Os telemóveis

Já Marx, nos Manuscritos, nos chama atenção para o trabalho como categoria ontológica e falava na “produção do homem pelo trabalho humano”. O velho Vinicius escreve: …”Mas ele desconhecia/ Este facto extraordinário/ Que o operário faz a coisa/ E a coisa faz o operário” (O Operário em Construção).
Então, a partir desta base filosófico- poética, pergunto:
Que raio andam a fazer de nós os telemóveis?!

Tiro nos pés

Os bloqueios ditados por Trump poderão ser, para não dizer que irão ser, um forte impulso no sentido contrário àquele supostamente apontado pelo slogan da candidatura de Trump à presidência, Make America Great Again.

Veja-se o caso ZTE e Huawei, dois fabricantes de telemóveis com restrições de comercialização nos EUA. Antes destas, a ZTE era o quinto maior fabricante mundial de telemóveis e a Huawei tinha forte possibilidades de chegar a número um, especialmente com os modelos P10 e, agora, P20 Pro, este último com a câmara fotográfica mais avançada da actualidade, a qual já ganhou o prémio TIPA de melhor smartphone fotográfico*.

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Depende da prioridade…

Segundo um estudo publicado pelo site Retrevo, 10% dos jovens com menos de 25 anos acha normal escrever mensagens enquanto tem relações sexuais.

Até já imagino uma parte do texto: Tou dar 1 queca!

Nomofobia

Sabe o que é? “Medo causado pela possibilidade de ficar sem contacto através do telemóvel”.

Um novo clássico dos filmes de terror.

Ainda Os Polvos

«Meia tonelada de polvos mortos foram recolhidos entre as praias do Canidelo e de Valadares, na região de Vila Nova de Gaia. Desconhece-se a razão pela qual tantos polvos deram à costa, mas é pouco provável que tenham sido atirados ao mar ou que tenham sido afectados por poluição».

Notícias de última hora informam que estes polvos, encontrados mortos há algumas semanas, mais não eram que  polvinhos descartáveis, já sem préstimo algum, queimados e sem telemóveis, que somente teriam servido para certos controlos menos recomendáveis.

Aos donos/patrões dos ditos, detentores de enormes apêndices não segmentados e geralmente flexíveis, só restava mesmo o seu descarte durante a noite, antes que o sol nascesse e se visse tudo.

Para mal dos seus (deles) pecados, o sol tudo vê e tudo encontra, e pelos vistos não teme as queimaduras das ventosas dos tentáculos. O sol tudo trata , o sol tudo sara, mesmo que à força das palavras, e da divulgação de escutas que ninguém quer que sejam ouvidas.

As conversas que se ouviriam em Portugal…

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Karsten Nohl é engenheiro informático, 28 anos licenciado nos Estados Unidos. Ele e a sua equipa conseguiu, às custas de um equipamento de três mil euros e tabelas de código, quebrar o algoritmo A5/1, utilizado para garantir a privacidade dos telefonemas das redes de 2G. Ao longo dos últimos seis meses esteve a ouvir, com toda a facilidade, conversas alheias.
Por estranho que pareça, a lucrativa indústria de telecomunicações usa a mesma encriptação desde há 21 anos nas redes Global Systems for Mobile (GSM), utilizadas nos telemóveis, abrangendo 80 por cento dos 4,3 mil milhões de cartões activos.

Claro que a GSM Association não achou piada nenhuma à investigação de Nohl. Mas devia achar. Como avestruz que prefere não encarar o problema e as falhas detectadas, e tão laboriosamente escondidas, considerou o trabalho "ilegal" e "contra-intuitivo", já que o objectivo seria promover a privacidade dos telefonemas. Por isso, preferiu atacar o mensageiro.

A organização garantiu que esta descoberta não ameaça a segurança do sistema mas agora ninguém tem a certeza. A começar pelos órgãos políticos e de justiça em Portugal.

O negócio dos telemóveis na Somália

 A Somália vive há anos mergulhada no caos. Assolada por terríveis  secas, dilacerada pela guerra civil, dividida entre as forças que apoiam o governo interino e a União das Cortes Islâmicas, sem um governo central, sem uma força policial organizada que actue em todo o território, com uma esperança média de vida que não chega aos 50 anos, uma economia tão esfrangalhada que 3 milhões de xelim somalis só valem 100 dólares americanos, considerada pela ONG “Transparência Internacional” como o país com a governação mais corrupta do mundo, e com as águas ao largo do Corno de África pejadas de piratas, a Somália é um dos infernos na Terra.


Mas apesar de todos estes entraves, a Somália acolhe hoje um florescente negócio de telecomunicações, centrado em três grandes operadoras que expulsaram as pequenas empresas do negócio e fizeram crescer o mercado até ao impressionante número de 1.8 milhões de utilizadores de telemóvel. E uma delas está mesmo a tentar estender a sua rede aos portos costeiros usados pelos piratas que, pobre gente, têm estado até agora condenados a usar os caríssimos telefones por satélite.

 

As operadoras garantem que este negócio é fundamental num país em que ninguém sabe se os familiares e amigos ainda estão vivos. Não dizem quanto estão a ganhar mas lembram que, ainda que lucrativo, este negócio é arriscado já que muitos funcionários faltam por razões de segurança e, digo eu, os clientes são pobres e morrem muito.

Mas o negócio está a atrair investidores e já se pensa avançar para as redes 3G brevemente.

 

Li esta notícia tão optimista para os mercados aqui e fiquei a pensar nas assombrosas virtudes do capitalismo que permite que um país tenha condições para gerar um negócio de telecomunicações lucrativo mas não para assegurar comida, trabalho, educação, cuidados de saúde, segurança, justiça, liberdade de circulação, ou protecção da maternidade e da infância aos seus cidadãos. Em compensação, por 0,10 dólares americanos por minuto podem falar para qualquer cidade do país. Sempre, naturalmente, que do outro lado haja ainda alguém para atender.