O futebol da política e a política de futebol

Ontem lá tive de ler e ouvir o estribilho repetitivo do povo da política quando o resto do povo anda entretido nos futebóis: Fátima, Futebol e Fado são armas do poder para embalar e distrair a nação.

O papel do circo, sobretudo quando não há pão, no entretenimento dos povos e como arma dos governantes é conhecido ao longo da História. Não o nego.

Convém é colocar as coisas no seu lugar, e dar-lhes a devida relevância.

O que fez de Salazar o capo da mais longa ditadura na Europa não foi o fado ou o futebol (que ao que consta nem apreciava) ou os milagres de Fátima (em que acreditava tanto como qualquer devoto ateu). Foram a PIDE, a Legião Portuguesa e restante aparelho repressivo do estado na altura supostamente novo.

É o medo que conserva os povos em casa quando deviam sair à rua.

E embora sob outras formas, é isso que ainda acontece hoje. Basta ver que no orçamento de estado se trata com pinças a tropa e mesmo as polícias. E o desemprego veio para ficar. É disso que os portugueses têm medo. Essa é uma bola quadrada, deixem lá a redonda andar aos pontapés no relvado.

Comments

  1. miguel dias says:

    Ee há duas coisas que gostaria de comentar do teu post, que muito aprecio.
    Em primeiro lugar, partilhamos a ideia do direito ao circo (ainda que os meus palhaços sejam muito melhores que o teus), apesar de tudo o resto, que alguns imbecis se esforçam por nos atirar à cara, como se discutir futebol não fosse uma coisa importante.
    Em segundo lugar gostei da frase(e agora entramos no circo) “O que fez de Salazar o capo da mais longa ditadura na Europa não foi o fado ou o futebol (que ao que consta nem apreciava)”, que me parece não se compaginar com a tese do clube do regime.
    Mas enfim, cinco zero são cinco zero…
    (p.s. só mais mais coisa, esta cena do circo é coisa de Império)


  2. Nunca usei essa do “clube do regime”. O regime tinha alguns clubes de predilecção: Belenenses, Benfica, CUF e Sporting, não necessariamente por esta ordem.
    Agora situações como a final da taça de 1969 (em que o árbitro tinha ordens para o Benfica ganhar à Académica), ou a destruição do Barreirense pela CUF, existiram.

  3. miguel dias says:

    Meu caro,
    muito me apraz verificar que o teu rigor científico e profissional se sobrepõe à tua irracional clubite.

Deixar uma resposta