Wikipédia, colaborar é preciso

A Wikipédia é uma das 7 maravilhas que a internet nos proporcionou. Alimenta-se de uma boa causa, a partilha do saber, e é hoje a maior base de conhecimento do planeta.

Tem erros? claro que tem. Mas irritam-me os senhores que andam à caça deles para virem fazer queixinha: quando encontro um, nas poucas coisas em que tenho alguma especialização, corrijo. Fizessem todos o mesmo e teria muito menos. E convém não esquecer que todas as enciclopédias têm erros, e sobre elas a wikipédia tem a vantagem da permanente actualização.

Ora mesmo resultando de um trabalho colaborativo a wikipédia custa dinheiro (a mania de que na net nada custa dinheiro é como todas as manias disparatada). E está a precisar de fundos. Compete-nos a todos os que a usamos deixar um donativo, que será também uma forma de perceber que se queremos algo de útil, livre e independente temos de ajudar a construí-lo.

Mas se da parte dos estados se transferissem verbas desperdiçadas em recursos educativos de pior qualidade, preocupados apenas com a lógica de serem lucrativos, se calhar o problema da wikipédia resolvia-se num instante. Estou a pensar em softwares e plataformas que muitas escolas adquirem, tantas vezes para rapidamente ficarem desactualizados num instante, e que ninguém usa, por exemplo a “Escola Virtual” da Porto Editora, um repositório de conteúdos duplicados dos manuais, numa generosa forma de se pagar duas vezes pelo mesmo. Conheço várias escolas que pagam por isso, quanto muito investindo na preguiça dos professores que fogem do google, e da wikipédia, como o diabo da cruz.

Comments

  1. Ricardo Santos Pinto says:

    Eu uso a Escola Virtual, como também uso o Google (e o Google Earth em determinadas matérias – os putos adoram), a Wikipedia e o YouTube, entre outros. Aqui na Escola, cada professor paga o seu acesso à Escola Virtual – 30 euros por dois anos. Não é mau, mas não é nada de especial. Não renovarei a licença.


  2. A wikipedia em português do Brasil é muito má.
    Nem seria de esperar que fosse boa quando alguns dos responsáveis são adolescentes brasileiros de 18 anos, alguns deles sem noção do que seja escrever em português. Colaborei em 2 ou 3 verbetes e na troca de impressões provocada por um dele foi-me dito que escrever: “falar consigo” é um erro. Assim vai o portugês no Brasil, entre pessoas que colaboram em enciclopédias!
    Acresce a isto a acrimónia contra Portugal, que Jorge de Sena tão bem notou e que se vâ nas mais pequenas coisas e o pendor marxista, ou mesmo stalinista.
    Resolvam este vergonhoso estado de coisas e depois venham pedir dinheiro.


  3. Ah, não esquecer: a wikipedia é aquela enciclopédia em que a escritora Agustina Bessa-Luís tem um verbete equivalente ao da jornalista Câncio, apenas mais extenso porque… a Ilustre Escritora tem um Obra mais extensa.


  4. É verdade que tem havido problemas complicados com analfabetos brasileiros. Andam por aí narrados em blogues e fóruns.
    Responsáveis? os portugueses que lhes deram, e dão espaço de manobra. Deixamos andar, e dá nisso.
    Quando apoio a Wikipedia refiro-me à que utilizo. A de língua portuguesa apenas e só para temas portugueses. Para o restante escolhe entre as outras três que leio.

  5. Telmo Tobias says:

    O senhor que escreve este artigo ou é ignorante ou é mal intencionado: em Portugal existem 120 mil utilizadores da Escola Virtual, que nem é uma “plataforma desactualizada”, nem “um repositório de conteúdos duplicados dos manuais”. Sugeria que analisasse o que a Escola Virtual realmente oferece antes de escrever asneiras. O que este serviço oferece não encontrará em nenhum outro sítio da web – usar a wikipedia ou outras coisas afins é complementar.


  6. Ó Tobias, vai vender a banha da cobra para outro lado. Conheço e não uso a Escola Virtual porque é uma treta, copiada dos manuais, e nem à borla valia a pena.

    Quanto te paga a Porto Editora? ou melhor, quanto pagam os pais à Porto Editora para ganhares o teu?

  7. Telmo Tobias says:

    Caro JJC, onde é que lhe dói? Não consegue “vender” a treta do Moodle e está chateado? Cresça e apareça. Não é preciso ser amigo, funcionário ou sequer fã da Porto Editora para reconhecer valor na Escola Virtual. Fique com as suas certezas, com as suas frustrações e passe bem.


  8. O moodle??? acertou na água, muito longe do porta-aviões.

    Até perdi a password.

