A "concertação estratégica"


O sr. Cavaco Silva decidiu enviar as felicitações da praxe à folgada vencedora das presidenciais brasileiras. Tudo dentro das convencionais normas da diplomacia entre países soberanos, notando-se o facto de um deles ser mais soberano que o outro, precisamente aquele que esteve durante séculos sob a soberania do “parabenizador à cata de negócio.”
Preocupante para o staff do Palácio do Planalto, deverá ser uma passagem do inquilino de Belém, pois promete-lhe …“uma renovada oportunidade de aprofundamento do nosso relacionamento e da nossa concertação estratégica. Pode, Vossa Excelência, contar com o meu firme empenho pessoal nesse sentido.”
Por experiência própria, os primos portugueses conhecem bem o significado deste tipo de “concertação”: se enveredar por “grandes desígnios”, “oportunidades”, “parcerias” e outras figuras de retórica, a Sra. Dª Dilma bem poderá ir contactando o FMI, pois dele necessitará dentro de quatro anos. Pergunte ao Sr. Cavaco Silva.

Comments

  1. Sandra says:

    Caro Nuno Castelo-Branco,

    Eu passeei por alguns blogs portugueses para ver o que os primos consideraram sobre a eleição de Dona Dilma no Brasil.

    Concordo com vosso colega Carlos Fonseca, para quem o Brasil é rico em recursos naturais e em tamanho, e eu digo inclusive para suportar novas investidas de novos primos.

    Discordo dele quanto ao grau de suspeitabilidade da BBC.

    No mais, a coisa por aqui é mais complexa do que o panegírico geral, por exemplo, os dados de uma tabela dos rendimentos médios dos Trabalhadores do setor privado oferecida por órgão do governo Lula, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apontam para uma estagnação, para dar-vos uma idéia: janeiro de 2002, primeiro mês do governo Lula, R$ 1333, queda constante até dezembro de 2009 quando alcança R$ 1337, e então sobe lentamente para alcançar R$ 1380 em setembro de 2010, o último dado disponível. Eu suspeito que esses eleitores ou foram para a praia no feriado ou votaram em branco.

    Neste mesmo período o mercado: empresas e bancos lucraram enormemente; investidores lucraram enormemente; não abriu-se concorrência, ao contrário houve junção em várias áreas – supermercados, telecomunicações, bancos, que lucraram enormemente; e crédito fácil e baratíssimo para amigos, portanto lucraram enormemente, e crédito caríssimo para a choldra, mas como a prestação coube no bolso ficou muito feliz, assim como os miseráveis de cinco séculos “presenteados” com benefícios dos coronéis, agora, do Estado. Eis o eleitorado que elegeu Dona Dilma.

    Saudações.

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