Crónicas do Crato IV (ou “oh, céus, dúvida cruel!”)

nuno crato
Em mais uma manifestação de cratinismo profundo, o ministro da educação, perante a significativa baixa no números de candidatos ao Ensino Superior, decide abrir um inquérito (estão a ver a coisa: nomeia-se uma comissão, que constituirá as devidas sub-comissões, adquirirá as devidas condições logísticas – uns automoveizitos, uns cartões de crédito com saldo livre para uns almocinhos de trabalho no Tavares, uns assessores especialistas de ideias gerais – enfim, aquele mínimo…) para que alguém descubra as razões deste mistério.

Questionado sobre se – que ideia bizarra!…- a situação teria alguma coisa a ver com a crise e as dificuldades económicas das famílias, o ministro que respondeu “nem que não nem que sim” e não afastou a longínqua possibilidade de o grande número de vagas por preencher ter a ver com tais coisas.

Caramba, isto é que é rigor científico! É que essas alegadas dificuldades não são mais que observações empíricas e, se bem que 99% da população não tenha dúvidas, é preciso – ah ganda Crato – sujeitar tais observações ao crivo implacável e científico de uma comissão e de um rigoroso inquérito. Até porque é do conhecimento geral que este mecanismo prestigioso sempre produziu resultados rápidos, rigorosos, implacáveis. Por isso, sempre que o poder em Portugal quer fundamentar uma decisão rápida e eficiente ordena: “Faça-se um rigoroso inquérito”. É limpinho!

Comments

  1. João Paz says:

    Isso mesmo José Gabriel! “É limpinho” envia-se para as calendas e, entretanto, serve de peneira para tentar tapar o sol de uma verdade indiscutível. Este desgoverno não está SÓ a destruir a escola pública (seu objectivo central), está a destruir o país.


  2. É a vingança dos “ofendidos em áfrica” ??

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