Na mama do estado, o sistema dual e a reindustrialização do pote

O tal sistema dual e a lógica do chumbas vais para um curso tipo profissional têm sido tratadas pelo lado pedagógico, o que já é barbaridade que chegue, mas há pior. Coloquemos a coisa do lado da economia.

O que se pretende é por um lado poupar no ensino (muito menos professores já que a componente profissional não funciona na escola e a outra deve ficar muito abaixo dos actuais Cursos de Educação e Formação) e ganhar nas empresas, a tal reindustrialização de que fala aqui o Álvaro.

Putos a estagiar numa fábrica: se o trabalho do menino é pouco só não o aproveita quem é louco, e isto não está para loucuras. De uma assentada mete-se a canalha em pleno período obrigatório de trabalho infantil a 42 euros por mês. Como está a legislação o obrigatório poderá ir até aos 18 anos. Perfeito.

É o negócio da china, estúpidos, a competitividade, a produtividade, agora é que vai ser, chárteres de  deslocalizações de fábricas da Ásia para a Europa, o sonho da reconstrução da economia europeia.

Agora o aviso de que o Quadro Comunitário se vai gastar aqui é capaz de trazer mais uns euros no bico: não estou a ver qualquer empresa disposta a aturar quem as escolas já não têm paciência para. O trabalho é pouco, saia um subsídio a quem der a tal formação, e ficamos todos sossegados.

fonte do video

Comments


  1. É SÓ ASNEIRAS CONTRA A MUDANÇA!
    UMA DAS VÁRIAS EXPERIENCIAS DA MINHA VIDA NO TRABALHO, FOI VER ENGENHEIROS MECANICOS SAÍDOS PARA O SETOR AUTOMÓVEL COM UMA UNICA DISCIPLINA SEMESTRAL DA AREA AUTO NA SUA LICENCIATURA NO IST.
    FARTARAM-SE DE FREQUENTAR AULAS PRÁTICAS NO TAL SISTEMA DUAL, QUE TANTO CRITICA NO SEU ARTIGO E CONSEGUIRAM ESTABILIZAR-SE “ACADEMICAMENTE” COM OS CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS E ASSIM FACILIDADES IMEDIATAS DE EMPREGO NO MERCADO DE TRABALHO.
    SE O ENSINO “PERDEU” MUITOS PROFESSORES QUE FORAM PARA A REFORMA EM 2011/2012, GOSTARIA DE SABER PERCENTUALMENTE QUANTOS SERIAM, OS MÉDIOS UTILIZADORES DE INFORMÁTICA!
    SERIA UMA FORMA OTIMA PARA SE TER A NOÇÃO DA ILITERACIA FUNCIONAL EXISTENTE NOS RESPONSAVEIS POR ENSINAR!

  2. antónio oliveira says:

    Por agora temos a “refundação” e a “reindustrialização”. O que virá a seguir?


  3. É a China aqui tão perto… Um poderoso movimento de globalização e colonização, desta vez de sentido inverso. Depois de se escravizar os Chineses, os Indianos, os Mexicanos etc, escravizam-se os europeus. Eu só me pergunto, quando ninguem tiver salário para consumir pouco mais do que o indispensável a um dia a dia minimamente decente, a quem vão eles vender os produtos dessa “industrialização”? Voltamos ao século XIX em que só a aristocracia é que consome? Isso é capaz de encolher o PIB global de forma bastante significativa não? Fica só o dinheiro que já circula nas bolsas? Não sei se a malta do capital está a ver bem a coisa. E alem disso esquecem o factor “R”. De revolta, de revolução… Se o Estado não toma conta do povo, o povo toma conta do estado! É matemático!

  4. edgar says:

    E não haverá quem os refunde a eles?
    Tudo o que sai deste governo cheira a bafio e parece trazer sempre água no bico.

  5. luis says:

    Mais uma forma de retirar financiamento ao erário público(escolas) para subsidiar as empresas. É esta a economia neoliberal que o álvarinho aprendeu no canadá? É isto o mercado a funcionar?

Trackbacks


  1. […] A seguir, Martim afirma que Crato “não quer um modelo à alemã, em que os alunos com menos queda para o estudo são encaminhados, logo na quarta classe, para áreas de ensino alternativo, ficando-lhes praticamente vedado o acesso à universidade.” É algo grave que Martim, como especialista em Educação, não saiba que a designação “quarta classe” já não exista há vários anos. É igualmente grave que o pedagogo Martim ignore que este governo fez tudo para estabelecer em Portugal o tal modelo à alemã e é gravíssimo que Martim, profundo conhecedor do sistema educativo, desconheça que já está no terreno uma vergonha chamada ensino vocacional. Para além disso, Martim parece não estar informado sobre o modo como o ensino profissionalizante está a ser pervertido e transformado em fornecimento de mão-de-obra infantil. […]

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