Agradecimento a Osório Mateus

Fui até à Biblioteca Municipal da minha cidade, na esperança de encontrar um livro de ou sobre o autor de teatro e trovas medieval, Anrique da Mota, nascido no século XV e com quem Gil Vicente colaborou. Qual não foi o meu espanto que consegui: um livrinho de 120 páginas numa edição de Osório Mateus (um nome que me era completamente estranho).

Escrevo este post pelo seguinte: pela «Nota Prévia» redigida em 1999 pelos seus organizadores, José Camões e Helena Silva: “Em 1996, quando morreu, Osório Mateus [1940-1996] preparava a edição das Obras de Anrique da Mota destinada a integrar esta coleção”.

Quero agradecer a Osório Mateus, em primeiro lugar, pela sua dedicação ao Teatro Português, à cultura portuguesa nomeadamente ao do século XVI, deixando-nos este trabalho fabuloso onde podemos encontrar reunidos textos de difícil acesso e que só conhecemos graças à transcrição que o professor e encenador fez a partir de reproduções fotográficas…E agradeço aos organizadores que retomaram, deram continuidade e ajudaram a dar à luz esta obra (na imagem) que, hoje, é útil a muita gente.

Agora, os meus alunos poderão ler textos de Anrique da Mota como este, que uma certa Antónia Vieira lhe encomendou: uma trova para cada letra do seu nome. Transcrevo um excerto:

(…) no A senhora s’entende/ o Amor muito sobejo/ que me mata (…)

e o M vos decrara a Morte que me causais (…)

e o T é a Tristeza/ que me dais (…)

o O são os Olhos tristes /com que triste vos vi eu (…)

o N nam quer dizer senam Nam (…)

o I diz que sôs Imiga / do descanso qu’eu quisera (…)

o A senhora vos chama / Avarenta de favores (…)

polo V se manifesta/ minha sojeita Vontade (…)

e diz o segundo I /que tenho fé Inmortal (…)

pelo E tenho sabido/ a Enveja que me tem alguns (…)

no I terceiro conheço/ senhora que sois Isenta (…)

o R é a Rezão (…)

e o A por derradeiro/ diz que digo sempre Ai (…) do meu prisioneiro coração como lhe vai. Este brada noite e dia (…) /e minha grande alegria /morrendo por vos servir.

 

 

Comments

  1. Judite says:

    A Faculdade de Letras da UL tem uma Biblioteca Osório Mateus. Todo o espólio do autor está lá arquivado e bem catalogado. Encontra mais informações em http://www.fl.ul.pt/cet ou em http://ww3.fl.ul.pt//biblioteca/biblioteca_digital/publicacoes/om/index.htm
    Judite

  2. maria celeste ramos says:

    è bom aprendermos coisas e trocar informações importantes através uns dos outros -na RTP2 está a decorrer um belo documentário sobre a savana narrado por Jeremy Irons – mas que “voz” – mas que paisagens e que clima e habitante selvagens que vão esistindo à destruição imparável dos “caçadores do Botswana” – mas hoje foram intronizados os principes do Mónaco pela Confraria do Vinho do Porto – vamos ver


  3. Grande parte do trabalho publicado pelo OM foi feito pelos seus alunos, Eu sei, fui uma delas. Um dos piores, se não o pior professor que tive na FL.

  4. Judite says:

    Infelizmente, Ana Mendes da SIlva, isso ainda acontece, hoje em dia… Muito trabalho é feito pelos alunos…

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