Um inferno português…

A ideia que Holanda e Irlanda são paraísos fiscais, deixa implícita a existência, por simples oposição ao conceito de paraíso, que existirão infernos fiscais. Nada impede os que acusam tais países de concorrência desleal, de passarem a defender que os seus próprios países concorram com os demais. As empresas não são corpos estranhos, seguem a lógica das pessoas, porque até ver, por muito que recorram à robótica ou inteligência artificial, ainda são dirigidas por pessoas. Se um cidadão não encontra condições para se desenvolver numa localidade, desloca-se, de cidade, região, por vezes até de país, emigra. As empresas é igual. Cabe aos governos atraírem investimento, inteligência e capitais, para isso precisam ser concorrenciais. Agilizar processos e baixar impostos. Não acusem empresários de mudarem a sede das empresas, acusem o governo de não ter uma política fiscal que as mantivesse em Portugal. [Read more…]

Federalismo, uma ameaça para levar a sério…

Martin Schulz foi derrotado nas eleições alemãs, que não me interessam rigorosamente para nada, mas pode vir a fazer parte do próximo governo em coligação com Angela Merkel ou quem sabe, caso a actual chanceler não consiga apresentar uma solução até podem vir a ser convocadas novas eleições e se os eleitores entenderem Schulz até pode acabar chanceler. Ora para consumo interno os alemães que decidam, mas sabemos o papel da Alemanha na U.E. e quanto esta se tem tornado uma entidade cada vez mais omnipotente e omnipresente na vida dos europeus. [Read more…]

Aviso à navegação

Face a este improvável cenário, proposto pela sra. Le Pen, imaginem Portugal caso a esquerda forçasse a saída do Euro…

Grécia, Europa, vamos ao que interessa…

Não entrei no circo mediático em torno da Grécia. Percebo o interesse, fui lendo aqui e ali diferentes argumentos técnicos e ideológicos, mas nunca tive grandes dúvidas que a Grécia iria continuar no Euro, pelo menos para já, desde logo por razões internas, apesar da vitória eleitoral do Syriza, a saída da moeda única não constava do programa de governo, muito provavelmente por saberem que a maioria dos eleitores gregos não querem ouvir falar no assunto. Por outro lado a U.E., por muita influência que a Alemanha possa ter, é mais que que a mera vontade de Berlim, não poderia expulsar um país, porque isso não está escrito em qualquer tratado e nem mesmo Angela Merkel queria ficar com o odioso para si. Todos cederam politicamente um pouco, permitindo agora continuar a discussão se Bruxelas obrigou o governo grego a recuar no seu programa  ou pelo contrário, Tsipras e Varoufakis abriram um precedente na U.E., posição esta muito oportuna para fins eleitorais em Portugal e Espanha. [Read more…]

Agora é a minha vez…

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Ainda não é desta que me irei pronunciar sobra a Grécia. Como dizemos em África, há que deixar correr o marfim… Mas indignou-me o noticiário das 14h na SIC-N. Federica Mogherini visitou Portugal, foi recebida por Rui Machete, a estação televisiva avançou para o Palácio das Necessidades, aturei quase 5 minutos do discurso do ministro e quando me preparava para ouvir a voz da senhora, qual Varoufakis qual quê, esta senhora deve ser o político europeu mais interessante nos dias que correm, que me perdoem os amigos aqui do blog, as senhoras até compreendo, mas de facto queria ouvir a voz da responsável europeia da política externa. Ainda por cima italiana. Depois admiram-se que os cidadãos estejam cada vez mais afastados das instituições europeias. A culpa é da comunicação social. Quando um político tem algo a dizer, um cidadão interessado como eu se predispõe a ouvir, o máximo que oferecem é um canastrão, sem que consiga recordar uma palavra ou sequer o assunto da conferência. Salvou-se a foto, ou pelo menos metade. Neste caso, prefiro a esquerda à direita…

E se a troika nos mandasse lixar?

Foram muitos os portugueses que resolveram ontem sair à rua para protestar contra a situação que Portugal atravessa. Diferentes motivações como já fui lendo, pessoas politicamente esclarecidas misturadas com outras que apenas pretenderam gritar basta pelas dificuldades que sentem no dia a dia. Mas uma coisa é criticar, outra bem diferente é apontar alternativas. De forma alguma pretendo contestar o direito à manifestação, forma legítima que os organizadores encontraram para expressar a sua indignação. Até porque o fizeram de forma pacífica e ordeira, à parte um ou outro energúmeno que possa ter procurado aproveitar a onda procurando conduzir a turba para actos de vandalismo, a verdade é que cidadãos e forças policiais estiveram à altura, mostrando que não são desordeiros ou arruaceiros, facto a registar. [Read more…]

Eurobonds

-Imagine o estimado leitor, este cenário perfeitamente comum. Um prédio com 10 fracções, todas elas hipotecadas a diversos Bancos, cada um com o seu empréstimo particular, livremente negociado, o que implica diferentes prazos de pagamento, spread e taxa de juro, esta normalmente indexada à Euribor, mas ainda assim a 3, 6 meses ou 1 ano, eventualmente alguém poderá ter optado por taxa fixa. Formam um condomínio, que os une. Vamos admitir que alguém se lembraria de reunir todas as dívidas numa única, uniformizando as taxas de juro. Em prol da harmonia e boa vizinhança, a ideia poderia ser muito bonita, mas na prática, implicaria aumentar a prestação dos que pagam menos, porque deram uma entrada maior, garantias bancárias que mereceram uma melhor avaliação ou auferem um maior rendimento, mesmo que tenham 2 empregos ou trabalhem até à exaustão. Por sua vez, os que têm menos rendimentos, seja por estarem menos qualificados, terem estudado menos ou trabalharem o mínimo, veriam recompensado o seu menor esforço. Acredita o leitor ser possível, colocar esta ideia em prática? O princípio é equivalente aos eurobonds, emissão de dívida pública europeia, que permitiriam descer a taxa de juro a países como Portugal, aumentando por exemplo à Alemanha… Eu confesso que a ideia não me desagradaria, tenho é dúvidas que os alemães alinhem, e admito que até os percebo…