Intenção de voto

Porque é minha intenção votar PSD

Ideologicamente nunca houve partido em que mais me revisse como me revejo na IL. E natural seria para mim, votar neles.

Mas

1 a questão fundamental que se vai decidir nas próximas eleições é: Portugal vai continuar a empobrecer (vitória da esquerda) ou não (vitória do centro e da direita); e vai ser essencial, determinante e crítico saber qual o partido que vai ficar em 1º lugar: PSD ou PS.

2 se ideologicamente estou perto da IL, já politicamente tenho tido inúmeros momentos em que sinto muitas, muitas dúvidas acerca do seu posicionamento; há uma espécie de complexo de identidade típico de partidos menores que sucessivamente lhes perverte a lucidez.

3 e no mesmo sentido, acho inacreditável que num momento tão crítico (quase uma última oportunidade) para o País, a agenda exclusivamente partidária da IL se sobreponha ao interesse nacional e se recuse a fazer uma coligação pré-eleitoral cuja inexistência só tem 2 beneficiários: PS e Chega; a sobranceria que essa decisão denota além de marcar indelevelmente o futuro da IL, traduz a perpetuação do vício que tem motivado todo o mal que o PS tem feito a Portugal: o partido é mais importante que o País.

Ser radical no dia 4 de Outubro

Isabel_Moreira

«É radical, no verdadeiro sentido da palavra. A nossa escolha é radical. Dia 4. Manter PSD e CDS no poder ou votar para os derrubar. A segunda hipótese chama-se PS. Qualquer voto no BE ou no PCP é um voto na direita. É no que a direita aposta. Na dispersão da esquerda. Dia 4 é um dia radical. Ou PSD e CDS ou PS. Os homens e as mulheres de todas as esquerdas têm o nosso destino colectivo nas mãos. Não o dividam. Dividir não é, dia 4, nem patriótico, nem de esquerda.»
Isabel Moreira

Ser radical a sério, radical-mesmo, será outra coisa, claro, embora a perspectiva de Isabel Moreira (fazendo tábua rasa do evidente eleitoralismo do enunciado) encontre sustentação na obstinação sectária do BE e do PCP em não alinhar numa solução governativa de compromisso. Bem como na trágica (trágica para o povo) incapacidade do PS para ser aquilo que anuncia que é: socialista. Nesse sentido, talvez apenas o Livre/Tempo de Avançar seja suficientemente radical para o híbrido PS, uma vez que à esquerda são os únicos que parecem estar disponíveis para a união. A História pós-25 de Abril pesa, bem sei, bem sei. Mais interessante (interessante para o país e para a Europa), e até mesmo radical, seria a convergência de uma esquerda pragmática, empenhada em agir sobre aquilo a que a direita chama, com propriedade (em todos os sentidos, também literais), a realidade.

Todos os votos são úteis, mas uns são mais úteis do que outros

Não sou grande apreciador da lógica do voto útil. Já basta o massacre informativo que tenta condicionar a nossa opção seja aos “2 candidatos 2” ou aos “5 partidos 5“, coisa que pode ser pragmática mas não é democrática.

Útil é o voto em quem confiamos, em que defende aquilo em que acreditamos. Inútil é não votar.

Circunstâncias especiais, contudo, invocam lógicas particulares. É o caso do tempo que atravessamos.

Perante a realidade não tenho hesitação possível: voto em Coimbra, e em Coimbra o Bloco de Esquerda tem um deputado que pode manter, e a CDU nenhuma hipótese de o conseguir. Estando em causa a eleição de um deputado, vou votar no BE, como votaria na CDU em Beja ou em Évora. O parlamento precisa de deputados de esquerda, que serão sempre poucos. O resto é desperdício.

Votar na Esquerda e esperar que, pelo menos, mudem as moscas

Como homem de Esquerda, no Domingo, gostaria de comemorar duas coisas eventualmente incompatíveis: a derrota do socratismo e a inexistência de uma maioria absoluta PSD-CDS.

Se, do ponto de vista programático, pode haver diferenças entre o PS e o PSD e o CDS, na prática, os seis anos de socratismo foram anos de políticas de direita, pelo que não há diferença nenhuma entre estarem uns ou outros no poder. Aliás, PS e PSD souberam entender-se imediatamente, quando foi preciso escolher o caminho das políticas que estão, agora, plasmadas na troika, o texto que, na realidade, corresponde ao programa de governo de qualquer um dos dois partidos.

O PS tem mantido, ao longo dos anos, uma divisão de personalidade, virando à direita, quando governa, mostrando-se de esquerda, na oposição. O socratismo manteve essa característica, mas foi muito mais longe na apropriação dos aparelhos de Estado e do aparelho partidário, com base em clientelismo, em incompetência (quando não má-fé) e em mediocridade. Aliás, se o PS perder, mesmo que Sócrates se demita (o que não está garantido), o cheiro perdurará por muito tempo. Não me apetece imaginar o que será se ganhar.

É certo que a vitória do PSD não me preocupa menos, pois também já deu provas sobejas de incompetência em tempos idos, bastando lembrar que devemos a Cavaco Silva, entre outras benfeitorias, a destruição das pescas e da agricultura. Mais recentemente, pudemos confirmar a falta de carácter de Durão Barroso e o apoio desastrado a um desastrado Santana Lopes, com o CDS a manter uma reserva cínica que não disfarça a cumplicidade.

Os votos que forem para o Bloco e para o PCP enfraquecerão o PS, é verdade, mas o PS e a Esquerda serão derrotados pelos votos flutuantes do centro que Sócrates terá, finalmente, afugentado. A clique socrática mostrou incompetência e arrogância, afastando-se da Esquerda e afastando, também, eleitores de Esquerda.

No Domingo, festejarei a derrota de Sócrates e lamentarei a vitória da Direita, o que trará uma melhoria relativamente às duas últimas eleições em que lamentei a vitória de Sócrates e a da Direita. É fraco consolo, mas já não é mau se mudarem as moscas.

Resta à Esquerda, enquanto não chega ao governo, vigiar e protestar, ao mesmo tempo que deve reflectir sobre os seus próprios erros, erros de forma e de conteúdo. Resta à Esquerda continuar a preocupar-se com os direitos sociais e laborais, esse empecilho para o capitalismo desavergonhado que governa o mundo de braço dado com a especulação descontrolada e com os defensores dos privilégios dos que sempre foram privilegiados.

Qualquer voto no Bloco de Esquerda ou no Partido Comunista é, portanto, um voto útil. Qualquer outro voto é um voto na Direita.