A escuridão não tapa a miséria


Mais de 100 pessoas, estavam já pela meia noite, à porta do Centro de Emprego de Portimão.

Mais de 100 pessoas estavam já, pela meia-noite de hoje, à porta do Centro de Emprego de Portimão. (daqui)

Podemos apagar a luz para não ver a realidade, podemos dar-lhe voltas e olhar para o país com um milagre económico, como Pires de Lima fez ontem, descaradamente. Podemos ver as gargalhadas da ministra swap no Parlamento e, às vezes, achamos mesmo, mesmo, mesmo que vivemos num país diferente. Mas a realidade é como as baratas, sobrevive a tudo e, mesmo mascarada, entra-nos pela porta dentro com estrondo.

Não há alternativa. Temos de ter cuidado com os mercados. Estamos no rumo certo. Não há alternativa, não há alternativa, não há alternativa. Vamos continuar a ouvir isto até à exaustão para que ecoe nas nossas cabeças como as enxaquecas, mas isto, a mim, dói mais. A miséria que se aprofunda e, mesmo que se queira olhar para o lado e ignorar, ela passa a porta sem pedir e entra-nos pelos olhos dentro. Ontem foi no Lagarteiro. A EDP, que teve lucros de 792 milhões de euros entre Janeiro e Setembro de 2013, mandou cortar a luz a centenas pessoas no Bairro do Lagarteiro, um daqueles bairros que a maioria das pessoas só conhece quando há uma operação policial com honras mediáticas.

Não têm dinheiro para pagar a luz, os parasitas, que teimam em querer comer. A alimentação é sobrevalorizada, ainda havemos de ouvir isto, quando o pão que comemos souber a merda. O Zeca é que sabia bem do que cantava.

Ontem foi no Lagarteiro mas, nesta semana, também lá no meu bairro a EDP cortou a luz em três ou quatro casas. Não sei ao certo a quem, porque, lá está, a vergonha esconde-os mas mostra-nos todos os dias o país em que vivemos. Assim, sem filtros nem adornos. Segundo a TSF, na manhã de hoje havia já gente com electricidade, através das chamadas “puxadas” de vizinhos que – ainda – têm electricidade.

É este o país em que vivemos, em que um sector estratégico do Estado foi privatizado a bem do mercado. Sempre o mercado. E assim acaba a responsabilidade de o Estado em ter o dever de garantir as condições mínimas de dignidade para quem ainda sobrevive neste país.

Às 13h00 de hoje haverá concentração em frente à EDP, na Avenida da Boavista. Certamente que dá mais trabalho do que assinar uma petição, que o Blatter é um malandro e o nosso patriotismo é tão forte que não admitimos que um gajo de fora diga mal do nosso menino d’ouro. E tantas assinaturas. Indigno aquele gajo da FIFA. Aquilo não se faz ao Cristiano. Mas não é isso que envergonha o nosso país. Não é um velho caquéctico que nos ofende. Quem nos ofende todos os dias está cá dentro, bem mais próximo que o Blatter e governa e mata-nos.

O último a sair que apague a luz.

Comments

  1. Fernando says:

    Ave Goldman Sachs, cheia de graça,
    o FMI é convosco.
    Bendita sois vós entre o BPN & Sociedade Lusa de Negócios,
    e bendito é o fruto do vosso ventre, criminalidade legalizada.
    Santa Goldman Sachs Mãe da miséria global,
    Rogai por nós os devedores
    Agora e na hora de nossa morte. Amém

  2. Fernando says:

    Não há milagre, Portugal está no pelotão da frente dos países em vias de subdesenvolvimento, sim, eu sei que custa a acreditar para alguns, Portugal não era um país perfeito, muito longe disso, mas ainda faz (não por muito tempo) parte desse grupo países com índices de país industrializado. Espero que agora fiquem satisfeitos com o aborto neo/não-liberal parido pela Santíssima trindade, o partido PS-PSD-CDS, o FMI e o Ricardo Salgado!

  3. Fernando says:

    Que se foda o Blatter, o Ronaldo e os mérdia que insistem em manter esta não-notícia a flutuar junto das outras excrementícias banalidades merdiáticas!

  4. Luz e água são essenciais mas não são à borla. E, convenhamos, também é uma injustiça uns pagarem e outros não…

    • E qual é a sua alternativa para o problema? Só tem direito a luz e água quem tem dinheiro para pagar, os restantes devem ser condenados a viver em condições degradantes?

      Os 3,6 milhões de aumento da despesa do ministérios plasmada no OE14 davam para pagar todas estas contas e muito mais…

  5. Mas as “cambras” não têm água de “borla” – a que título ?’ porque a privatizaram ?? e se há cartões de credito para a AR e todos os mandantes porque sacam água e electricidade para quem pouco ou muito fez o que fez e paga impostos – mas que conversa é esta ??
    Então não tem emprego por culpa de quem e é por isso que não poder ter um prato de sopa e uma lâmpada para ver o que come e água para não se empanturrar ?? ou estamos como os de ontem que morreram a atravessar o Sahara por não terem água – mas que conversa é esta ?? Então vamos todos para o Campo e pastar ao lado das vacas e voltar à origem e comer papas de POLEN – rais parta os politólogos – agora há caras novas – 3 anos de politogologia ?’ quem paga ?? a estas tipas e tipos ?’

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