Para que se saiba: Gás e nuclear são verdes – e o sol é quadrado

Há dias em que, mais do que noutros, apetece dizer com raiva ou resignação aquela frase batida: “os povos têm os governantes que merecem”[1], num esforço para um distanciamento da fatalidade de decisões tomadas por representantes eleitos democraticamente que agridem, de todo, a preservação do planeta e da vida.

Aconteceu ontem. O Parlamento Europeu (PE), numa votação sobre o Acto Delegado Complementar de Taxonomia da União Europeia – ou seja, o sistema de critérios técnicos de avaliação para determinar em que condições uma actividade económica específica pode ser qualificada como contribuindo substancialmente para a mitigação das alterações climáticas – , decidiu classificar de „Verdes“ os investimentos na energia nuclear e no gás fóssil. Não é preciso ser nenhum especialista para entender o absurdo desta decisão. O que seria preciso, mas é impossível, seria conseguir entender como pode uma maioria no Parlamento ser tão vendida e tão comprada para tomar tal decisão. [Read more…]

“Esverdeamento”

O ano acabou mal, com a Comissão Europeia a classificar os investimentos em energia nuclear e gás como sustentáveis no processo de transição ecológica. A taxonomia é um sistema de classificação de produtos financeiros à escala da UE, destinado a orientar capital directo para a transformação verde da produção de energia e da economia.

E como os lobbies falam mais alto, a CE, na sua habitual incoerência entre o palavreado e a prática, apresentou aos 27 Estados-membros, na sexta-feira, uma proposta de rotulagem verde para centrais nucleares e a gás, abrindo assim as portas a que milhares de milhões continuem a fluir rumo a tecnologias nocivas e ultrapassadas – ao invés de serem aplicados em energias renováveis.

Além das consequências ambientais devastadoras destas formas de energia, hoje os sistemas energéticos baseados em energias renováveis são já mais baratos do que o nuclear e os combustíveis fósseis, criam mais empregos e possibilitam a criação descentralizada de valor, em vez de concentrar o poder económico em algumas grandes empresas.

Mas não há maneira de a responsabilidade e a sensatez falarem mais alto do que o dinheiro.

Tributo a Dóris Graça-Dias

doris

 

Está ainda por fazer, creio, uma Taxonomia das categorias de “Amigo” pós-facebook. A vox populi, no que concerne a este tema, não contempla, de forma assertiva, universal e comummente aceite, as novas “espécies” emergentes do conhecimento virtual e das tipologias de “afecto” do “encontro” e relacionamento por meios digitais.

A realidade re(conhecida) pela maioria não fugirá muito das categorias hierarquizadas abaixo, da mais intensa e relevante para a menos intensa e relevante:

Melhor Amigo

Amigo de Criação (dominado pela coincidência geográfica)

Amigo de “situações limite” – militares, bombeiros, etc.

Amigo de Infância, do Secundário, da Faculdade, do Trabalho

Amigos “coloridos”

Amigos “grosso modo”

Amigos “dos copos”

Conhecidos (com empatia)

Conhecidos (com antipatia)

Hostis (por razões várias)

Indiferentes (os restantes)

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