuno Crato tenha essas características, porque lhe fica bem ser parecido com o chefe. Para além disso, também não podemos esquecer de que matéria são feitos os deputados que apoiam este governo.

João Grancho defendia, entre outras coisas, em Abril de 2011, que as turmas não devem ter mais de 20 alunos ou que a estabilidade profissional é importante para os professores, e, em Maio de 2012, declarava que não é aceitável continuar a abusar da contratação de professores, impedidos de entrar para os quadros, apesar de já trabalharem há vários anos. Hoje, está a trabalhar num governo cuja actuação é contrária a tudo aquilo que João Grancho pensava ou dizia pensar.

Quem quer subir uma escada é obrigado a ignorar os degraus inferiores. João Grancho irá longe.

Foto de Cristina Villas-Boas

Nuno Crato: ignorante, irresponsável ou mentiroso?

Nuno Crato desvalorizou o aumento do número de alunos por turma, recorrendo a argumentos absolutamente levianos. O rendimento dos alunos levanta questões demasiado complexas e a verdade é que há estudos que provam que turmas maiores são prejudiciais, o que foi recentemente confirmado pela OCDE.

Nuno Crato justificou o aumento do desemprego entre os professores com a diminuição do número de alunos, o que, de qualquer modo, já era falacioso, pois esse facto é consequência do aumento do número de alunos por turma, da criação de mega-agrupamentos e da revisão curricular, entre outros factores. Como se isso não bastasse, descobre-se, agora, que houve cálculos errados, mais uma vez contrariados pela OCDE.

Não posso afirmar que Nuno Crato seja mentiroso e deixo ao próprio ministro a possibilidade de rejeitar essa acusação. Se não for mentiroso, será, no mínimo, ignorante. Sendo mentiroso ou ignorante, será sempre um ministro irresponsável ou continuará a ocupar a pasta graças à irresponsabilidade do primeiro-ministro.

Entretanto, é o seu filho que continua a ser prejudicado.

A turma de Nuno Crato tinha mais de trinta alunos

Confesso que tenho um gosto perverso em assistir a programas televisivos que detesto. Sempre que posso, revejo, por exemplo, o Knight Rider, provavelmente uma das piores séries do mundo. Também não consigo tirar os olhos do ecrã, quando vejo um cantor pimba a repetir quarenta vezes um refrão, enquanto pula com uma alegria tão postiça que parece um capachinho de má qualidade. A idiotice de José Castelo Branco deixa-me absolutamente mesmerizado. Durante algum tempo, o cabotinismo de José Sócrates punha-me um sorriso de beatitude nos lábios. [Read more…]

Início do ano lectivo: o seu filho, o seu sobrinho ou o seu primo mais novo vão ser prejudicados

A teia urdida por um governo que se fez eleger com o objectivo de destruir o país conduzirá a que o seu filho, o seu sobrinho, o seu primo mais novo ou qualquer um dos seus concidadãos em idade escolar sejam extremamente prejudicados, uma vez que a qualidade da Escola Pública irá, inevitavelmente, diminuir.

Num país em que o Estado já só existe como meio para ajudar os privados, apenas os mais endinheirados poderão proporcionar aos seus filhos uma educação equilibrada. Aos outros, resta esperar que os profissionais que trabalham nas escolas consigam resistir à destruição de um sistema educativo cuja ruína se tem acentuado a partir do momento em que José Sócrates chegou a primeiro-ministro, pelo que seria bom que o PS se remetesse a um silêncio decoroso, ao contrário do que fez o presidente da Câmara de Amarante, que, ainda ontem, elogiou Maria de Lurdes Rodrigues, a mãe de Nuno Crato. [Read more…]

Há um ministro da Educação a menos

A entrevista que Nuno Crato deu ao Sol mostra-nos um funcionário das Finanças e não um ministro da Educação. O primeiro desconhece ou finge desconhecer a realidade portuguesa, o que lhe é útil para justificar medidas financeiras e ignorar problemas educativos. O segundo deveria ser um homem preocupado em resolver as insuficiências da Educação em Portugal, mas o seu contrato, pelos vistos, não contempla essa tarefa. [Read more…]

Profissão pesadelo

Capa do DiaUma das profissoões mais bonitas, mais respeitadas, mais prestigiantes, torna-se a passos largos na ou numa profissão pesadelo. Quem quer ser professor?

É “humanamente preocupante”: este cenário de desemprego em massa e o futuro do ensino em Portugal, como se escreveu hoje no Público.

Este concurso de colocação foi um massacre, “de uma violência atroz”.

Eu sou professora. Tenho trabalho este ano. Mas sinto-me deprimida e revoltada com a situação de familiares meus, professores de EVT (entre os cerca de 2000 candidatos nenhum foi colocado) e do 1º ciclo, e de todos aqueles que não têm trabalho este ano.

“Só foram colocados 7600 professores dos 51 000 que se candidataram”. São cerca de 43 000 sem trabalho. Como se não houvesse tanto a fazer nas escolas. E depois exige-se aos professores o sucesso dos alunos… Querem alunos motivados, mas os professores têm que estar motivados primeiro.

Mas o que é isto?

É um profissão em crise. É o ensino em Portugal perto do abismo. Os alunos são vítimas e os pais ainda não viram isso. O que é que as Associações de Pais estão a fazer perante o número de alunos por turma (entre os 26 e os 30)? Ou turmas de 32 no caso do ensino articulado?