Vacinação no Porto – condições deploráveis

Depois de acompanhar a minha tia com 95 anos por duas vezes e de ter sido vacinado sempre em condições dignas e próprias, ontem fui surpreendido pela falta de condições e de tratamento digno no Centro de Vacinação COVID-19 – ACeS Porto Ocidental.
Vamos por partes:
1 – chegámos meia-hora antes à entrada e disseram-nos que a caserna de atendimento distava cerca de 500 metros, sendo melhor ir de carro. Assim fizemos, mas as pessoas com mais de 80 anos e muitas com mais de 90 que não tinham automóvel lá foram, ou não, como puderam;
2 – Chegados à entrada entregaram o usual questionário para responder sem ter onde sentar a minha tia nem tirá-la da corrente de ar. À entrada e de pé!
3 – Preenchido e entregue o papel mandaram-nos para uma fila desabrigada para a triagem.

Centro de Vacinação COVID-19 – ACeS Porto Ocidental

4 – Chegados à triagem 20 minutos depois, disseram [Read more…]

Isto leva a questões incómodas

Fonte:  John Burn-Murdoch no Twitter (@jburnmurdoch)
Sobre o autor: “Histórias, estatísticas e gráficos de dispersão para @FinancialTimes | Atualizações diárias do rastreador de trajetória do coronavírus | john.burn-murdoch@ft.com |#dataviz”

[Read more…]

Simplicidades

O Popeye das vacinas é um castiço. Este figurão apareceu nas nossas vidas de forma mais repentina do que o vírus e nunca mais de cá saiu. Para a sua universal popularidade, beneficiou em larga medida da absoluta inutilidade do seu antecessor. Convém recordar que Francisco Ramos foi afastado depois de, com o semblante bonacheirão de jantar bem regado, ter vomitado que disponibilizar a segunda dose da vacina a pessoas que passaram à frente na fila só era imoral para quem votou André Ventura.

O país ficou embasbacado e até António Costa terá posto as mãos à cara. Parecíamos condenados a mais do mesmo: um cargo de grande responsabilidade iria ser ocupado por um inimputável, parcial, incompetente e francamente execrável actor político.

Quando toda a esperança parecia fugir, eis que do nevoeiro emerge o GI Joe de Quelimane. Carregado aos ombros pela nossa inclinação sebastianista, estimulado por uma imprensa fetichista que saliva por homens de farda, munido de vacinas refrigeradas e experiência em submarinos, era a autoridade de que o país precisava para aniquilar o vírus e conquistar finalmente o Quinto Império. Os jornalistas orgasmaram, as mulheres pediram autógrafos nos sutiãs, começou a conjeturar-se uma candidatura presidencial. Mas por trás de todo o show está, na verdade, uma ternurenta ilusão.

É que aqui o nosso Capitão Iglo está genuinamente convencido de que está na guerra. Encontramo-nos todos, em sociedade, a brincar aos covides, num faz-de-conta que nos trará no futuro uma colossal vergonha comunitária retroativa. Mas o almirante é o gajo que está a levar isto mais a sério. Fala em dar pancadas ao vírus, em não lhe dar férias, numa linguagem bélica absolutamente adorável. Assemelha-se a um veterano de guerra traumatizado que trouxe o corpo de volta ao país, mas cuja cabeça ainda está nas trincheiras. Claro que esta atitude messiânica faz prolongar a ilusão colectiva de que temos algum tipo de controlo sobre o vírus ou de que líquidos não aprovados e mesquinhas atitudes ditatoriais terão algum impacto na sua evolução. Mas o almirante parecia pelo menos – mesmo que esquizofrénico – ser um sujeito íntegro e competente. O homem certo no lugar errado.

Pois, enganei-me. Aquilo que começou como um promissor líder que parecia priorizar a eficiência e a transparência transformou-se num espetáculo de vaidades infantis e declarações estapafúrdias. A pior surgiu esta semana.

Para este senhor, a questão da segurança destas injecções para os jovens é “muito simples”. E ele espera que os pais entendam, porque é muito simples. Se tiverem, claro está, suficientes capacidades mentais para entenderem algo tão simples. A segurança das injecções em jovens é tão incrivelmente simples que os pediatras (provavelmente a área médica com menos anti-vacinas per capita) da comissão reunida pela DGS foram unânimes em manifestar-se contra. Nada que não pudesse ser resolvido ao estilo Grouxo Marx.

Esta questão é tão irrefutavelmente simples que efeitos adversos graves das vacinas mRNA – como inflamações cardíacas – estão a ser frequentemente detetados especificamente em jovens. É tão assustadoramente simples que – como as vacinas já estavam compradas e há acordos a cumprir, bazucas a colectar e ânus a lamber – foram necessárias inenarráveis pressões políticas para despoletar o processo. Tão absolutamente simples que foi necessário inventar “novos dados” para proceder a essa pirueta, dados esses que ninguém sabe quais são. Tão espantosa, extrema e brutalmente simples que – de forma a contornar a incómoda questão de esta ser uma doença que virtualmente não afecta os mais jovens – foi necessário colocar um infeliz avençado a justificar a decisão com o “peso psicológico”, porque as crianças estão aterrorizadas com a possibilidade de infectar os seus familiares mais frágeis; ignorando desta forma não apenas a inutilidade da vacina no que toca à transmissão, mas também e sobretudo o facto de esse bem-estar ter sido completamente dizimado por prostitutas como ele e as suas abjectas campanhas de terror.

Aquilo que é para muitos um terrível debate sobre bioética, moralidade, consciência social, individualismo, parentalidade, independência da ciência em relação ao poder político e corporativo, e cuja decisão irá impactar toda uma geração que temos obrigação de proteger é, para o nosso futuro presidente, uma “coisa muito simples”. É segura, caramba! O senhor almirante “garante”. Gouveia e Melo pode não ter a insolência ébria do seu antecessor, mas no que toca a condescendência e pedantismo, até Francisco Ramos tem muitos douradinhos para comer até chegar aos calcanhares do nosso adorável e mui sexy marinheiro.

Pod do Dia – A placa do Américo Thomaz

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Pod do Dia – A placa do Américo Thomaz
/