  9. Telmo Tobias says:

    Isto começou mal, mas vou fazer uma tentativa de transformar este diálogo em algo de útil para si e para quem eventualmente o lê:
    1. não sou funcionário da Porto Editora mas sou utilizador da Escola Virtual e importo-me com o que sobre este serviço é dito/escrito;
    2. aquilo que refere sobre a Escola Virtual é falso e resulta de um preconceito – seria bom que se informasse melhor;
    3. quando referi o Moodle estava a usar esse menção como símbolo de uma determinada forma de ver as TIC na educação;
    4. há espaço para todo o tipo de ofertas, produtos e serviços, pagos ou gratuitos – o fundamental é aferir em que medida servem os nossos propósitos;
    5. o user-generated-content e a colaboração são compatíveis com a utilização de coisas como a Escola Virtual;
    6. a Escola Virtual dá acesso, entre outras coisas que valorizo, ao maior banco de REDs em língua portuguesa de cariz curricular, devidamente catalogados, pesquisáveis e integráveis em sequências de aprendizagem personalizadas;
    7. espero sinceramente que seja capaz de olhar para aquilo da forma que deve ser – goste ou não goste, queira ou não queria usar, o valor intrínseco da Escola Virtual é inegável.
    Faço votos de que acolha as minhas palavras de uma forma construtiva e de boa fé. Se quiser persistir no tom inaugurado no artigo, lamento, mas prefiro não perder mais tempo com isto. Bem haja.

  10. Telmo Tobias says:

    O senhor tem o síndrome da perseguição e pensa que descobriu a pólvora: eu estou nas instalações deles e a usar a rede wireless deles. Isso faz de mim funcionário? E, já agora, em que é que isso mudaria o essencial do que disse? Se eu me quisesse esconder seja do que for na usaria esta rede. Mas registo com preocupação que hoje não tomou as pastilhas… Cure-se e depois falaremos.

    • Ricardo Santos Pinto says:

      Regressando ao tema original, Tobias, a verdade é que aderi à Escola Virtual e paguei 30 euros por dois anos de utilização. Como já disse antes nesta caixa de comentários, não é nada de especial. Na preparação de cada aula, vou à Escola Virtual ver se vale a pena usar o que está lá. Geralmente, não vale. Não é que seja totalmente mau, até tem coisas engraçadinhas, mas os recursos preparados por mim são muito melhores. Não tenciono renovar a licença.


  11. Claro Tobias. O wireless deles.

    Como acredito que a Porto Editora terá o mesmo fim dos clubes de vídeo, e chegará o dia em que os governos perceberão as vantagens do open source e da partilha de conteúdos, divirta-se enquanto pode.

    Quanto ao se eu quisesse, é um clássico: para um “ignorante” (fim de citação) não valia a pena esconder o IP, não era Tobias?

    Azar, ainda usavas fraldas e já eu andava nisto.

  12. Telmo Tobias says:

    Falhou o plano cor de rosa, não foi? Afinal, o IP não dá para me confirmar como funcionário, não é? Quanto ao andar nisto há muito tempo, enfim, é argumento ao nível dos anteriores, vale zero. Quanto aos desejos que expressou, são coisas tipicas de ressabiados. Parabéns, finalmente mostrou a “camisola” e não foi preciso o IP. Fique com as suas certezas e reduza-se à sua irrelevância. Este comentário já não tem o mesmo IP – confirme.


  13. Ao tempo que alguém tenta tapar o sol com uma peneira mas ainda ninguém conseguiu.

    Queres argumentos? porque havemos de pagar pelo que podemos ter gratuito, e com a qualidade que vem da massa crítica? como pode uma editora que nunca conseguiu produzir uma manual sem erros científicos e/ou linguísticos, de maior ou menor gravidade, continuar no mercado?

    Valem zero os meus argumentos? Zero será o valor do teu salário quando os e-books se tornarem baratos, e os professores aprenderem a diferença entre um saco de batatas e a web 2.0

  14. Ricardo Santos Pinto says:

    Já pensei em propor em reunião de Departamento que no ano seguinte seja política do Departamento – pelo menos do Grupo de História – NÃO ADOPTAR manual para o ano seguinte. Manual para quê?
    Mas desconfio que nem vale a pena propor isso.

  15. Telmo Tobias says:

    JJC, não vou perder mais tempo a explicar aquilo que não percebe mas sugiro que fume menos dessa coisa porque está a delirar. O argumento da editora que “nunca produziu um manual sem erros” é uma generalização grosseira baseada em coisa alguma e mais um produto da sua profunda ignorância: já ouviu falar de processos de certificação? Pois claro, o senhor está certo e o resto do mundo está errado, como no exemplo dos professores que não sabem “a diferença entre um saco de batatas e a web 2.0”. Mas não se preocupe com o meu salário, porque enquanto o que eu fizer tiver utilidade para terceiros alguém pagará por isso; não sou nem nunca fui funcionário público, por isso não vivo à custa dos impostos dos outros e jamais assumo o que quer que seja como garantido.


  16. Certificação de manuais escolares em Portugal? essa não é de fumo, é de quem se injecta e cuidado que os opiáceos são um caminho sem retorno.

    Pode ser que um dia me entretenha a escrever sobre os manuais que analisei ao longo de 30 anos. Ou sobre os que andam por aí escritos por quem não tem habilitações mínimas para os escrever, e nem o programa entendeu.

    Mas hoje não me apetece.

  17. Telmo Tobias says:

    Acho que é um bom epílogo: “um dia” o senhor vai dignar-se iluminar os demais com a sua rara sabedoria. Saiba que estou ansioso mas esperarei sentado. Fique bem com as suas verdades absolutas e com os seus 30 de análise de manuais. O resto do mundo parece que não está muito interessado em escutá-lo…

  18. Miguel Dias says:

    Boa, JJ!
    Estivessem os iluminados preocupados em corrigir a wiki em vez de atirar de pedras. Atirassem ao menos alguns dólares. Manda lixar. Mesmo.

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