Conversas vadias 24

Aqui está a vigésima quarta edição das Conversas Vadias. A cumprir o dever de vadiar, estiveram três mosqueteiros (ou seja, quatro): José Mário Teixeira, Orlando Sousa, António Fernando Nabais e António de Almeida.

Começámos por servir a vitória do Sporting na Supertaça, atacámos o disparate das janelas de mercado no futebol, provámos um pouco de outras modalidades, à custa dos Jogos Olímpicos, valorizámos Neemias Queta, explicámos o que significa “andar na berlinda”, degustámos a estranha intervenção do Presidente da República sobre a vacinação dos jovens, inquietámo-nos com a D. G. S., lembrámos o fecho da Dielmar, digerimos Bolsonaro e acabámos com sugestões para todos os gostos, incluindo um desgosto.

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Conversas vadias 24
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Desnorte acerca do isolamento profilático e do Certificado Digital de Vacinação

António Costa, com vacinação completa e após teste PCR negativo, encontra-se em isolamento profilático por ter contactado com pessoa infectada, cumprindo instruções da DGS.
Sendo que ainda no fim-de-semana anterior o Certificado Digital de Vacinação era suficiente para evitar confinamento em áreas previstas, Marcelo Rebelo de Sousa pede, e muito bem, pede à DGS que esclareça os portugueses por que razão está o Primeiro-Ministro em isolamento profilático.

Lesta a esclarecer o pedido do Presidente da República, a DGS informa que, e cita-se,
“Pelo princípio da precaução em Saúde Pública, no atual momento epidemiológico, de acordo com a Norma 015/2020 e 019/2020 da Direção-Geral da Saúde, as pessoas vacinadas são abordadas, no que diz respeito ao isolamento e testagem, respetivamente, da mesma forma que as pessoas não vacinadas”, sendo que, “esta abordagem está em discussão e “poderá ser atualizada com base na evolução da evidência científica e se a situação epidemiológica assim o suportar”.
Ou seja, [Read more…]

Má sorte ser-se Cavaco

Cavaco tem todo o direito a escrever e a dizer o que lhe apetecer e a ser deselegante e malcriada, porque vivemos num país livre e é preciso respeitar as pessoas com incapacidades. Ninguém está livre de ter um filho assim e não é menos filho se for assim. Ainda por cima, ser malcriado não impede ninguém de chegar a bastonário ou de ter ambições políticas, como já foi demonstrado por outros antes dela.

Pelos vistos, Cavaco chamou “gorda fura filas” à Presidente da Câmara de Portimão, que se considera “obesa”, termo débil e politicamente correcto. Cavaco não é mulher de meias palavras. Sendo mestre em Saúde Comunitária e Saúde Pública, terá aprendido que a melhor maneira de tratar uma pessoa com problemas de peso é chamar-lhe “gorda”, havendo teóricos que defendem a importância curativa de apodos como “vaca” ou “baleia”. No fundo, isto é enfermagem. Acrescente-se que Cavaco tem, também, uma pós-graduação em Gestão pela Católica, onde aprendeu, decerto, a sentir-se superior e a espalhar pragas bíblicas.

Já é pior ser-se desonesto, mas também isso é um direito e os tribunais poderão resolver esse assunto daqui por dez anos. Cavaco escreveu que ouviu dizer que o secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local e a sua esposa, directora da Segurança Social de Faro, tinham sido indevidamente vacinados. Ficou a saber não era verdade e que, portanto, não se tinha verificado nada de indevido. No faroeste das redes sociais, Cavaco confessou que foi contactada pelo próprio secretário de Estado, o que a levou a acrescentar que não foi vacinado, mas que podia ter sido e que isto é tudo uma grande vigarice, porque há muito nepotismo, recorrendo a uma técnica habitual em qualquer tasca, quando um bêbado muda de insulto, por o anterior não ter resultado. [Read more…]

Vacinem as criancinhas

Parece que a moda de não vacinar crianças emigrou dos Estados Unidos para Portugal. Com o advento da Internet, os paizinhos armaram-se em médicos e chegaram à conclusão que as vacinas causam autismo e problemas intestinais, e afinal de contas antes ter um filho que morre com sarampo ou meningite do que ter um filho autista. Não interessa se os sites que transmitem essa informação sejam muito pouco fidedignos e que qualquer médico minimamente credenciado diga que não é bem assim. Não, não, “eu é que sei o que é melhor para o meu filho” diz a mãe que acha que o site da AIA é mais credível do que os vários médicos do seu pequeno rebento.

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