The Handmaid’s Tale, versão portuguesa Herbert Richers

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "Movimento de mulheres conservadoras de Portugal nasce com aval do Chega e com a partilha de ideais e mensagens mensa evangélicas GRUPO JUNTA MULHERES COM POSIÇÕE ANTI-FEMINISMO ANTI-ABORTO, PELA DEFESA DE ISRAEL PELO CRISTIANISMO"

É injusto culpar a unipessoal André Ventura pelo surgimento de um movimento de instrumentalização político ancorado no fanatismo religioso, alegadamente criado por mulheres conservadoras. Também lá estão fundamentalistas do PSD e do CDS a ajudar os respectivos partidos a cavar a sua sepultura. Cada partido tem o necrófago que merece.

É bom deixar algo muito claro desde já: quem defende e celebra um genocídio, quem defende o ódio contra outros povos ou religiões e quem defende corruptos que encornam a mulher com prostitutas e actrizes porno está desde logo apresentado. Usam Deus em vão e incorrem em pecado mortal. Dito por outras palavras, são uma fraude. Ou, quiçá, são um estratagema do Diabo para encaminhar o rebanho para o fogo do inferno.

São, em toda a linha, a negação dos ensinamentos de Jesus que dizem defender.

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Ayatollah Trump, o “enviado de Deus”

Evangélicos do Iowa mobilizaram-se para impedir a “crucificação” do “enviado de Deus”. E o ayatollah Trump ganhou as primárias.

A extrema-direita, dos populistas mais básicos e oportunistas aos neofascistas convictos, já avisou ao que vem: não querem fazer nenhuma nação great again. Querem transformar o Ocidente num conjunto de teocracias inspiradas nos regimes totalitários do Médio Oriente.

One step at a time.

Rumo à sharia cristã.

The Handmaid’s Tale da vida real segue dentro de momentos.

Next stop: Republic of Gilead

O novo speaker da câmara dos representantes, Mike “MAGA” Johnson, é um nacionalista cristão. Em 2019 afirmou “Não queremos estar em democracia”. Pragmático.

Fundamentalismo religioso do bem

Israel está a ficar tão Gilead que as handmaids já andam na rua. Mas não se preocupem que é fundamentalismo religioso do bem. E a separação de poderes está overrated.

The Handmaid’s Trump

Em 2016, a 10 meses do final do seu mandato, a maioria republicana no Senado impediu Barack Obama de substituir o falecido juiz Antonin, do Supremo Tribunal. O líder dos republicanos, Mitch McConnell, justificava a decisão com o argumento de que os eleitores teriam uma palavra a dizer, pelo que a substituição do juiz do Supremo só deveria ocorrer após o acto eleitoral marcado para o final desse ano.

Quatro anos volvidos, Donald Trump nomeou Amy Coney Barrett, na sequência do falecimento da icónica Ruth Bader Ginsberg, a menos de um mês das presidenciais. O ainda líder dos republicanos, Mitch McConnell, bem como a bancada republicana no Senado estado-unidense, nada tiveram a opor. Os eleitores, esses, nada puderam ou tiveram a dizer.

Desta forma, cumpriu-se a vontade de Donald Trump, que nomeu o seu terceiro magistrado vitalício na mais alta instância jurídica dos EUA, ampliando a maioria republicana no Supremo. Uma maioria com a qual o presidente conta para invalidar uma possível vitória de Joe Biden na secretaria, plano em marcha há várias semanas, assente na narrativa da fraude eleitoral.

O cerco está montado. Mesmo que Biden vença as eleições, o Supremo Tribunal dos EUA será uma força de bloqueio à governação do novo presidente. E com três juízes nomeados por Trump, a última das quais uma ultraconservadora membro da People of Praise, uma organização fundamentalista católica que advoga, por exemplo, que as mulheres se devem submeter à vontade dos seus maridos, o cenário não é nada animador. Após vários episódios verídicos de Black Mirror, a realidade parece apostada em reproduzir The Handmaid’s Tale.